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Polícia Federal encontra foto de Paulo Gonet com Daniel Vorcaro em confraternização com charuto e uísque em Londres

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Imagem localizada no celular do ex-controlador do Banco Master mostra procurador-geral ao lado do banqueiro – Foto: Assesssoria

Uma fotografia recuperada pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, colocou novamente o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no centro das revelações envolvendo o caso Master. O registro mostra Gonet e Vorcaro durante uma confraternização realizada em Londres, em abril de 2024. Na ocasião, o chefe da PGR aparece com um charuto, enquanto bebidas estão sobre a mesa. A autenticidade da fotografia foi confirmada pela Procuradoria-Geral da República.

O registro apareceu no material extraído do aparelho de Vorcaro durante as investigações. Segundo as informações divulgadas, em junho de 2025 o advogado Ciro Soares encaminhou a fotografia ao então banqueiro. As mensagens recuperadas pela PF passaram a integrar o conjunto de documentos que vem expondo contatos de pessoas ligadas ao Banco Master com integrantes de diferentes instituições públicas.

Paulo Gonet reconhece que esteve no mesmo evento que Vorcaro, mas rejeita a interpretação de que a fotografia seja prova de uma relação pessoal próxima. O procurador-geral afirma que o encontro ocorreu em Londres, na presença de outras pessoas, e sustenta não manter amizade com o ex-controlador do Master. Segundo sua versão, o contato entre ambos foi breve e não envolveu assuntos profissionais relacionados às investigações.

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Além da fotografia, conversas recuperadas do celular de Vorcaro apresentam outras referências a Gonet. Parte delas envolve Ciro Soares, que aparece nas mensagens como intermediário de contatos. As atribuições feitas nessas conversas precisam ser analisadas com cautela: o fato de Soares atribuir determinada mensagem ou manifestação ao procurador-geral não comprova, isoladamente, que o conteúdo tenha partido diretamente de Gonet.

O material relacionado ao Banco Master também desencadeou uma disputa jurídica dentro do Supremo Tribunal Federal. Gonet pediu a anulação do relatório produzido pela Polícia Federal e argumentou que houve avanço investigativo sobre integrante da Corte sem a observância do procedimento que considera adequado. André Mendonça, por sua vez, defendeu a regularidade das providências adotadas. O tema chegou ao plenário do STF e a análise acabou interrompida após pedido de vista do ministro Flávio Dino.

A fotografia acrescenta um registro visual às informações que já constavam do material investigativo: Gonet e Vorcaro estiveram no mesmo ambiente durante o evento em Londres. A imagem, entretanto, não comprova por si só amizade, favorecimento ou prática de irregularidade por parte do procurador-geral. A apuração sobre as relações e contatos envolvendo pessoas ligadas ao Banco Master continua sendo objeto de análise, enquanto Gonet mantém a posição de que não possuía relação de proximidade ou interesse pessoal envolvendo Vorcaro.

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Lula estuda comprar dívidas antigas de milhões de brasileiros com descontos de até 97% e avalia possibilidade de cancelar débitos das famílias

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Proposta em análise pela equipe econômica prevê aquisição de dívidas antigas, principalmente do período da pandemia – Foto: Ricardo Stuckert

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda uma nova estratégia para enfrentar o elevado endividamento das famílias brasileiras. A proposta discutida pela equipe econômica prevê que o poder público possa comprar dívidas antigas diretamente de bancos e outros credores, aproveitando descontos que, em determinados casos, poderiam chegar a 97% do valor dos débitos. Uma das alternativas analisadas vai além da renegociação tradicional e admite até o cancelamento das dívidas adquiridas, o que poderia livrar definitivamente consumidores das pendências incluídas no programa.

A discussão ocorre após a análise dos resultados da etapa mais recente do Desenrola Brasil. Desde maio, cerca de 5,54 milhões de dívidas foram renegociadas, das quais aproximadamente 2,25 milhões deram origem a novos contratos de crédito, enquanto as demais foram pagas à vista após os descontos concedidos pelos credores. Entre as operações parceladas, entretanto, aproximadamente 30,34% aparecem como inadimplentes. Considerando o saldo ainda existente na carteira, cerca de R$ 1,25 bilhão de um total de R$ 3,3 bilhões deixou de ser pago, equivalente a aproximadamente 37,4%.

