Região Nordeste
PF apreende cerca de R$ 614 mil em endereços ligados a Ciro Nogueira durante investigação do caso Master
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Operação Compliance Zero encontrou dinheiro em reais e moedas estrangeiras – Foto: Carolina Curi/ Agência Senado
A Polícia Federal apreendeu aproximadamente R$ 614 mil em dinheiro em espécie, considerando a conversão atual das moedas estrangeiras, durante buscas realizadas em endereços ligados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e a familiares. As diligências ocorreram em maio, na quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga possíveis relações entre agentes políticos e o Banco Master. Informações sobre o material recolhido vieram a público após a retirada do sigilo de documentos da investigação no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na residência de Ciro Nogueira em Teresina, os policiais localizaram R$ 31,7 mil e 14.070 euros dentro de um cofre. Já em Brasília, onde o senador estava no momento da operação, foram encontrados US$ 27.735 e 1.555 euros. Os investigadores também registraram a existência de bens de alto valor e malas com etiquetas em nomes de terceiros. Esses elementos passaram a integrar a apuração policial sobre a eventual movimentação de recursos em espécie.
As buscas também chegaram à residência de Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador. No endereço, a PF encontrou 10.155 euros e US$ 55.733 guardados em um cofre. Segundo o relato apresentado aos policiais, o local funcionaria como um “cofre familiar” e o dinheiro seria formado por economias destinadas, entre outras finalidades, a viagens internacionais. Veículos e equipamentos eletrônicos também foram apreendidos durante as diligências.
Outro ponto que ganhou destaque na investigação foi a localização de documentos na churrasqueira da residência de Ciro Nogueira, em Brasília. Segundo relatório policial divulgado pela imprensa, uma funcionária afirmou aos agentes que teria recebido orientação do senador para que papéis fossem queimados, mas a determinação não teria sido executada antes da chegada da PF. Entre o material recolhido havia um documento identificado com a palavra “Câmara”, acompanhado de nomes e anotações numéricas. A própria PF registra que o significado desses números ainda precisa ser esclarecido no decorrer da investigação.
A investigação também apura a relação de Ciro Nogueira com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Um dos episódios analisados é a proposta apresentada pelo senador em 2024 para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura individual do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo a investigação, o texto teria sido elaborado pela assessoria do Master e encaminhado ao parlamentar antes de sua apresentação no Senado. A proposta acabou não avançando.
Ciro Nogueira nega ter recebido pagamentos ilícitos de Daniel Vorcaro e contesta as acusações relacionadas ao Banco Master. O senador também afirmou que é falsa a versão de que teria simplesmente apresentado na íntegra um texto elaborado pelo banco e, em maio, voltou a defender publicamente a ampliação da cobertura do FGC. As suspeitas envolvendo o parlamentar permanecem sob investigação e não representam condenação.
Região Nordeste
PF pediu busca contra ACM Neto em investigação sobre contratos de R$ 80 milhões, mas Nunes Marques negou
Candidato ao governo da Bahia é citado em apuração da Operação Overclean; Polícia Federal investiga suspeitas de fraudes em contratos da educação de Belo Horizonte – Crédito: Reprodução
A Polícia Federal tentou incluir ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo da Bahia, entre os alvos de busca e apreensão da décima fase da Operação Overclean, deflagrada nesta quinta-feira (17). O pedido, porém, não foi autorizado pelo ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura suspeitas de irregularidades envolvendo contratos públicos e possíveis desvios de recursos.
Segundo informações reveladas sobre a investigação, a PF apura suspeitas de que ACM Neto teria participado da articulação para a indicação de um secretário em Belo Horizonte. Os investigadores procuram esclarecer se a nomeação teria relação com interesses de empresários em licitações públicas e com um possível esquema de pagamento de vantagens indevidas. As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam conclusão de culpa.
A nova ofensiva faz parte da décima etapa da Operação Overclean e concentra as apurações em contratos da área da educação da Prefeitura de Belo Horizonte. Nesta quinta-feira, agentes federais cumprem 24 mandados de busca e apreensão distribuídos por Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo.
Entre os nomes atingidos pelas diligências estão o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, e os empresários Fábio e Alex Parente. O ex-secretário municipal de Educação de Belo Horizonte Bruno Barral também está entre os alvos. Barral já havia ocupado o comando da Educação de Salvador entre 2017 e 2020, durante a administração de ACM Neto.
O foco desta etapa são contratos celebrados entre 2024 e 2025 para serviços e fornecimento de materiais didáticos. Conforme a Polícia Federal, as contratações investigadas alcançam aproximadamente R$ 80 milhões. A apuração tenta identificar como teriam ocorrido eventuais direcionamentos e qual teria sido a participação de empresários e agentes públicos nas contratações colocadas sob suspeita.
A Operação Overclean investiga um esquema mais amplo envolvendo suspeitas de desvios de recursos públicos e fraudes em licitações financiadas por emendas parlamentares. De acordo com a PF, os fatos investigados podem, em tese, envolver crimes contra a administração pública, fraude em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As investigações continuam e caberá às autoridades determinar a eventual responsabilidade de cada um dos citados.
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