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Comércio entre Brasil e China bate recorde no primeiro semestre e movimenta quase US$ 97 bilhões

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Exportações brasileiras alcançam maior nível da história para o período, impulsionadas por soja, petróleo, minério de ferro e carnes – Foto: Ricardo Stuckert

O comércio entre Brasil e China alcançou um novo marco histórico no primeiro semestre de 2026. De acordo com levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), a corrente comercial entre os dois países chegou a US$ 96,9 bilhões, resultado impulsionado pelo crescimento das exportações brasileiras e pelo avanço das importações de produtos chineses. O desempenho reforça a posição da China como principal parceiro comercial do Brasil.

As vendas brasileiras para o mercado chinês totalizaram US$ 58,3 bilhões entre janeiro e junho, representando um crescimento de 22% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado estabeleceu o maior volume de exportações já registrado para um primeiro semestre e ampliou a importância do mercado chinês para a economia brasileira.

Além do crescimento nas exportações, o Brasil também ampliou suas compras de produtos chineses. As importações alcançaram US$ 38,5 bilhões, outro recorde para o período. Com isso, o superávit brasileiro no comércio bilateral chegou a US$ 19,8 bilhões, respondendo por quase metade do saldo positivo obtido pelo país em todas as relações comerciais com o exterior.

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A China permaneceu como destino de praticamente um terço de tudo o que o Brasil exportou ao longo do semestre. A participação chinesa nas vendas externas brasileiras ficou muito acima da registrada por outros mercados internacionais, consolidando o país asiático como principal comprador dos produtos nacionais e peça fundamental para o desempenho da balança comercial.

Entre os produtos exportados, a soja manteve a liderança absoluta. O grão respondeu pela maior parcela das vendas brasileiras para a China, refletindo a forte demanda do país asiático por alimentos e matérias-primas destinadas ao abastecimento de sua população e de seu setor industrial.

O petróleo foi o destaque de maior crescimento no período. As exportações do combustível avançaram de forma significativa, beneficiadas tanto pelo aumento dos embarques quanto pela valorização internacional do produto. O Brasil ampliou sua participação como fornecedor estratégico para a China em um cenário de mudanças no mercado global de energia.

O minério de ferro também registrou desempenho expressivo. O volume embarcado para o mercado chinês atingiu o maior patamar já observado para um primeiro semestre, reforçando a importância da mineração brasileira no abastecimento da indústria siderúrgica chinesa, uma das maiores do mundo.

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No setor de proteínas, a carne bovina apresentou forte expansão nas exportações. As vendas alcançaram novo recorde para o período, impulsionadas pela elevada demanda chinesa e pelo aproveitamento das condições comerciais vigentes antes da alteração das tarifas de importação. As exportações de carne de frango e de outros produtos agropecuários também cresceram de forma consistente.

Entre os estados brasileiros, o Rio de Janeiro liderou as exportações destinadas à China, impulsionado principalmente pelas vendas de petróleo. Mato Grosso apareceu em seguida, sustentado pela produção de soja, enquanto Minas Gerais manteve posição de destaque graças às exportações de minério de ferro.

No sentido contrário, as importações brasileiras vindas da China evidenciaram o fortalecimento da presença da indústria chinesa no mercado nacional, especialmente no segmento de veículos eletrificados. Carros elétricos, híbridos e híbridos plug-in responderam por uma parcela significativa das compras brasileiras, demonstrando o avanço tecnológico da indústria chinesa e aprofundando ainda mais a integração econômica entre os dois países.

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China reforça rejeição à arbitragem internacional e endurece discurso sobre disputas no Mar do Sul

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Pequim volta a contestar decisão de 2016, defende negociações diretas com países vizinhos – Foto:  EPA/ WU HAO

O governo da China voltou a reafirmar sua posição sobre as disputas territoriais no Mar do Sul da China, declarando que não aceitará qualquer reivindicação fundamentada na decisão arbitral emitida em 2016. A manifestação foi feita pelo Ministério das Relações Exteriores, que reiterou o entendimento de que o processo internacional não possui validade para o país.

A declaração ocorre no momento em que se aproximam os dez anos da sentença do tribunal arbitral constituído com base na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS). Na ocasião, o tribunal decidiu favoravelmente a diversos argumentos apresentados pelas Filipinas em relação às áreas marítimas reivindicadas por Pequim.

Segundo a porta-voz da diplomacia chinesa, Mao Ning, a posição oficial do governo permanece inalterada desde o início do processo. Ela afirmou que a decisão arbitral não produz efeitos jurídicos sobre a soberania chinesa e, por isso, não será reconhecida nem utilizada como referência nas negociações envolvendo a região.

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Pequim também sustenta que o procedimento internacional foi instaurado sem a autorização do governo chinês e, por essa razão, desrespeitou princípios considerados fundamentais do direito internacional. Para as autoridades chinesas, a arbitragem extrapolou os limites previstos pela própria Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

Outro argumento apresentado pelo governo chinês é que, em 2006, o país utilizou um mecanismo previsto na UNCLOS para excluir determinadas disputas, como as relacionadas à delimitação marítima, dos procedimentos obrigatórios de arbitragem internacional. Na avaliação de Pequim, essa decisão torna inválida a abertura do processo conduzido contra o país.

A diplomacia chinesa também ressaltou que China e Filipinas haviam firmado anteriormente compromissos para resolver suas divergências por meio do diálogo direto. De acordo com o governo, esse entendimento foi incorporado à Declaração sobre a Conduta das Partes no Mar do Sul da China, assinada entre a China e os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

Além de defender sua interpretação jurídica, Pequim reafirmou que continuará protegendo o que considera seus direitos históricos, sua integridade territorial e seus interesses marítimos. O governo destacou ainda que pretende manter o diálogo com os países envolvidos, buscando soluções pacíficas para evitar o agravamento das tensões na região.

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O Mar do Sul da China permanece como um dos principais focos de disputa geopolítica do mundo. Além da China, países como Filipinas, Vietnã, Malásia, Brunei e Taiwan reivindicam áreas da região, estratégica para o comércio internacional e rica em recursos naturais. Enquanto Estados Unidos e aliados defendem o cumprimento da decisão arbitral de 2016, Pequim insiste que o julgamento não possui qualquer efeito legal e afirma que continuará rejeitando iniciativas baseadas nesse entendimento.

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