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Rogério Correia vai ao STF e pede investigação sobre voo de Flávio Bolsonaro em avião ligado a Vorcaro

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Correia quer que PF descubra quem solicitou e custeou viagem e apure relação com negociações para financiamento do filme – Foto: Thiago Cristino/ CâdosD

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia de fato pedindo a apuração das circunstâncias de uma viagem realizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, em um jato que tinha entre seus cotistas uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O parlamentar solicita que a Polícia Federal identifique quem pediu e quem pagou pelo deslocamento.

O voo foi realizado em 19 de janeiro de 2025, entre Fort Lauderdale, na Flórida, e Brasília. Naquele período, Flávio participava de tratativas relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A aeronave, um Legacy 650 de prefixo PP-NLR, tinha uma de suas cotas pertencente à Prime You, empresa da qual Vorcaro era sócio na época.

Um dos pontos apresentados por Rogério Correia é a proximidade entre a data da viagem e o cronograma previsto para o financiamento do filme. O voo ocorreu um dia antes da data inicialmente estabelecida para uma primeira parcela de US$ 2 milhões. A coincidência temporal levou o deputado a pedir esclarecimentos sobre as condições em que o transporte foi disponibilizado e sobre a existência ou não de alguma conexão com as negociações financeiras.

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Correia também solicita que o episódio seja incorporado ao inquérito que apura questões relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”. O pedido busca esclarecer quem solicitou a aeronave, quem assumiu os custos do trecho e se a utilização do jato representou alguma vantagem relacionada às tratativas envolvendo a produção. A representação, por si só, não comprova a existência de contrapartida ou irregularidade.

O advogado e empresário Willer Tomaz, que detinha participação na estrutura societária proprietária da aeronave e viajou com Flávio Bolsonaro, também é citado no pedido. Em manifestação divulgada à imprensa, Tomaz afirmou que o trecho foi solicitado e integralmente custeado por ele, com débito das horas correspondentes à sua cota. Segundo o advogado, Vorcaro não pagou, autorizou ou participou do voo, e Flávio viajou como seu convidado.

O Legacy 650 também ganhou repercussão por ter sido utilizado meses depois pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Reportagens apontam que Moraes desembarcou da mesma aeronave em agosto de 2025. Agora, caberá às autoridades avaliar o pedido apresentado por Rogério Correia e decidir se as circunstâncias da viagem de Flávio Bolsonaro serão formalmente aprofundadas dentro das investigações já existentes.

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CNJ mira desembargador Newton Ramos após Polícia Federal encontrar mensagens ligadas a Vorcaro e à “Turma do KN”

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Ação determinada pelo corregedor nacional de Justiça ocorre após investigação encontrar referências ao magistrado – Foto: Antonio Augusto/ TSE

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) realizou nesta quinta-feira (24) uma operação envolvendo o desembargador Newton Ramos, integrante do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A medida foi determinada pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, e ocorre no contexto das apurações relacionadas ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O nome de Ramos aparece em mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro.

Newton Ramos passou a integrar o TRF-1 como desembargador em 2023 e possui uma relação profissional antiga com o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Antes de chegar ao atual cargo, Ramos trabalhou como juiz auxiliar de Nunes Marques quando o ministro ainda atuava no TRF-1. Nas mensagens analisadas pelos investigadores, Newton e sua esposa, a advogada Camilla Ramos, são associados por interlocutores à expressão “Turma do KN”, referência atribuída às iniciais de Kassio Nunes Marques.

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Parte das conversas recuperadas pela PF envolve pedidos de hospedagens e acesso a eventos. Em um dos episódios divulgados pela imprensa, uma mensagem atribuída a Newton Ramos trata da tentativa de conseguir uma diária com condição especial no hotel Fasano para Nunes Marques. Ao receber a solicitação por meio de uma assessora, Vorcaro teria autorizado que a despesa fosse colocada em sua conta. Outras mensagens divulgadas mencionam hospedagens e ingressos para eventos.

Outro ponto que passou a integrar a repercussão do caso é a relação comercial entre o Banco Master e o escritório de advocacia do qual Camilla Ramos é sócia. Documentos e mensagens revelados durante as apurações apontam para um contrato envolvendo 12 processos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro. O acordo estabelecia honorários de êxito equivalentes a 5% dos valores eventualmente recebidos pelo banco.

Como os créditos discutidos nas ações chegavam a aproximadamente R$ 8,5 bilhões, a remuneração do escritório poderia alcançar cerca de R$ 427 milhões caso houvesse resultado favorável nos processos. O montante, porém, correspondia a uma previsão vinculada ao êxito das ações e não significa, por si só, que os R$ 427 milhões tenham sido efetivamente pagos.

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Diante da divulgação das mensagens envolvendo seu nome, Kassio Nunes Marques negou ter mantido contato com Daniel Vorcaro ou autorizado terceiros a falar em seu nome. O ministro também declarou, em manifestações divulgadas pela imprensa, que não atuou para beneficiar o ex-controlador do Banco Master. A operação desta quinta-feira amplia a apuração sobre as relações reveladas pelas mensagens e sobre os processos relacionados aos precatórios, sem que a existência das conversas, isoladamente, represente conclusão sobre eventual responsabilidade dos citados.

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