Região Sudeste
Domingos Brazão perde o cargo de conselheiro do TCE-RJ após condenação pelo assassinato de Marielle Franco
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Ato publicado pelo TCE-RJ cumpre decisão do Supremo e encerra vínculo funcional do ex-conselheiro – Foto: TV GloboReprodução
A permanência de Domingos Brazão no quadro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) chegou ao fim nesta quarta-feira (15). O presidente da Corte, Márcio Pacheco, assinou ato administrativo que declara a perda definitiva do cargo de conselheiro, em cumprimento à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que o condenou pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
A medida encerra uma situação que se prolongava desde a condenação, ocorrida em fevereiro deste ano. Embora o STF já tivesse determinado a perda de cargos públicos dos condenados, Brazão continuava formalmente vinculado ao TCE-RJ, já que ainda não havia sido expedido o ato administrativo necessário para efetivar seu desligamento da instituição.
Durante esse período, o ex-conselheiro permaneceu recebendo remuneração prevista em lei. Dados divulgados anteriormente apontam que, desde sua prisão preventiva, em março de 2024, ele acumulou centenas de milhares de reais em salários e benefícios funcionais. A manutenção desses pagamentos era considerada legal enquanto a perda do cargo não fosse oficialmente formalizada.
Desde o assassinato de Marielle Franco, em março de 2018, Domingos Brazão permaneceu afastado das atividades do tribunal por longos períodos, mas continuou vinculado ao órgão. Nesse intervalo, os valores recebidos por ele ultrapassaram R$ 3 milhões, incluindo vencimentos e verbas indenizatórias.
No julgamento realizado pela Primeira Turma do STF, Domingos Brazão e seu irmão, o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, foram apontados como mandantes do atentado que resultou na morte de Marielle Franco e Anderson Gomes. Ambos receberam pena de 76 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de duplo homicídio qualificado, tentativa de homicídio e participação em organização criminosa armada.
A mesma decisão também condenou outras pessoas envolvidas no caso. O ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, foi sentenciado a 18 anos de prisão por corrupção passiva e obstrução da Justiça. Já o major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira recebeu pena de 56 anos de prisão, enquanto o policial militar Robson Calixto Fonseca foi condenado a nove anos de reclusão por integrar organização criminosa.
Atualmente, Domingos Brazão está preso preventivamente em uma unidade do sistema penitenciário federal localizada em Porto Velho, em Rondônia. A investigação sobre o caso apontou a existência de uma organização responsável por planejar e executar o atentado ocorrido em março de 2018, que ganhou repercussão nacional e internacional.
Antes mesmo de ser investigado pelo caso Marielle, Brazão já havia enfrentado problemas na Justiça. Em 2017, ele foi preso durante a Operação Quinto do Ouro, desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro, que apurava um esquema de corrupção envolvendo integrantes do Tribunal de Contas. Apesar disso, conseguiu retornar ao cargo anos depois por meio de decisões judiciais favoráveis. Com a publicação do ato desta quarta-feira, seu vínculo com o TCE-RJ é oficialmente encerrado.
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Investigado por homicídio de vereador e ligação com milícias, militar reformado é capturado no Rio de Janeiro
Investigado por ligação com milícias e considerado um dos criminosos mais procurados do Espírito Santo – Foto: Reprodução
Um militar reformado da Força Aérea Brasileira (FAB), apontado pelas autoridades como integrante de uma organização criminosa e suspeito de encomendar a morte de um vereador no Espírito Santo, foi preso em Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Gilbert Wagner Antunes Lopes, de 47 anos, conhecido como “Waguinho Batman”, era considerado um dos foragidos mais procurados do estado capixaba.
A prisão foi resultado de uma ação integrada entre as Polícias Civis do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, que monitoravam os passos do investigado havia cerca de dois meses. Segundo os investigadores, ele adotava diversas estratégias para dificultar sua localização, incluindo o uso de documentos falsificados e mudanças frequentes de endereço.
As investigações apontam que Gilbert Wagner mantinha contato com integrantes de grupos paramilitares que atuam no estado do Rio de Janeiro. As autoridades afirmam que ele utilizava diferentes imóveis e se deslocava constantemente por cidades da Região Metropolitana e da Costa Verde para evitar ser encontrado pelas equipes policiais.
Dias antes da captura, os agentes chegaram a localizar o suspeito em Mangaratiba. No entanto, ele conseguiu escapar ao aproveitar a movimentação intensa de um evento público realizado na cidade. A partir desse episódio, o cerco foi reforçado até que os policiais conseguiram encontrá-lo no bairro Engenho, em Itaguaí.
De acordo com a Polícia Civil, Gilbert Wagner é investigado como mandante do assassinato do vereador Marcos Augusto Costalonga, conhecido como Marquinhos da Cooperativa, executado a tiros em maio de 2021, na zona rural de Presidente Kennedy, no Sul do Espírito Santo. O crime teria sido motivado por uma cobrança relacionada a uma dívida.
Na ocasião do atentado, o parlamentar estava em um veículo acompanhado da esposa e de um amigo quando foi interceptado por criminosos armados. Os suspeitos efetuaram diversos disparos contra o carro. O vereador morreu ainda no local, enquanto os outros ocupantes ficaram feridos e foram socorridos.
Além da acusação de homicídio, o militar reformado também responde a investigações por supostas ameaças contra autoridades públicas e por envolvimento em uma organização criminosa investigada por crimes como homicídios, roubos, tráfico de armas, fraudes e obstrução da Justiça. O apelido “Batman”, segundo as investigações, faria referência à sua suposta proximidade com antigos integrantes de milícias da Zona Oeste do Rio de Janeiro.
A prisão preventiva de Gilbert Wagner havia sido decretada pela Justiça em junho de 2024, mas ele permaneceu foragido até ser localizado nesta semana. Por ser militar reformado da FAB, a expectativa é de que ele seja encaminhado para uma unidade prisional militar, onde permanecerá à disposição da Justiça enquanto o processo criminal prossegue.
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