Região Centro-oeste
Visitas frequentes de advogada ligada a Nunes Marques a Vorcaro na prisão geram questionamentos
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Camilla Ramos afirma que encontros tratam de processos envolvendo precatórios – Foto: Rosinei Coutinho/STF
As frequentes visitas da advogada Camilla Ramos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro na prisão passaram a despertar questionamentos entre profissionais que acompanham sua defesa. Camilla atuou para o Banco Master em processos envolvendo precatórios e seu escritório firmou contrato que previa honorários de até R$ 427 milhões em caso de êxito nas ações. O acordo correspondia a 5% dos valores que poderiam ser obtidos em 12 processos, cujos créditos eram estimados em aproximadamente R$ 8,5 bilhões.
O nome da advogada também aparece no material extraído do celular de Vorcaro e analisado pela Polícia Federal. Nas mensagens divulgadas pela imprensa, Camilla e o marido, o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), são relacionados à expressão “Turma do KN”. Reportagens apontam a sigla como referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal. O ministro nega ter solicitado benefícios a Vorcaro ou autorizado qualquer pessoa a falar em seu nome.
O que tem provocado dúvidas entre integrantes da defesa de Vorcaro é a natureza das visitas. Segundo três advogados ouvidos pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Camilla não atua na defesa criminal do ex-banqueiro. Vorcaro possui mais de 20 advogados autorizados a visitá-lo, entre criminalistas e profissionais envolvidos em questões relacionadas ao Banco Master. Nos encontros de Camilla, entretanto, outros defensores deixariam o ambiente para que a conversa ocorra reservadamente.
A advogada sustenta que os encontros têm finalidade profissional e estão relacionados às ações envolvendo os precatórios adquiridos pelo Banco Master. Sua defesa afirma que ela está regularmente habilitada em cerca de 20 processos e que nenhum deles tramita no STF. Outros advogados ouvidos pela reportagem questionam, porém, por que essas atualizações seriam repassadas diretamente a Vorcaro depois da liquidação do banco, argumentando que questões relativas aos ativos e passivos da instituição também envolvem a atuação do liquidante.
O episódio ganha repercussão adicional porque mensagens recuperadas do celular de Vorcaro também registram tratativas envolvendo Newton Ramos, hospedagens e acesso a eventos. Separadamente, Nunes Marques confirmou ter viajado, acompanhado da esposa, em novembro de 2025, para participar da festa de aniversário de Camilla Ramos em Maceió. O deslocamento ocorreu em aeronave administrada por empresa ligada a Vorcaro; segundo o ministro e a advogada, os custos da viagem foram pagos por Camilla.
Em manifestação pública, a defesa de Camilla Ramos rejeita qualquer irregularidade e sustenta que tanto os contratos quanto sua atuação profissional obedeceram às regras legais e processuais. Até o momento, as informações divulgadas sobre as visitas e as mensagens mostram relações profissionais e pessoais que passaram a ser escrutinadas no contexto do caso Master, mas não estabelecem, por si só, prática ilícita por Camilla, Newton Ramos ou Nunes Marques. O conteúdo e a finalidade dos encontros reservados entre a advogada e Vorcaro continuam sendo objeto de questionamentos relatados por integrantes da própria defesa do ex-banqueiro. As informações e da colunista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.
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Vídeo mostra Moraes desembarcando de jatinho ligado a Vorcaro após ministro negar viagem em aeronave
Imagens registradas no Santos Dumont mostram ministro e esposa deixando aeronave PP-NLR – Alejandro Zambrana/ STF
Um vídeo gravado em 22 de agosto de 2025 e divulgado neste domingo (20) pelo jornal O Globo trouxe um novo elemento para a controvérsia envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e empresas relacionadas ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. As imagens mostram o casal desembarcando no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, de um jato executivo Legacy 650, de matrícula PP-NLR, então ligado à estrutura empresarial de Vorcaro.
O registro ganhou repercussão porque, meses antes, o gabinete de Moraes havia contestado reportagens sobre deslocamentos do ministro em aeronaves relacionadas ao empresário. Em nota divulgada em março de 2026, o gabinete afirmou que Moraes “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro” e classificou as informações publicadas na ocasião como falsas. Reportagens anteriores apontavam ao menos oito deslocamentos em 2025 envolvendo aeronaves de empresas ligadas a Vorcaro ou a pessoas de seu círculo.
A aeronave que aparece no novo vídeo, de prefixo PP-NLR, era operada pela Prime Aviation. Segundo as reportagens publicadas após a divulgação das imagens, o avião estava relacionado a uma empresa vinculada a Vorcaro. Naquele mesmo dia, Moraes participou do 24º Fórum Empresarial do Lide, realizado no Rio de Janeiro. O vídeo do desembarque passou, assim, a integrar o conjunto de informações públicas sobre os deslocamentos realizados pelo ministro e por Viviane durante 2025.
Após a divulgação das imagens, o escritório Barci de Moraes confirmou que contrata serviços de táxi aéreo e informou que a Prime Aviation esteve entre as empresas utilizadas. A banca sustentou que a contratação ocorre de acordo com critérios operacionais e que a definição da aeronave empregada em cada viagem cabe à própria companhia aérea. O escritório também afirmou que Alexandre de Moraes acompanhou Viviane em algumas viagens, mas declarou que Daniel Vorcaro não esteve presente nos voos.
O caso também envolve mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro e posteriormente divulgadas pela imprensa. Em uma conversa de julho de 2025, o empresário questionou Marcos Matta, responsável pela empresa que administrava o uso das aeronaves, sobre se “eles” estavam utilizando os equipamentos. Matta respondeu que aviões e helicópteros já haviam sido usados. Outra troca de mensagens mencionada nas reportagens faz referência ao atendimento relacionado ao escritório Barci de Moraes.
O escritório de Viviane Barci nega possuir contrato de serviços advocatícios com a Prime Aviation e também afirma não ter adquirido cotas da companhia. A banca sustenta ainda que a utilização das aeronaves ocorreu por meio da contratação de táxi aéreo, sem vínculo pessoal com seus proprietários. Com a divulgação do vídeo, o debate passa a envolver não apenas registros documentais e mensagens investigadas pela PF, mas também imagens do desembarque do casal. As circunstâncias comerciais e contratuais envolvendo os deslocamentos continuam sendo objeto das reportagens e das apurações relacionadas ao caso Banco Master.
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