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André Kamai escancara contradições de Tião Bocalom na tribuna e cobra postura do MP diante de tamanha omição

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Em pronunciamento na tribuna da Câmara Municipal nesta terça-feira (22), o vereador André Kamai (PT) teceu duras críticas à atuação do ex-prefeito e candidato ao governo Tião Bocalom durante o recente debate eleitoral. Para Kamai, Bocalom insistiu em pintar uma realidade paralela sobre a capital acreana e tentou se esquivar de responsabilidades graves de sua administração.

Irônico, o parlamentar abriu a sua fala relatando o quadro apresentado pelo ex-gestor para a cidade é irreal. “Eu tenho um sonho de passar férias nessa Rio Branco que o Bocalom desenha. Ô cidade perfeita, meu amigo, não tem um problema! Ele teve muita dificuldade de falar da capital; toda vez que ia dar um exemplo, falava de Acrelândia. O cara acabou de sair da Prefeitura de Rio Branco e, talvez lá no íntimo, saiba a tragédia que foi a gestão dele para essa cidade”, alfinetou Kamai.

O ponto central da cobrança, contudo, voltou-se à postura do ex-prefeito ao ser confrontado sobre o escândalo do “Aedes do Bem” — caso envolvendo a compra de ovos de mosquito geneticamente modificados. No debate de ontem, Bocalom alegou que ele próprio teria denunciado o secretário de saúde da sua gestão para desvincular seu nome do episódio.

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Kamai desmentiu a versão do candidato e relembrou a atuação da oposição para investigar o caso. “Primeiro, é uma mentira. Em janeiro de 2025, eu fui ao Ministério Público e fiz aquela denúncia. Na sequência, o vereador Eber foi até a imprensa. O prefeito impediu e orientou a sua base para que não aprovasse os requerimentos e a CPI que pedimos nesta Casa”, rebateu o vereador.

Ao comentar a declaração em que Bocalom disse ter empurrado a responsabilidade ao subordinado para “não sujar o próprio CPF”, Kamai cobrou providências imediatas dos órgãos de fiscalização e do Judiciário diante do que classificou como uma confissão pública de irregularidades.

“Eu quero saber agora se, com a denúncia do prefeito, o Ministério Público continuará omisso. Queremos saber se, depois do prefeito confessar que na gestão dele se desviou R$ 4,5 milhões com ovo de carapanã, o MP atuará ou não frente a essa confissão de que houve malversação de dinheiro público”, cobrou categoricamente o parlamentar da tribuna.

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Dinheiro vivo, armas e suspeita de vazamento: operações da PF apreendem cerca de R$ 1 milhão no Acre

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Ptolomeu IV e Umbra avançam sobre suspeitas envolvendo contratos públicos e possível esquema criado para obter informações antecipadas sobre ações da PF

Maços de dinheiro encontrados durante buscas realizadas pela Polícia Federal chamaram atenção nesta terça-feira (22), durante uma nova ofensiva das investigações que apuram possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos no Acre. A estimativa inicial é de que cerca de R$ 1 milhão em espécie tenha sido apreendido nas operações Ptolomeu IV e Umbra. As ações também terminaram com três pessoas presas em flagrante por posse ilegal de armas de fogo.

A nova etapa das investigações levou policiais a diferentes pontos do país. Foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, além das cidades de Maringá, no Paraná, e Navegantes, em Santa Catarina. As medidas judiciais foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), responsável pela tramitação das investigações.

No caso da Operação Ptolomeu IV, uma das frentes está direcionada aos contratos relacionados à construção da nova sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMAC). Auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU) identificou indícios de um possível superfaturamento estimado em R$ 1,2 milhão. A suspeita é de que determinados serviços tenham sido registrados como executados e pagos, embora não tivessem sido realizados integralmente.

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O caminho percorrido pelo dinheiro público também passou a fazer parte das apurações. Conforme os investigadores, existem indícios de utilização de recursos provenientes dos contratos para despesas particulares e possível pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Saques em dinheiro e outras movimentações financeiras consideradas atípicas também estão sob análise das autoridades.

Os investigadores ainda concentram atenção em uma segunda empresa que posteriormente assumiu serviços para a conclusão da obra do IMAC. A Polícia Federal apura possíveis relações entre pessoas vinculadas a essa empresa e grupos empresariais que já apareceram em fases anteriores da Operação Ptolomeu. Documentos, equipamentos e demais materiais recolhidos nas buscas deverão auxiliar no aprofundamento dessa linha investigativa.

Enquanto a Ptolomeu IV acompanha contratos e movimentações financeiras, a Operação Umbra mira outra suspeita considerada relevante pela investigação: a possível montagem de uma estrutura destinada a descobrir antecipadamente os passos da Polícia Federal. O grupo teria buscado informações sobre operações, deslocamentos de agentes e movimentação de viaturas. Entre os investigados estão um ex-servidor terceirizado e um agente da PF, suspeitos de participação no repasse indevido de informações.

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Além das buscas, prisões em flagrante e apreensão do dinheiro, a Justiça autorizou o sequestro de bens e valores para garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos. Também foram determinadas medidas como afastamento de função pública, proibição de contato entre investigados e restrições para deixar a comarca de residência e o país. Dependendo do que for comprovado e da participação atribuída a cada investigado, poderão ser apurados crimes como organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação. As suspeitas ainda estão sob investigação e os envolvidos têm direito à defesa.

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