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Lula critica atuação de André Mendonça, pede abertura das informações e diz que suspeitas no Supremo precisam ser investigadas
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Presidente critica condução de sigilos por André Mendonça, defende esclarecimento das suspeitas envolvendo ministros – Foto: Ricado Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou nesta terça-feira (15) no debate provocado pelo caso Master e defendeu ampla apuração das suspeitas que atingem integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao Jornal da Record, Lula criticou a forma como o ministro André Mendonça conduziu informações mantidas sob sigilo e afirmou que os fatos precisam ser esclarecidos independentemente de quem esteja envolvido.
Segundo Lula, a divulgação dos documentos pode ajudar a sociedade a compreender o que efetivamente ocorreu e separar fatos de acusações. O presidente afirmou que informações anteriormente mantidas sob sigilo por Mendonça agora poderão ser conhecidas e defendeu que o conteúdo necessário ao esclarecimento do episódio seja colocado à disposição das autoridades responsáveis e, quando juridicamente possível, da sociedade.
O presidente também direcionou sua manifestação ao presidente do Supremo, Edson Fachin, que passou a centralizar procedimentos relacionados ao caso. Para Lula, Fachin tem a responsabilidade de buscar esclarecimentos sobre a atuação dos integrantes da Corte mencionados nas apurações. O petista sustentou que eventuais irregularidades precisam ser investigadas e, caso sejam comprovadas, submetidas ao devido julgamento.
Lula afirmou ainda que ocupar uma cadeira no STF não pode representar proteção contra investigações. Na avaliação apresentada pelo presidente durante a entrevista, suspeitas e acusações devem ser examinadas sem distinção entre autoridades. Ele também defendeu que sejam esclarecidas eventuais relações irregulares de agentes públicos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
A crise ganhou força no início de setembro, depois que André Mendonça retirou o sigilo de relatório da Polícia Federal contendo mensagens atribuídas a Vorcaro nas quais Alexandre de Moraes é mencionado. O material foi encaminhado ao plenário para análise sobre uma possível investigação. Moraes nega irregularidades e, durante a controvérsia, questionou a legalidade de medidas adotadas na condução do caso.
Nos dias seguintes, Fachin adotou medidas para concentrar na Presidência do STF procedimentos relacionados a ministros da Corte e determinou maior publicidade de documentos, ressalvadas informações cuja exposição pudesse prejudicar investigações ou violar sigilos legalmente protegidos. Mendonça, por sua vez, afirmou ter disponibilizado os procedimentos pertinentes, preservando dados pessoais, bancários e fiscais e diligências ainda em andamento.
A disputa chegou ao plenário nesta terça-feira, quando os ministros deveriam avançar na análise sobre uma eventual investigação envolvendo Moraes. Antes do mérito, porém, o Supremo passou a discutir uma questão de ordem sobre a possibilidade de reunir esse procedimento ao caso relacionado à atuação de Mendonça. O placar provisório ficou em 4 votos a 3 pela manutenção das análises separadas, até que Flávio Dino pediu vista e interrompeu o julgamento.
Com a suspensão, o STF não decidiu sobre a abertura de investigação contra Moraes nem concluiu definitivamente a controvérsia sobre a tramitação conjunta dos procedimentos. Em meio ao impasse, Lula defendeu que a Suprema Corte preserve a transparência e submeta eventuais condutas irregulares à apuração. Para o presidente, a posição institucional dos ministros não deve afastar investigações quando existirem elementos que justifiquem esclarecimentos.
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Alvo da Polícia Federal, Cezinha de Madureira intermediou reunião reservada entre Daniel Vorcaro e ministro André Mendonça em São Paulo
Deputado do PL de São Paulo é alvo de buscas autorizadas pelo ministro Flávio Dino – Gustavo Moreno/ STF | Bruno Spada/ CdosD
A Polícia Federal avançou nesta segunda-feira (14) sobre uma investigação que envolve o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). O parlamentar está entre os alvos da terceira fase da Operação Transparência, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ofensiva busca esclarecer suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Quatro mandados de busca e apreensão são cumpridos no Distrito Federal e em São Paulo.
De acordo com a Polícia Federal, a nova etapa surgiu a partir de apurações abertas em dezembro de 2025 sobre possíveis irregularidades relacionadas à destinação de emendas parlamentares. Durante o aprofundamento das investigações, teriam surgido indícios de negociações envolvendo pagamentos de valores elevados em troca da promessa de influência para obtenção de resultados favoráveis em processos. A própria PF ressalta, porém, que não foram identificados até agora elementos que indiquem participação de magistrados ou de outros integrantes do Poder Judiciário no suposto esquema.
O nome de Cezinha de Madureira também ganhou destaque por sua proximidade com o ministro André Mendonça, do STF. O deputado, liderança ligada à Assembleia de Deus Ministério de Madureira e integrante influente da bancada evangélica, teria atuado como intermediário para aproximar Mendonça do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Registros extraídos do aparelho celular de Vorcaro indicariam que o parlamentar participou da organização de um encontro realizado em São Paulo em março de 2025.
Entre os registros citados estão mensagens atribuídas ao deputado nas quais são combinados horário e endereço da reunião. O encontro teria ocorrido em 14 de março de 2025, na Alameda Santos, em São Paulo. As conversas também indicariam que Cezinha informou Vorcaro sobre a presença do ministro no local. Dados relativos ao deslocamento do banqueiro e mensagens trocadas com seu motorista são apontados como elementos que reforçam a cronologia da reunião.
O cruzamento dos horários das mensagens indica que Vorcaro chegou ao endereço no fim da tarde e deixou o local aproximadamente duas horas depois. O imóvel indicado nas conversas abriga o Instituto ITER, instituição de ensino fundada por André Mendonça em 2023. O encontro não teria ocorrido em dependências oficiais do STF, do Congresso Nacional ou do Banco Master, circunstância que passou a integrar os questionamentos em torno do episódio.
Apesar das informações sobre a intermediação de Cezinha e da existência do encontro, o material descrito até agora não demonstra que André Mendonça tenha recebido pedido de vantagem ilícita, interferido no Banco Central ou adotado decisão judicial para beneficiar o Banco Master. A investigação deverá buscar esclarecer o alcance da atuação dos envolvidos e se as suspeitas identificadas pela Polícia Federal resultaram efetivamente em alguma vantagem indevida. Os investigados têm direito à presunção de inocência, e eventuais responsabilidades dependerão do avanço das apurações e das decisões da Justiça.
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