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Hugo Motta reage à decisão do STF, defende Valdemar Costa Neto e afirma que Corte tenta criminalizar a política

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Presidente da Câmara critica medida do Supremo, enquanto investigação da PF leva ao bloqueio de bens – Foto: Marina Ramos/ CdosD

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de determinar o bloqueio de R$ 119 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, provocou uma reação imediata da Câmara dos Deputados. O caso também resultou na suspensão da execução de emendas parlamentares citadas em investigação conduzida pela Polícia Federal, intensificando o debate sobre os limites da atuação dos Poderes.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), divulgou uma nota oficial criticando a decisão do ministro Flávio Dino. Segundo ele, a medida representa uma interferência em uma atribuição que cabe exclusivamente ao Parlamento, responsável por deliberar sobre a destinação das emendas previstas no Orçamento da União.

Na manifestação, Hugo Motta afirmou que a decisão judicial não apresenta elementos que demonstrem desvio de recursos públicos ou aplicação irregular das verbas. Para o parlamentar, a distribuição das emendas ocorreu dentro das normas legais e dos acordos institucionais estabelecidos entre o Congresso Nacional, o Poder Executivo e o próprio Supremo Tribunal Federal.

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O presidente da Câmara também saiu em defesa da estrutura administrativa da Casa. Segundo ele, é prática comum que parlamentares autorizem suas equipes técnicas a operacionalizar as indicações de recursos conforme orientações partidárias, procedimento que, de acordo com a nota, faz parte da rotina legislativa e não configura irregularidade.

A investigação da Polícia Federal aponta que mais de R$ 80 milhões em emendas atribuídas ao comando nacional do PL foram destinados a municípios administrados por prefeitos e vice-prefeitos ligados ao partido. Essas transferências passaram a integrar o conjunto de informações analisadas pelas autoridades no inquérito em andamento.

A defesa de Valdemar Costa Neto contestou a decisão do STF e informou ter recebido a medida com surpresa. Os advogados sustentam que não existem provas de participação consciente do dirigente partidário em qualquer esquema criminoso e classificam a decisão como uma tentativa de criminalizar a atividade político-partidária.

O caso também reacendeu o debate sobre o funcionamento das emendas parlamentares. Atualmente, deputados federais e senadores possuem o direito de apresentar emendas individuais ao Orçamento da União. Essas propostas têm execução obrigatória pelo governo federal, desde que cumpram os requisitos legais, constitucionais e técnicos previstos na legislação.

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Além das emendas individuais, existem as chamadas emendas de bancada, definidas em conjunto pelos parlamentares de cada estado. Os recursos normalmente são destinados a projetos de maior alcance regional, como hospitais, rodovias, obras de infraestrutura, saneamento básico, universidades e equipamentos públicos.

Outra modalidade são as emendas de comissão, elaboradas pelos colegiados permanentes da Câmara, do Senado e do Congresso Nacional. Diferentemente das emendas individuais e de bancada, elas não possuem execução obrigatória, ficando a cargo do Poder Executivo decidir sobre sua liberação conforme a disponibilidade orçamentária e as prioridades administrativas.

O julgamento também traz novamente ao centro das discussões o controle sobre os recursos públicos destinados por meio das emendas parlamentares. Nos últimos anos, o STF tem adotado medidas para ampliar a transparência e restringir mecanismos que permitiam a distribuição de verbas sem identificação clara dos responsáveis, como ocorreu com o chamado “orçamento secreto”, reforçando a exigência de maior publicidade e rastreabilidade na aplicação do dinheiro público.

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Governo cita risco ao Nordeste e mantém etanol fora das negociações tarifárias com os Estados Unidos

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Ministro afirma que Brasil não abrirá mão de setor estratégico nas conversas comerciais e condiciona qualquer debate sobre o tema – Foto: Reprodução/ IA

O governo federal reafirmou que o etanol permanecerá fora das negociações comerciais em curso entre Brasil e Estados Unidos, mesmo diante das discussões sobre possíveis tarifas que poderão atingir produtos brasileiros. A posição foi reforçada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, que classificou o tema como inegociável nas atuais tratativas.

Segundo o ministro, representantes técnicos dos dois países seguem mantendo reuniões para buscar alternativas que evitem novas barreiras comerciais. A expectativa do governo brasileiro é de que um novo encontro com o representante de Comércio dos Estados Unidos ocorra antes da decisão definitiva prevista para os próximos dias.

Márcio Elias Rosa explicou que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é retirar completamente o etanol da pauta das negociações. De acordo com ele, qualquer eventual discussão sobre o combustível somente faria sentido se os Estados Unidos também aceitassem rever as restrições e sobretaxas aplicadas ao açúcar exportado pelo Brasil.

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Atualmente, o Brasil cobra uma tarifa de 18% sobre o etanol importado dos Estados Unidos. Em contrapartida, o etanol brasileiro enfrenta uma tarifa básica de 2,5% no mercado norte-americano, enquanto o açúcar nacional continua sujeito a limitações e barreiras que reduzem sua competitividade naquele país.

O ministro destacou que uma eventual abertura do mercado brasileiro ao etanol produzido pelos Estados Unidos poderia provocar impactos significativos na cadeia sucroenergética nacional. Segundo ele, estados do Nordeste seriam os mais afetados, já que a atividade representa importante fonte de emprego, renda e desenvolvimento econômico na região.

De acordo com Márcio Elias Rosa, proteger o setor é uma das prioridades do governo durante as negociações com Washington. Ele afirmou que a preservação da indústria nacional e da produção agrícola continuará sendo um dos principais critérios adotados pela equipe brasileira nas conversas comerciais.

O debate sobre o tema ganhou maior repercussão após declarações do senador Flávio Bolsonaro durante compromissos realizados nos Estados Unidos. O parlamentar defendeu a adoção de um modelo de reciprocidade tarifária entre os dois países para o comércio de etanol e açúcar, incluindo a possibilidade de redução ou eliminação das tarifas.

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Sem mencionar diretamente o senador, o ministro afirmou que o momento exige foco nas negociações capazes de produzir resultados positivos para o Brasil. Ele ressaltou que o governo continuará dialogando com as autoridades norte-americanas para buscar uma solução equilibrada para o impasse comercial, mas sem abrir mão de setores considerados estratégicos para a economia brasileira.

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