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Empresas exportadoras terão acesso a R$ 15 bilhões após aprovação de medida contra tarifaço dos EUA
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Programa prevê R$ 15 bilhões em financiamentos para fortalecer exportadores, preservar empregos e estimular investimentos em setores estratégicos da economia – Foto: Reprodução/ IA
O Senado Federal deu aval, nesta quarta-feira (8), à medida provisória que institui uma nova linha de crédito de R$ 15 bilhões destinada a empresas brasileiras afetadas pelas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e pelos reflexos econômicos da guerra no Oriente Médio. A proposta agora aguarda a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para entrar em vigor.
Os recursos fazem parte do Plano Brasil Soberano, criado pelo governo federal para oferecer suporte ao setor produtivo nacional diante das dificuldades enfrentadas no comércio exterior. A iniciativa busca reduzir os impactos provocados pelo aumento das barreiras comerciais e pela instabilidade do cenário internacional.
A nova linha de financiamento será voltada às empresas que atuam em atividades voltadas à exportação, abrangendo segmentos como indústria, agronegócio, mineração, florestas plantadas, pesca e aquicultura. A intenção é assegurar capital para manter as operações e evitar prejuízos decorrentes da redução das vendas ao mercado externo.
Além de reforçar o caixa das empresas, os financiamentos poderão ser aplicados em investimentos destinados à modernização da produção. Entre as despesas permitidas estão aquisição de máquinas, compra de equipamentos, implantação de novas tecnologias, inovação e pagamento de custos operacionais, incluindo a folha salarial.
De acordo com o governo federal, os critérios para concessão dos recursos darão preferência a empresas que atuem em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico do país, especialmente aquelas que investem em tecnologia e agregação de valor à produção nacional.
Outro fator que será levado em consideração é o nível de impacto causado pelas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos e pelas consequências da guerra no Oriente Médio sobre o comércio internacional. Os setores mais vulneráveis terão prioridade na liberação do crédito.
O Executivo afirma que a medida também busca fortalecer cadeias produtivas essenciais para a economia brasileira, contribuindo para reduzir desequilíbrios na balança comercial e ampliar a competitividade das empresas nacionais em um ambiente global cada vez mais desafiador.
Com a aprovação da medida provisória pelo Congresso, a expectativa é que o programa ajude a preservar empregos, manter investimentos e garantir a continuidade das exportações brasileiras, oferecendo maior segurança financeira às empresas enquanto persistirem as incertezas provocadas pelas tensões geopolíticas e pelo aumento do protecionismo internacional.
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Lula diz ter diálogo com Trump, critica assessores dos EUA e cobra relação sem interferência no Brasil
Presidente afirma que conversa direta com líder americano avançou em tarifas e minerais críticos – Foto: Ricardo Stuckert/ PR I Casa Branca
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que mantém uma relação política marcada pelo respeito e pela objetividade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apesar das divergências entre os dois países. Em entrevista à Record, Lula revelou detalhes de uma conversa de aproximadamente uma hora e vinte minutos com o republicano e avaliou que parte das dificuldades diplomáticas surge após as tratativas entre os dois chefes de Estado.
Segundo Lula, o contato direto com Trump ocorreu de maneira “civilizada” e permitiu discutir assuntos considerados estratégicos para Brasil e Estados Unidos. Entre os temas abordados estiveram as tarifas impostas aos produtos brasileiros, a exploração de minerais críticos, as terras raras e iniciativas conjuntas de enfrentamento ao crime organizado. O petista, porém, demonstrou insatisfação com decisões adotadas posteriormente por integrantes da administração norte-americana.
Na avaliação do presidente brasileiro, existe uma diferença entre a postura demonstrada por Trump durante as conversas e algumas medidas tomadas por assessores e integrantes do segundo escalão dos Estados Unidos. Lula afirmou que o Brasil está aberto ao diálogo com Washington, mas deixou claro que não aceitará interferências externas em assuntos internos e que a soberania brasileira continuará sendo tratada como um limite inegociável nas relações internacionais.
As barreiras comerciais também ocuparam espaço importante nas negociações. Lula disse ter contestado argumentos utilizados para justificar tarifas sobre produtos brasileiros e apresentou dados relacionados à redução do desmatamento no país. O presidente também rejeitou questionamentos envolvendo condições trabalhistas e afirmou que, após o contato com Trump, equipes responsáveis pelo comércio exterior dos dois governos passaram a discutir tecnicamente alternativas para superar os entraves.
Outro ponto considerado estratégico pelo governo brasileiro envolve a exploração de terras raras e minerais críticos. Lula informou que o Brasil entregou aos Estados Unidos uma proposta formal demonstrando interesse em estabelecer parcerias no setor. A condição apresentada, entretanto, é que o país deixe de ocupar apenas a posição de fornecedor de recursos naturais e passe a agregar valor à produção antes de exportá-la.
A intenção do governo, segundo Lula, é utilizar as reservas minerais para estimular uma cadeia industrial capaz de produzir no Brasil itens como baterias para veículos elétricos, celulares e semicondutores. Com essa estratégia, o presidente defende que uma eventual parceria com os Estados Unidos combine comércio, tecnologia e industrialização, mantendo como princípios o respeito à soberania nacional e a defesa dos interesses econômicos brasileiros.
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