Região Nordeste
Governo cita risco ao Nordeste e mantém etanol fora das negociações tarifárias com os Estados Unidos
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Ministro afirma que Brasil não abrirá mão de setor estratégico nas conversas comerciais e condiciona qualquer debate sobre o tema – Foto: Reprodução/ IA
O governo federal reafirmou que o etanol permanecerá fora das negociações comerciais em curso entre Brasil e Estados Unidos, mesmo diante das discussões sobre possíveis tarifas que poderão atingir produtos brasileiros. A posição foi reforçada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, que classificou o tema como inegociável nas atuais tratativas.
Segundo o ministro, representantes técnicos dos dois países seguem mantendo reuniões para buscar alternativas que evitem novas barreiras comerciais. A expectativa do governo brasileiro é de que um novo encontro com o representante de Comércio dos Estados Unidos ocorra antes da decisão definitiva prevista para os próximos dias.
Márcio Elias Rosa explicou que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é retirar completamente o etanol da pauta das negociações. De acordo com ele, qualquer eventual discussão sobre o combustível somente faria sentido se os Estados Unidos também aceitassem rever as restrições e sobretaxas aplicadas ao açúcar exportado pelo Brasil.
Atualmente, o Brasil cobra uma tarifa de 18% sobre o etanol importado dos Estados Unidos. Em contrapartida, o etanol brasileiro enfrenta uma tarifa básica de 2,5% no mercado norte-americano, enquanto o açúcar nacional continua sujeito a limitações e barreiras que reduzem sua competitividade naquele país.
O ministro destacou que uma eventual abertura do mercado brasileiro ao etanol produzido pelos Estados Unidos poderia provocar impactos significativos na cadeia sucroenergética nacional. Segundo ele, estados do Nordeste seriam os mais afetados, já que a atividade representa importante fonte de emprego, renda e desenvolvimento econômico na região.
De acordo com Márcio Elias Rosa, proteger o setor é uma das prioridades do governo durante as negociações com Washington. Ele afirmou que a preservação da indústria nacional e da produção agrícola continuará sendo um dos principais critérios adotados pela equipe brasileira nas conversas comerciais.
O debate sobre o tema ganhou maior repercussão após declarações do senador Flávio Bolsonaro durante compromissos realizados nos Estados Unidos. O parlamentar defendeu a adoção de um modelo de reciprocidade tarifária entre os dois países para o comércio de etanol e açúcar, incluindo a possibilidade de redução ou eliminação das tarifas.
Sem mencionar diretamente o senador, o ministro afirmou que o momento exige foco nas negociações capazes de produzir resultados positivos para o Brasil. Ele ressaltou que o governo continuará dialogando com as autoridades norte-americanas para buscar uma solução equilibrada para o impasse comercial, mas sem abrir mão de setores considerados estratégicos para a economia brasileira.
Região Nordeste
Senador Camilo Santana deve assumir liderança do PT no Senado e amplia protagonismo na articulação política
Senador cearense acumulará comando da bancada petista na Casa e coordenação da campanha de Lula no Ceará – Foto: Carlos Moura/ Agência Senado
O senador Camilo Santana (PT-CE) deverá assumir, na próxima terça-feira (7), a liderança da bancada do Partido dos Trabalhadores no Senado Federal. A definição fortalece o papel do parlamentar nas articulações políticas da legenda e amplia sua participação nas discussões estratégicas do Congresso Nacional em um período decisivo para o governo federal.
A mudança ocorre após uma reorganização interna promovida pelo PT no Senado. Com a definição de novos espaços de comando, Camilo passa a ser o responsável por conduzir a atuação dos senadores petistas nas votações, negociações e debates considerados prioritários para a sigla e para a base de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nos bastidores, o nome do senador chegou a ser cogitado para assumir a liderança do governo no Senado, em razão da boa relação que mantém com parlamentares aliados e da confiança conquistada junto ao Palácio do Planalto. No entanto, a função acabou sendo destinada à senadora Teresa Leitão (PT-PE), enquanto Camilo foi escolhido para liderar a bancada do partido.
A liderança do PT no Senado é considerada uma das funções mais estratégicas da Casa Legislativa, pois envolve a coordenação das ações da bancada, a construção de consensos internos e a articulação com outras legendas para garantir apoio às principais propostas defendidas pelo governo federal.
Mesmo com a nova missão em Brasília, Camilo Santana continuará exercendo papel de destaque no Ceará. O senador seguirá coordenando a estratégia política da campanha do presidente Lula no estado, além de atuar diretamente na organização da campanha de reeleição do governador Elmano Freitas.
O Ceará permanece como um dos estados mais importantes para o PT no cenário eleitoral nacional. Apesar da tradição de apoio ao partido, a disputa política local promete ser intensa, exigindo uma forte articulação das lideranças petistas para manter a competitividade nas eleições.
Integrantes da legenda avaliam que o acúmulo das duas responsabilidades amplia ainda mais a influência de Camilo Santana dentro do partido. A expectativa é de que ele atue tanto na condução das negociações legislativas quanto na definição de estratégias eleitorais para fortalecer o desempenho da sigla.
Com mandato de senador garantido até 2030, Camilo Santana não disputará cargo eletivo nesta eleição. Essa condição permite que concentre seus esforços na articulação política em Brasília e na coordenação das campanhas do PT no Ceará, desempenhando um papel central nas estratégias do partido para os próximos anos.
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