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Ministro André Mendonça aponta “contornos de máfia” em atuação de Thiago Miranda ligado ao ex-controlador do Banco Master

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Decisão do STF aponta indícios de monitoramento de jornalistas, empresários e outras pessoas – Crédito: Reprodução / Instagram / @thiagomiranda

A Polícia Federal investiga um suposto esquema de coleta ilegal de informações e intimidação que teria sido articulado por pessoas ligadas ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Entre os investigados está o publicitário Thiago Miranda, apontado pela corporação como um dos responsáveis por levantar dados sobre empresários, jornalistas e outras pessoas que, segundo a investigação, poderiam representar obstáculos aos interesses do grupo.

A apuração ganhou força após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou medidas de busca e apreensão. Na decisão, o magistrado afirmou que os elementos reunidos pela investigação revelam uma atuação considerada grave, com características que, segundo ele, apresentam “contornos de máfia”, diante da forma como o suposto esquema teria sido estruturado.

De acordo com a Polícia Federal, Thiago Miranda seria encarregado de produzir levantamentos detalhados sobre a vida pessoal e profissional de determinados alvos. Entre os nomes citados na investigação estão o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, e a jornalista Malu Gaspar, que publicou reportagens envolvendo o Banco Master durante o período em que a instituição enfrentava forte pressão do mercado financeiro.

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As investigações indicam que o grupo teria utilizado plataformas de consulta de dados e outros mecanismos para reunir informações pessoais, financeiras e patrimoniais. O objetivo, segundo a PF, seria identificar conteúdos que pudessem ser utilizados para pressionar, constranger ou descredibilizar pessoas consideradas contrárias aos interesses do ex-banqueiro.

Mensagens analisadas pelos investigadores mostram que Daniel Vorcaro teria solicitado diretamente a Thiago Miranda a produção de um levantamento sobre Milton Maluhy Filho. Em resposta, o publicitário afirmou que assumiria a tarefa e, posteriormente, informou que o material já estaria concluído, sugerindo que sua divulgação ocorreria por meio de outro veículo de comunicação.

Durante o cumprimento dos mandados judiciais, os agentes localizaram um documento identificado como relatório sobre Milton Maluhy Filho e sua esposa, produzido com a identidade visual da Agência Mithi, empresa pertencente a Thiago Miranda. O arquivo continha a indicação de que reunia informações confidenciais, fato que passou a integrar o conjunto de provas analisadas pela Polícia Federal.

Os investigadores também sustentam que o suposto esquema teria extrapolado a coleta de dados, alcançando tentativas de influenciar a cobertura jornalística. Conforme o inquérito, Thiago Miranda teria buscado contato com jornalistas, incluindo Malu Gaspar e Lauro Jardim, em uma iniciativa que, segundo a PF, poderia ter como finalidade reduzir ou interromper a divulgação de reportagens relacionadas ao Banco Master.

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Além da apreensão de celulares, computadores, documentos e arquivos armazenados em nuvem, a Polícia Federal apura suspeitas de violação de dados sigilosos, possível prática de desinformação e outras condutas que poderão ser enquadradas em diferentes crimes, conforme o avanço das investigações. O caso permanece sob análise do Supremo Tribunal Federal, e os investigados terão oportunidade de apresentar suas defesas no decorrer do processo.

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Entenda como, segundo a Polícia Federal, funcionava o esquema de emendas parlamentares atribuído a Valdemar Costa Neto

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Dirigente nacional do PL é apontado como articulador de indicações de recursos públicos atribuídas formalmente a deputados federais – Foto: Reprodução/ IA

A Polícia Federal apura a atuação do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, por suspeita de comandar um esquema de direcionamento de emendas parlamentares sem possuir mandato eletivo. No âmbito da investigação, o ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de bens que podem alcançar R$ 119 milhões, valor relacionado às indicações de recursos atribuídas ao dirigente partidário.

Segundo os investigadores, Valdemar teria participado da definição de pelo menos 21 emendas parlamentares que, oficialmente, foram apresentadas por deputados federais. A Polícia Federal sustenta que, apesar da autoria formal dos parlamentares, as decisões sobre a destinação dos recursos eram tomadas pelo presidente do partido.

A investigação aponta que parte significativa dessas verbas já havia sido liberada antes da decisão do Supremo Tribunal Federal. Do total estimado em R$ 119 milhões, aproximadamente R$ 104 milhões teriam sido pagos aos municípios contemplados antes da suspensão determinada pela Corte.

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De acordo com o inquérito, um grupo de assessores ligados às lideranças partidárias na Câmara dos Deputados teria atuado na operacionalização das indicações. A PF afirma que servidores lotados em gabinetes estratégicos auxiliavam na organização das demandas, no encaminhamento das solicitações e no acompanhamento das emendas.

Na decisão, Flávio Dino afirma que mensagens eletrônicas e documentos apreendidos durante as investigações indicam que Valdemar exercia influência direta sobre a distribuição dos recursos públicos. Para o ministro, há elementos que apontam para uma atuação além das atribuições político-partidárias normalmente exercidas por dirigentes de legenda.

Os investigadores também identificaram conversas em aplicativos de mensagens nas quais aparecem referências a “emendas do Valdemar” e à sigla “VCN”, utilizada, segundo a Polícia Federal, para identificar o presidente do PL. Os diálogos tratariam de valores, municípios beneficiados e áreas que receberiam os recursos.

Entre os destinos citados nas apurações está o município de Mogi das Cruzes, em São Paulo, considerado um dos principais redutos políticos de Valdemar Costa Neto. Conforme a investigação, uma das emendas destinadas à cidade foi apresentada oficialmente por um deputado federal, mas teria sido definida previamente pelo dirigente partidário.

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A decisão do STF destaca que os fatos investigados podem caracterizar, em tese, o crime de peculato, embora a própria investigação registre que, até o momento, não foram encontrados indícios de que Valdemar tenha obtido vantagem financeira pessoal com a liberação das verbas. A principal suspeita é de interferência indevida na destinação de recursos cuja indicação cabe exclusivamente aos parlamentares.

As emendas sob investigação foram apresentadas entre junho de 2024 e março de 2026 e tiveram sua execução suspensa por determinação judicial. Enquanto a Polícia Federal aprofunda as apurações, a defesa de Valdemar Costa Neto nega qualquer irregularidade, afirma que a decisão se baseia em interpretações equivocadas e sustenta que dirigentes partidários podem participar das discussões políticas sobre as prioridades das bancadas, sem que isso configure prática criminosa.

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