Região Centro-oeste
CNJ mira desembargador Newton Ramos após Polícia Federal encontrar mensagens ligadas a Vorcaro e à “Turma do KN”
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Ação determinada pelo corregedor nacional de Justiça ocorre após investigação encontrar referências ao magistrado – Foto: Antonio Augusto/ TSE
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) realizou nesta quinta-feira (24) uma operação envolvendo o desembargador Newton Ramos, integrante do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A medida foi determinada pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, e ocorre no contexto das apurações relacionadas ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O nome de Ramos aparece em mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro.
Newton Ramos passou a integrar o TRF-1 como desembargador em 2023 e possui uma relação profissional antiga com o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Antes de chegar ao atual cargo, Ramos trabalhou como juiz auxiliar de Nunes Marques quando o ministro ainda atuava no TRF-1. Nas mensagens analisadas pelos investigadores, Newton e sua esposa, a advogada Camilla Ramos, são associados por interlocutores à expressão “Turma do KN”, referência atribuída às iniciais de Kassio Nunes Marques.
Parte das conversas recuperadas pela PF envolve pedidos de hospedagens e acesso a eventos. Em um dos episódios divulgados pela imprensa, uma mensagem atribuída a Newton Ramos trata da tentativa de conseguir uma diária com condição especial no hotel Fasano para Nunes Marques. Ao receber a solicitação por meio de uma assessora, Vorcaro teria autorizado que a despesa fosse colocada em sua conta. Outras mensagens divulgadas mencionam hospedagens e ingressos para eventos.
Outro ponto que passou a integrar a repercussão do caso é a relação comercial entre o Banco Master e o escritório de advocacia do qual Camilla Ramos é sócia. Documentos e mensagens revelados durante as apurações apontam para um contrato envolvendo 12 processos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro. O acordo estabelecia honorários de êxito equivalentes a 5% dos valores eventualmente recebidos pelo banco.
Como os créditos discutidos nas ações chegavam a aproximadamente R$ 8,5 bilhões, a remuneração do escritório poderia alcançar cerca de R$ 427 milhões caso houvesse resultado favorável nos processos. O montante, porém, correspondia a uma previsão vinculada ao êxito das ações e não significa, por si só, que os R$ 427 milhões tenham sido efetivamente pagos.
Diante da divulgação das mensagens envolvendo seu nome, Kassio Nunes Marques negou ter mantido contato com Daniel Vorcaro ou autorizado terceiros a falar em seu nome. O ministro também declarou, em manifestações divulgadas pela imprensa, que não atuou para beneficiar o ex-controlador do Banco Master. A operação desta quinta-feira amplia a apuração sobre as relações reveladas pelas mensagens e sobre os processos relacionados aos precatórios, sem que a existência das conversas, isoladamente, represente conclusão sobre eventual responsabilidade dos citados.
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Presidente da Câmara anuncia dossiê sobre dívidas da Prefeitura de Várzea Grande e cobra explicações sobre R$ 12,7 milhões
Wanderley Cerqueira diz que fornecedores poderão apresentar contratos e notas fiscais – Foto: Câmara Municipal de Várzea Grande
O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), anunciou que pretende reunir documentos de empresários e prestadores de serviços que afirmam ter pagamentos atrasados junto à Prefeitura. A partir de segunda-feira (28), segundo o parlamentar, fornecedores poderão procurar o Legislativo para apresentar contratos, notas fiscais e outros comprovantes. O material deverá integrar um dossiê que, conforme anunciado, será encaminhado ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT).
A medida foi anunciada durante pronunciamento no plenário da Câmara, na terça-feira (22). Wanderley afirmou que empresas de diferentes setores têm procurado vereadores para relatar dificuldades no recebimento por serviços prestados ao Município. O presidente quer reunir essas reclamações de forma documental para que os valores, contratos e eventuais atrasos possam ser analisados pelos órgãos competentes.
Entre os assuntos levantados pelo vereador está a reforma do Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande. Wanderley citou aproximadamente R$ 12,7 milhões provenientes do Governo do Estado e questionou a situação da aplicação desses recursos, afirmando que intervenções previstas na unidade, incluindo serviços no telhado, ainda não teriam sido concluídas. A cobrança, entretanto, não representa comprovação de desvio ou irregularidade, o que dependeria da análise de contratos, empenhos, pagamentos, medições, aditivos e saldo dos recursos.
Wanderley também afirmou que os problemas atingiriam prestadores ligados à Saúde. Entre os serviços mencionados por ele estão hemodiálise, procedimentos do Fila Zero, fornecimento de oxigênio, tomografia, alimentação e atendimentos hospitalares. Segundo o presidente da Câmara, algumas empresas estariam esperando há oito ou nove meses para receber. Os valores e períodos citados pelo parlamentar ainda precisam ser confrontados com a documentação financeira e contratual da Prefeitura.
Outro ponto mencionado foi o Hospital Santa Rita, que presta serviços médicos ao Município. Registros oficiais apontam relação contratual da unidade com a rede municipal, inclusive para realização de procedimentos cirúrgicos. A Secretaria Municipal de Saúde informou anteriormente que, entre 23 e 31 de agosto, foram realizadas 195 cirurgias oftalmológicas na unidade parceira, sendo 145 de catarata e 50 de pterígio. Diante das declarações sobre possíveis dificuldades posteriores, caberá à administração municipal esclarecer a situação atual dos contratos e pagamentos.
Com a criação do dossiê, a Câmara pretende reunir elementos como contratos, empenhos, notas fiscais, liquidações, ordens de pagamento e comprovantes da execução dos serviços. Essa documentação poderá ajudar a identificar quais obrigações estão efetivamente vencidas, os valores envolvidos e há quanto tempo permanecem pendentes. A existência de uma cobrança ou nota fiscal, isoladamente, não determina irregularidade, já que também precisam ser verificadas a prestação e o atesto do serviço, a liquidação da despesa e a ordem cronológica dos pagamentos.
Caso o material seja protocolado, caberá ao TCE-MT avaliar os documentos e decidir se existem elementos que justifiquem medidas de fiscalização dentro de suas atribuições. A Prefeitura de Várzea Grande e a Secretaria Municipal de Saúde também deverão esclarecer a destinação dos R$ 12,7 milhões citados pelo presidente da Câmara, a situação dos fornecedores e os pagamentos relacionados aos serviços de Saúde mencionados.
O Portal 3 de Julho Notícias mantém espaço aberto para manifestação da Prefeitura, da Secretaria de Saúde e dos demais envolvidos.
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