RIO DE JANEIRO

Política Destaque

Lista encontrada em churrasqueira da residência de Ciro Nogueira coloca nomes de deputados sob análise da Polícia Federal

Publicados

Política Destaque

Papéis que teriam sido separados para serem queimados trazem primeiros nomes associados pelos investigadores – Carolina Curi/ Agência Senado

Um conjunto de papéis que, segundo relato de uma funcionária à Polícia Federal, teria como destino a churrasqueira da residência do senador Ciro Nogueira (PP-PI) passou a integrar as investigações da Operação Compliance Zero. Entre os documentos recolhidos pelos agentes está uma anotação identificada como “Câmara”, na qual aparecem primeiros nomes acompanhados de números. A PF trabalha com a hipótese de que parte dos nomes faça referência a deputados federais, mas ainda investiga o significado das anotações e não estabeleceu que os números correspondam a pagamentos.

O material foi apreendido durante buscas realizadas em 7 de maio de 2026 em endereços relacionados a Ciro Nogueira no Distrito Federal e no Piauí. A diligência fez parte da quinta fase da Operação Compliance Zero, investigação que alcança negócios relacionados ao Banco Master. Ciro é investigado sob suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O processo teve informações tornadas públicas após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Leia Também:  Ministro André Mendonça afasta diretor-geral da Polícia Federal e suspende relatórios de inteligência em meio a embate no STF

Na folha identificada como “Câmara” aparecem os nomes Arthur, Hugo, Elmar, Luizinho, Adolfo, Isnaldo, Diego, Altineu e Netinho. Ao lado deles foram registrados, respectivamente, os números 40, 10, 10, 10, 10, 10, 5, 5 e 5. Em análise preliminar, os investigadores levantaram a possibilidade de algumas referências corresponderem a Arthur Lira, Hugo Motta, Elmar Nascimento, Doutor Luizinho, Adolfo Viana e Isnaldo Bulhões. A PF, entretanto, ressalta que tanto a identificação quanto a natureza dos números dependem de aprofundamento da investigação.

Outro ponto registrado pelos agentes envolve a forma como os documentos foram encontrados. Uma funcionária da residência declarou que Ciro Nogueira teria entregado os papéis para que fossem queimados, alegando que se tratava de material antigo ou sem utilidade. Segundo ela, a orientação não chegou a ser cumprida por falta de tempo. Os documentos acabaram recolhidos pela equipe policial e serão confrontados com outros elementos obtidos durante a apuração.

A investigação também apura a suspeita de que Ciro Nogueira teria recebido pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, supostamente financiados pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, ou por empresas relacionadas a ele. A PF investiga se, em contrapartida, o senador teria atuado em defesa de interesses da instituição financeira. Essas suspeitas fazem parte da linha de investigação e ainda precisam ser comprovadas.

Leia Também:  Flávio Bolsonaro entra na mira da PF por suspeitas de “lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção” no caso Dark Horse

Parlamentares cujos primeiros nomes foram relacionados pela PF às anotações rejeitaram ou evitaram comentar as associações. A assessoria de Arthur Lira informou que o deputado desconhece o documento, enquanto Hugo Motta não se manifestou. Elmar Nascimento negou qualquer vínculo com a anotação e classificou o registro como apócrifo. Até agora, a apreensão da lista, por si só, não comprova que os números representem dinheiro nem que os deputados citados pela investigação tenham recebido valores ou cometido irregularidades.

Papéis na churrasqueira do senador Ciro Nogueira – Foto: Reprodução

Propaganda

Política Destaque

Lula cobra explicações sobre bilhões destinados às obras contra enchentes no Rio Grande do Sul e diverge de Eduardo Leite

Publicados

em

Presidente questionou diferença entre os R$ 6,5 bilhões anunciados e os R$ 1,5 bilhão disponíveis e cobrou responsabilidades pelos atrasos nas intervenções

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou nesta sexta-feira (11) explicações sobre os recursos anunciados para obras de prevenção, recuperação e enfrentamento aos efeitos das enchentes no Rio Grande do Sul. Durante reunião na Base Aérea de Canoas, Lula demonstrou preocupação ao afirmar que, dos R$ 6,5 bilhões previstos anteriormente, apenas R$ 1,5 bilhão estaria disponível neste momento para as ações.

Lula afirmou que pretende identificar onde estão os entraves que impediram os investimentos de avançar na velocidade esperada. O presidente citou a Caixa Econômica Federal, o Ministério das Cidades, o governo federal, o governo estadual e as prefeituras entre os órgãos que poderão ter suas responsabilidades verificadas. Segundo ele, a população precisa receber uma explicação clara sobre os motivos da demora.

A cobrança provocou uma divergência com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), que participou do encontro. Leite argumentou que a discussão não deveria ser sobre encontrar culpados, mas estabelecer responsabilidades e solucionar os problemas. Em outro momento, Lula também rejeitou uma comparação feita pelo governador entre as intervenções necessárias no estado e as obras da transposição do Rio São Francisco.

Leia Também:  Lula cobra explicações sobre bilhões destinados às obras contra enchentes no Rio Grande do Sul e diverge de Eduardo Leite

Durante o encontro, foram assinados dois termos de aditamento ligados ao Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece). As medidas incluem a Prefeitura de Porto Alegre na execução de intervenções em diques da Bacia do Gravataí e colocam a Prefeitura de Canoas como unidade executora de obras das Casas de Bombas 9 e 10, na Bacia do Rio dos Sinos.

O governo federal também apresentou um balanço das ações realizadas no Rio Grande do Sul após os eventos climáticos. Segundo os números divulgados pelo Palácio do Planalto, aproximadamente 1,5 mil planos de trabalho da Defesa Civil foram aprovados para 274 municípios. As medidas contemplam reconstrução, restabelecimento e assistência humanitária, além de ações que alcançaram 730 pontes, 570 estradas e trechos de pavimentação e 118 obras de drenagem e contenção.

O Planalto informou ainda que o Novo PAC alcança 97% dos municípios gaúchos, com investimentos em saúde, educação, rodovias e institutos federais. Entre as ações anunciadas estão 221 obras na saúde, 346 quilômetros de duplicações rodoviárias, 175 creches, 115 escolas e oito novos campi de institutos federais. No Minha Casa, Minha Vida, o governo aponta 175 mil moradias contratadas e 155,6 mil unidades entregues no Rio Grande do Sul.

Leia Também:  Flávio Bolsonaro entra na mira da PF por suspeitas de “lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção” no caso Dark Horse
Continue lendo

POLÍTICA

TUDO SOBRE POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

GERAL

MAIS LIDAS DA SEMANA