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Ex-deputado Chiquinho Brazão é alvo de operação da Polícia Federal que investiga desvio de emendas parlamentares no Rio de Janeiro
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Investigação autorizada pelo STF cumpre prisões, buscas e bloqueia bens para apurar esquema envolvendo organizações sociais – Crédito: Bruno Spada/ CdosD
A Polícia Federal deflagrou a Operação Emendatio para aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares federais no estado do Rio de Janeiro. Entre os alvos da ofensiva está o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, citado nas apurações que investigam uma movimentação financeira estimada em aproximadamente R$ 100 milhões.
A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e contou com a participação de cerca de 60 policiais federais. Ao todo, foram expedidos dois mandados de prisão preventiva, 21 mandados de busca e apreensão e ordens de bloqueio de bens e valores que somam R$ 100 milhões, com o objetivo de preservar recursos que possam ter ligação com as irregularidades investigadas.
Segundo as investigações, os recursos públicos teriam sido destinados, por meio de emendas parlamentares, a organizações da sociedade civil (OSCs) que mantinham convênios e contratos com órgãos da administração pública federal. A suspeita é de que parte desse dinheiro tenha sido desviada antes de alcançar a finalidade prevista.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado teria utilizado empresas de fachada, pessoas físicas e entidades sem fins lucrativos para movimentar recursos e ocultar a origem e o destino do dinheiro. Os investigadores acreditam que essa estrutura teria servido para conferir aparência de legalidade às operações financeiras.
Entre os presos na ação estão Raphael da Silva Gonçalves, ex-assessor de Domingos Brazão, irmão de Chiquinho Brazão, e Robson Calixto, conhecido como “Peixe”, que já se encontrava custodiado quando teve o novo mandado de prisão cumprido.
A investigação também aponta indícios de superfaturamento em contratos, possíveis fraudes em processos de cotação de preços e acordos entre empresas participantes das contratações. Esses elementos estão sendo analisados para verificar se houve direcionamento de recursos públicos e prejuízo aos cofres da União.
Com a Operação Emendatio, a Polícia Federal busca identificar todos os beneficiários do suposto esquema, rastrear o caminho percorrido pelos recursos públicos e esclarecer o grau de participação de cada investigado na estrutura criminosa.
Os envolvidos poderão responder por crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, além de outras infrações que eventualmente sejam identificadas durante o avanço das investigações. O caso permanece sob supervisão do Supremo Tribunal Federal e segue em fase de coleta de provas.
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Uso de mansão de empresário por Cláudio Castro coincide com crescimento milionário de contratos da Enge Prat no governo do Rio
Ex-governador afirma que pagava aluguel do imóvel em Petrópolis, enquanto empresa ligada ao proprietário acumulou centenas de milhões.
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), passou cerca de três anos morando em uma residência de alto padrão localizada em Petrópolis, na Região Serrana do estado. O imóvel pertence ao empresário Luiz Fernando Gomes, controlador da construtora Enge Prat, companhia que ampliou significativamente seus negócios com o governo fluminense durante a gestão de Castro.
A residência está situada em um condomínio de luxo e possui ampla estrutura, incluindo piscina, churrasqueira, quatro suítes, cinco banheiros e aproximadamente 270 metros quadrados de área construída. Avaliada em cerca de R$ 2,4 milhões, a propriedade integra um complexo residencial que conta ainda com heliponto e fica próximo a um polo gastronômico sofisticado da cidade.
Por meio de sua assessoria, Cláudio Castro informou que ocupava o imóvel na condição de locatário e que todas as despesas referentes ao aluguel eram pagas com recursos próprios. Segundo a defesa, o contrato permaneceu vigente entre 2023 e março de 2026, quando o então governador deixou o cargo e encerrou a locação.
Enquanto o imóvel era utilizado pelo ex-governador, a Enge Prat registrou forte crescimento na quantidade e no valor dos contratos firmados com órgãos da administração estadual. Desde 2022, a empresa assinou onze novos contratos, elevando o volume total para aproximadamente R$ 355 milhões.
Desse montante, cerca de R$ 141 milhões correspondem a contratos celebrados por modalidades que dispensaram processo licitatório. Antes da gestão Castro, a empresa havia firmado apenas dois contratos com o Estado, que juntos somavam menos de R$ 2 milhões.
Entre os órgãos que mais contrataram a Enge Prat está o Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro (Iterj), responsável por três contratos de grande porte. O maior deles, firmado em 2023 para serviços de topografia, ultrapassou R$ 90 milhões e foi realizado por meio de uma modalidade de contratação sem licitação, conforme informações divulgadas pela reportagem.
A empresa também prestou serviços para a Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), o Fundo Especial do Corpo de Bombeiros e a Empresa de Obras Públicas do Estado. Entre os contratos de maior valor estão um acordo de R$ 36 milhões com o DER e outro de R$ 11 milhões com a Secretaria de Infraestrutura, ambos formalizados com dispensa de licitação.
Funcionários do condomínio, ouvidos sob condição de anonimato, relataram que Cláudio Castro frequentava o local acompanhado de familiares, amigos e equipe de segurança. Segundo esses relatos, o ex-governador deixou de aparecer na residência a partir de março deste ano, quando o imóvel passou a ser ocupado por outro morador.
Além da residência, Luiz Fernando Gomes também mantém empreendimentos turísticos e gastronômicos nas proximidades, incluindo um complexo com pousada, restaurantes e adega em Petrópolis. O empresário controla mais de vinte empresas que atuam em diferentes segmentos da construção civil e infraestrutura.
A coincidência entre o período em que Cláudio Castro ocupou a casa do empresário e a expansão dos contratos públicos da Enge Prat chama atenção e amplia o debate sobre a relação entre agentes públicos e fornecedores do Estado. Até o momento, o ex-governador sustenta que a utilização do imóvel ocorreu exclusivamente por meio de contrato de aluguel regularmente pago, sem qualquer vínculo com as contratações da empresa junto ao governo fluminense.
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