O índice de inadimplência reacendeu dentro da equipe econômica a discussão sobre a necessidade de criar um modelo que não obrigue o consumidor a assumir um novo financiamento para solucionar uma dívida antiga. O Ministério da Fazenda informou que nenhuma operação havia sido coberta pelo Fundo Garantidor de Operações (FGO) e que os números estavam sendo conferidos com as instituições financeiras participantes. Isso porque parte dos registros classificados como inadimplentes pode envolver contratos posteriormente cancelados, situação que ocorre quando o consumidor conclui a renegociação, mas não paga sequer a primeira parcela e a dívida original volta a existir.

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, pretende levar ao presidente Lula uma nova alternativa para enfrentar o estoque de dívidas acumuladas pelas famílias. Pelo modelo em análise, o governo poderia promover uma espécie de disputa entre os credores interessados em receber pelos débitos antigos. Bancos e outras instituições apresentariam os descontos que estariam dispostos a conceder, permitindo ao poder público adquirir determinados créditos por uma pequena parcela do valor originalmente devido. A intenção seria priorizar principalmente dívidas de menor valor e com baixa perspectiva de recuperação.

As discussões dentro da área econômica consideram principalmente débitos contraídos entre dois e cinco anos atrás, período que abrange dívidas acumuladas durante e depois da pandemia de Covid-19. Em alguns cenários avaliados pelos técnicos, os credores poderiam aceitar descontos entre 95% e 97% para vender esses créditos. A expectativa considerada nas análises é que uma redução dessa magnitude permita enfrentar uma parcela significativa do estoque de dívidas antigas e diminuir o número de consumidores que permanecem negativados ou com dificuldades de acesso ao crédito.

Outro ponto ainda em aberto é o destino das dívidas depois da eventual aquisição pelo governo. Uma das possibilidades seria o Tesouro Nacional comprar os créditos e assumir a posição de credor, mantendo os valores registrados como ativos a receber. Outra alternativa discutida prevê uma medida mais ampla: o governo compraria os débitos com grande desconto e faria posteriormente o cancelamento da obrigação, encerrando a cobrança contra o consumidor. Esse modelo, porém, teria impacto nas despesas primárias da União e dependeria da existência de recursos e autorização dentro do Orçamento.

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A eventual criação do novo programa também enfrenta uma discussão jurídica por ocorrer em ano eleitoral. O governo analisa se uma iniciativa envolvendo a compra e o possível cancelamento de dívidas poderia ser alcançada pelas restrições previstas na legislação eleitoral para distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios pela administração pública. Uma das interpretações consideradas é que o Desenrola já estava em funcionamento antes do período eleitoral. A nova proposta, contudo, teria uma diferença relevante: o Estado poderia deixar de atuar somente como intermediador da renegociação e passar a comprar diretamente os débitos. Por isso, pareceres jurídicos deverão ter peso na decisão sobre uma eventual implantação ainda em 2026.

Na etapa mais recente, o Desenrola renegociou R$ 28,37 bilhões em dívidas de famílias brasileiras entre 5 de maio e 31 de agosto. Com os descontos concedidos, o valor efetivamente devido caiu para aproximadamente R$ 5,71 bilhões. Consumidores puderam pagar à vista ou parcelar o saldo em até 48 meses, com juros limitados a 1,99% ao mês. Na primeira edição do programa, iniciada em 2023, aproximadamente 15 milhões de brasileiros renegociaram R$ 53,07 bilhões em débitos. Agora, o governo Lula avalia se uma nova etapa poderá avançar para um modelo diferente, no qual a União compraria dívidas antigas por valores muito inferiores aos originais e, dependendo da solução escolhida, poderia até extinguir definitivamente parte dessas cobranças. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo.

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