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China reforça rejeição à arbitragem internacional e endurece discurso sobre disputas no Mar do Sul
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Pequim volta a contestar decisão de 2016, defende negociações diretas com países vizinhos – Foto: EPA/ WU HAO
O governo da China voltou a reafirmar sua posição sobre as disputas territoriais no Mar do Sul da China, declarando que não aceitará qualquer reivindicação fundamentada na decisão arbitral emitida em 2016. A manifestação foi feita pelo Ministério das Relações Exteriores, que reiterou o entendimento de que o processo internacional não possui validade para o país.
A declaração ocorre no momento em que se aproximam os dez anos da sentença do tribunal arbitral constituído com base na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS). Na ocasião, o tribunal decidiu favoravelmente a diversos argumentos apresentados pelas Filipinas em relação às áreas marítimas reivindicadas por Pequim.
Segundo a porta-voz da diplomacia chinesa, Mao Ning, a posição oficial do governo permanece inalterada desde o início do processo. Ela afirmou que a decisão arbitral não produz efeitos jurídicos sobre a soberania chinesa e, por isso, não será reconhecida nem utilizada como referência nas negociações envolvendo a região.
Pequim também sustenta que o procedimento internacional foi instaurado sem a autorização do governo chinês e, por essa razão, desrespeitou princípios considerados fundamentais do direito internacional. Para as autoridades chinesas, a arbitragem extrapolou os limites previstos pela própria Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
Outro argumento apresentado pelo governo chinês é que, em 2006, o país utilizou um mecanismo previsto na UNCLOS para excluir determinadas disputas, como as relacionadas à delimitação marítima, dos procedimentos obrigatórios de arbitragem internacional. Na avaliação de Pequim, essa decisão torna inválida a abertura do processo conduzido contra o país.
A diplomacia chinesa também ressaltou que China e Filipinas haviam firmado anteriormente compromissos para resolver suas divergências por meio do diálogo direto. De acordo com o governo, esse entendimento foi incorporado à Declaração sobre a Conduta das Partes no Mar do Sul da China, assinada entre a China e os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).
Além de defender sua interpretação jurídica, Pequim reafirmou que continuará protegendo o que considera seus direitos históricos, sua integridade territorial e seus interesses marítimos. O governo destacou ainda que pretende manter o diálogo com os países envolvidos, buscando soluções pacíficas para evitar o agravamento das tensões na região.
O Mar do Sul da China permanece como um dos principais focos de disputa geopolítica do mundo. Além da China, países como Filipinas, Vietnã, Malásia, Brunei e Taiwan reivindicam áreas da região, estratégica para o comércio internacional e rica em recursos naturais. Enquanto Estados Unidos e aliados defendem o cumprimento da decisão arbitral de 2016, Pequim insiste que o julgamento não possui qualquer efeito legal e afirma que continuará rejeitando iniciativas baseadas nesse entendimento.
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Empresas exportadoras terão acesso a R$ 15 bilhões após aprovação de medida contra tarifaço dos EUA
Programa prevê R$ 15 bilhões em financiamentos para fortalecer exportadores, preservar empregos e estimular investimentos em setores estratégicos da economia – Foto: Reprodução/ IA
O Senado Federal deu aval, nesta quarta-feira (8), à medida provisória que institui uma nova linha de crédito de R$ 15 bilhões destinada a empresas brasileiras afetadas pelas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e pelos reflexos econômicos da guerra no Oriente Médio. A proposta agora aguarda a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para entrar em vigor.
Os recursos fazem parte do Plano Brasil Soberano, criado pelo governo federal para oferecer suporte ao setor produtivo nacional diante das dificuldades enfrentadas no comércio exterior. A iniciativa busca reduzir os impactos provocados pelo aumento das barreiras comerciais e pela instabilidade do cenário internacional.
A nova linha de financiamento será voltada às empresas que atuam em atividades voltadas à exportação, abrangendo segmentos como indústria, agronegócio, mineração, florestas plantadas, pesca e aquicultura. A intenção é assegurar capital para manter as operações e evitar prejuízos decorrentes da redução das vendas ao mercado externo.
Além de reforçar o caixa das empresas, os financiamentos poderão ser aplicados em investimentos destinados à modernização da produção. Entre as despesas permitidas estão aquisição de máquinas, compra de equipamentos, implantação de novas tecnologias, inovação e pagamento de custos operacionais, incluindo a folha salarial.
De acordo com o governo federal, os critérios para concessão dos recursos darão preferência a empresas que atuem em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico do país, especialmente aquelas que investem em tecnologia e agregação de valor à produção nacional.
Outro fator que será levado em consideração é o nível de impacto causado pelas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos e pelas consequências da guerra no Oriente Médio sobre o comércio internacional. Os setores mais vulneráveis terão prioridade na liberação do crédito.
O Executivo afirma que a medida também busca fortalecer cadeias produtivas essenciais para a economia brasileira, contribuindo para reduzir desequilíbrios na balança comercial e ampliar a competitividade das empresas nacionais em um ambiente global cada vez mais desafiador.
Com a aprovação da medida provisória pelo Congresso, a expectativa é que o programa ajude a preservar empregos, manter investimentos e garantir a continuidade das exportações brasileiras, oferecendo maior segurança financeira às empresas enquanto persistirem as incertezas provocadas pelas tensões geopolíticas e pelo aumento do protecionismo internacional.
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