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Lula abre Assembleia Geral da ONU em Nova York e leva ao mundo defesa da soberania, do diálogo e da reforma do Conselho de Segurança
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Presidente brasileiro será o primeiro chefe de Estado a discursar na 81ª Assembleia Geral, em Nova York – Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o primeiro chefe de Estado a ocupar a tribuna no Debate Geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), em Nova York. Em sua 11ª participação no encontro como presidente da República, Lula deverá concentrar o pronunciamento na defesa do multilateralismo, da soberania dos países e do fortalecimento da diplomacia como caminho para enfrentar conflitos e crises internacionais. O debate de alto nível ocorre entre 22 e 28 de setembro.
A abertura dos discursos pelo Brasil segue uma tradição consolidada na ONU desde 1955. Logo depois da manifestação brasileira, será a vez dos Estados Unidos, país anfitrião, atualmente representado pelo presidente Donald Trump. A sequência coloca os dois presidentes entre os principais nomes do primeiro dia do encontro, que reúne representantes dos 193 Estados-membros das Nações Unidas.
Entre os assuntos que devem ganhar espaço na posição brasileira está a reforma das instituições multilaterais, especialmente do Conselho de Segurança. O Brasil defende há anos mudanças na composição do órgão e busca ampliar a representação de países em desenvolvimento nas decisões sobre paz e segurança internacional. A defesa do diálogo e das negociações diplomáticas também deverá aparecer como uma das linhas da participação brasileira em Nova York.
O encontro ocorre em um cenário internacional marcado por guerras, disputas geopolíticas e questionamentos sobre a capacidade das instituições multilaterais de responder às grandes crises. O tema oficial escolhido para o Debate Geral de 2026 é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. A ONU prevê discussões envolvendo paz, segurança, desenvolvimento sustentável, clima e outros desafios globais.
Além do pronunciamento presidencial, a presença brasileira em Nova York inclui articulações diplomáticas e participação em encontros paralelos. A agenda informada para Lula prevê reunião com o secretário-geral da ONU, António Guterres, além de outros compromissos durante sua passagem pelos Estados Unidos. A delegação brasileira também pretende aproveitar a semana de alto nível para reforçar pautas relacionadas ao combate à fome e à pobreza e à cooperação internacional.
A participação de Lula ocorre no momento em que o Brasil tenta ampliar sua presença nos debates sobre mudanças na governança internacional. Com o país novamente responsável por abrir a sequência de pronunciamentos dos chefes de Estado, o Palácio do Planalto pretende utilizar a principal tribuna diplomática mundial para apresentar as posições brasileiras sobre soberania, conflitos e reforma das Nações Unidas, além de defender maior participação dos países do Sul Global nas decisões internacionais.
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Campanha de Lula aciona TSE contra suposta rede de desinformação do PL e Flávio Bolsonaro e denuncia uso de inteligência artificial
Coligação Brasil Pronto Pra Mais questiona uso de inteligência artificial, vídeos editados e conteúdos que considera falsos ou descontextualizados – Foto: Ricardo Stuckert/ I Waldemir Barreto/AS
A disputa presidencial de 2026 ganhou mais um capítulo nos tribunais. A coligação Brasil Pronto Pra Mais, que sustenta a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) 20 pedidos de direito de resposta contra o PL e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). As ações questionam publicações divulgadas no Instagram que, segundo a campanha de Lula, contêm informações falsas, montagens ou conteúdos apresentados fora de contexto.
Entre os pontos levados à Justiça Eleitoral está o suposto emprego irregular de inteligência artificial na produção de peças contra Lula. De acordo com os advogados da coligação, vídeos e animações teriam sido produzidos para relacionar o presidente a práticas criminosas e casos de corrupção. A representação sustenta ainda que parte desse material não teria apresentado a identificação exigida pelas regras eleitorais para conteúdos produzidos ou modificados com recursos de IA.
Outro grupo de publicações contestado pela campanha envolve trechos de entrevistas e pronunciamentos do presidente. A coligação afirma que gravações originais teriam recebido cortes, repetições e edições capazes de alterar o contexto das declarações. Segundo a argumentação apresentada ao TSE, algumas peças buscariam transmitir ao eleitor a interpretação de que Lula estaria tratando com deboche temas como inflação e aumento dos preços dos alimentos — interpretação que a defesa do presidente contesta.
As ações também questionam publicações que associariam Lula a investigações ou episódios envolvendo outras pessoas. A defesa argumenta que materiais antigos, inclusive referências ao período da Operação Lava Jato, teriam sido reutilizados sem informar adequadamente a situação jurídica posterior dos processos. As condenações de Lula nos casos da Lava Jato foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, fato que já foi objeto de disputas eleitorais anteriores envolvendo publicações sobre o petista.
Com os processos, a coligação Lula-Alckmin busca decisões liminares para retirar do Instagram as publicações questionadas enquanto os casos são analisados. No julgamento do mérito, os advogados querem que o TSE reconheça o direito de resposta e autorize a divulgação de esclarecimentos nos mesmos ambientes digitais utilizados para as postagens contestadas. A legislação eleitoral prevê direito de resposta para candidato, partido ou coligação atingido por afirmação considerada caluniosa, difamatória, injuriosa ou sabidamente inverídica, cabendo à Justiça Eleitoral analisar cada caso.
A judicialização ocorre em meio ao confronto eleitoral entre as duas campanhas. Lula e Flávio Bolsonaro já recorreram ao TSE em outras ocasiões durante a campanha de 2026, questionando propagandas e declarações um do outro. Em processos recentes, há pedidos apresentados tanto pela coligação de Lula contra Flávio e o PL quanto pelo candidato do PL contra Lula e sua coligação, mostrando que a disputa pela narrativa eleitoral também avançou para o campo jurídico.
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