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Sob a presidência de Davi Alcolumbre, PEC do fim da escala 6×1 permanece sem avanço no Senado

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PEC que reduz jornada de trabalho enfrenta resistência na Casa e dificilmente será votada antes do período eleitoral – Foto: Carlos Moura/ Agência Senado

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 continua parada no Senado Federal e, até o momento, não há definição sobre quando a matéria começará a ser analisada. O texto, aprovado pela Câmara dos Deputados no fim de maio, depende de um despacho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para iniciar sua tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A proposta estabelece a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias consecutivos de descanso remunerado aos trabalhadores. Caso seja aprovada, a mudança inviabiliza o modelo em que o empregado trabalha durante seis dias seguidos para folgar apenas um, alterando significativamente as regras da legislação trabalhista.

Nos bastidores, a demora tem ampliado o desgaste entre o governo federal e a cúpula do Senado. Integrantes da base governista defendem que a proposta seja apreciada com rapidez, enquanto Alcolumbre sustenta que o Senado precisa realizar uma análise criteriosa, ouvindo representantes dos trabalhadores, do setor produtivo e especialistas antes de qualquer deliberação.

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Além das divergências políticas, parlamentares discutem a possibilidade de promover alterações no texto aprovado pelos deputados. Entre as sugestões em debate está a criação de mecanismos mais flexíveis para o cálculo da jornada de trabalho, proposta que conta com apoio de parte do setor empresarial, mas encontra resistência entre entidades sindicais e defensores da PEC original.

Mesmo que a matéria seja encaminhada à CCJ nas próximas semanas, o calendário legislativo representa mais um obstáculo. O recesso parlamentar e a proximidade das campanhas eleitorais tendem a reduzir o ritmo das votações no Congresso, especialmente de propostas constitucionais, que exigem quórum qualificado e aprovação em dois turnos.

Caso o Senado altere qualquer trecho da PEC, o texto precisará retornar à Câmara dos Deputados para uma nova votação, prolongando ainda mais o processo legislativo. Diante desse cenário, cresce a avaliação entre parlamentares de que a proposta dificilmente será concluída antes das eleições, deixando a discussão sobre o fim da escala 6×1 para uma etapa posterior do calendário político.

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Hugo Motta reage à decisão do STF, defende Valdemar Costa Neto e afirma que Corte tenta criminalizar a política

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Presidente da Câmara critica medida do Supremo, enquanto investigação da PF leva ao bloqueio de bens – Foto: Marina Ramos/ CdosD

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de determinar o bloqueio de R$ 119 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, provocou uma reação imediata da Câmara dos Deputados. O caso também resultou na suspensão da execução de emendas parlamentares citadas em investigação conduzida pela Polícia Federal, intensificando o debate sobre os limites da atuação dos Poderes.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), divulgou uma nota oficial criticando a decisão do ministro Flávio Dino. Segundo ele, a medida representa uma interferência em uma atribuição que cabe exclusivamente ao Parlamento, responsável por deliberar sobre a destinação das emendas previstas no Orçamento da União.

Na manifestação, Hugo Motta afirmou que a decisão judicial não apresenta elementos que demonstrem desvio de recursos públicos ou aplicação irregular das verbas. Para o parlamentar, a distribuição das emendas ocorreu dentro das normas legais e dos acordos institucionais estabelecidos entre o Congresso Nacional, o Poder Executivo e o próprio Supremo Tribunal Federal.

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O presidente da Câmara também saiu em defesa da estrutura administrativa da Casa. Segundo ele, é prática comum que parlamentares autorizem suas equipes técnicas a operacionalizar as indicações de recursos conforme orientações partidárias, procedimento que, de acordo com a nota, faz parte da rotina legislativa e não configura irregularidade.

A investigação da Polícia Federal aponta que mais de R$ 80 milhões em emendas atribuídas ao comando nacional do PL foram destinados a municípios administrados por prefeitos e vice-prefeitos ligados ao partido. Essas transferências passaram a integrar o conjunto de informações analisadas pelas autoridades no inquérito em andamento.

A defesa de Valdemar Costa Neto contestou a decisão do STF e informou ter recebido a medida com surpresa. Os advogados sustentam que não existem provas de participação consciente do dirigente partidário em qualquer esquema criminoso e classificam a decisão como uma tentativa de criminalizar a atividade político-partidária.

O caso também reacendeu o debate sobre o funcionamento das emendas parlamentares. Atualmente, deputados federais e senadores possuem o direito de apresentar emendas individuais ao Orçamento da União. Essas propostas têm execução obrigatória pelo governo federal, desde que cumpram os requisitos legais, constitucionais e técnicos previstos na legislação.

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Além das emendas individuais, existem as chamadas emendas de bancada, definidas em conjunto pelos parlamentares de cada estado. Os recursos normalmente são destinados a projetos de maior alcance regional, como hospitais, rodovias, obras de infraestrutura, saneamento básico, universidades e equipamentos públicos.

Outra modalidade são as emendas de comissão, elaboradas pelos colegiados permanentes da Câmara, do Senado e do Congresso Nacional. Diferentemente das emendas individuais e de bancada, elas não possuem execução obrigatória, ficando a cargo do Poder Executivo decidir sobre sua liberação conforme a disponibilidade orçamentária e as prioridades administrativas.

O julgamento também traz novamente ao centro das discussões o controle sobre os recursos públicos destinados por meio das emendas parlamentares. Nos últimos anos, o STF tem adotado medidas para ampliar a transparência e restringir mecanismos que permitiam a distribuição de verbas sem identificação clara dos responsáveis, como ocorreu com o chamado “orçamento secreto”, reforçando a exigência de maior publicidade e rastreabilidade na aplicação do dinheiro público.

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