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Flávio Bolsonaro entra na mira da PF por financiamento de “Dark Horse” e investigação apura suspeitas de lavagem e corrupção
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Apuração investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção envolvendo recursos ligados ao Banco Master – Foto: Saulo Cruz/ Agência Senado
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, passou a ser alvo de uma investigação específica no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O procedimento foi autorizado pelo ministro André Mendonça e busca esclarecer suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e possíveis crimes relacionados à movimentação dos recursos utilizados no projeto.
A investigação foi aberta em julho, mas somente ganhou maior repercussão após a retirada do sigilo de informações relacionadas ao caso Banco Master. O procedimento envolvendo Flávio Bolsonaro está vinculado ao inquérito principal que apura fatos relacionados à instituição financeira e ao banqueiro Daniel Vorcaro. Apesar da divulgação de parte dos documentos, a investigação específica sobre o senador continua sob segredo de Justiça enquanto a Polícia Federal realiza novas diligências.
O pedido para abertura da apuração partiu da própria Polícia Federal e recebeu manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Ao autorizar o procedimento, André Mendonça acolheu a solicitação para que fosse criada uma investigação separada, porém vinculada ao inquérito do Banco Master. A PF pretende identificar a origem, o caminho e o destino do dinheiro empregado no financiamento de “Dark Horse”, além de verificar se houve participação direta do parlamentar em eventuais operações consideradas irregulares.
Um dos pontos centrais da investigação envolve a informação de que Flávio Bolsonaro teria procurado Daniel Vorcaro em busca de aproximadamente R$ 131 milhões para financiar a produção. Mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil e documentos encontrados nas investigações são citados como elementos da apuração. Planilhas apreendidas pela Polícia Federal indicariam que cerca de R$ 60 milhões do montante relacionado ao projeto chegaram a ser pagos. Os investigadores também analisam movimentações envolvendo o fundo norte-americano Heavengate e possíveis operações realizadas fora do Brasil.
Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade. Durante compromisso de campanha em Roraima, o senador afirmou que não houve utilização de recursos públicos no financiamento da produção e declarou que as movimentações poderiam ser investigadas integralmente. As dúvidas, porém, permanecem porque o detalhamento completo da estrutura financeira do longa-metragem não foi tornado público. A produtora apresentou comprovantes de despesas à Justiça, enquanto informações mais detalhadas sobre a captação realizada por intermédio do Heavengate continuam no centro das apurações.
Outro elemento investigado é a colaboração premiada do operador financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. Segundo as informações apresentadas no caso, ele teria relatado sete transferências destinadas ao Heavengate, realizadas a pedido de Vorcaro, somando US$ 12,3 milhões — aproximadamente R$ 69 milhões pela cotação do período. A Polícia Federal tenta descobrir se essas operações tiveram relação direta com o financiamento do filme e se houve triangulação internacional de valores. Em outra frente, investigadores também verificam se recursos relacionados ao esquema teriam sido utilizados para despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro no exterior.
A investigação sobre “Dark Horse” ainda alcança uma frente envolvendo emendas parlamentares. Sob relatoria do ministro Flávio Dino, apurações da Polícia Federal passaram a analisar R$ 2 milhões destinados pelo deputado Mário Frias (PL-SP) ao Instituto Conhecer Brasil, presidido pela empresária Karina Gama, ligada à produtora Go Up. A suspeita é de que parte dos recursos possa ter circulado por empresas antes de chegar a despesas relacionadas à produção cinematográfica. A PF aponta indícios de movimentações financeiras de centenas de milhões de reais entre empresas investigadas e apura possíveis crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes em licitações. Com diferentes linhas investigativas avançando no STF, a origem e o percurso do dinheiro usado para financiar o filme passaram a ocupar posição central nas apurações envolvendo o Banco Master.
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Lula cobra explicações sobre bilhões destinados às obras contra enchentes no Rio Grande do Sul e diverge de Eduardo Leite
Presidente questionou diferença entre os R$ 6,5 bilhões anunciados e os R$ 1,5 bilhão disponíveis e cobrou responsabilidades pelos atrasos nas intervenções
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou nesta sexta-feira (11) explicações sobre os recursos anunciados para obras de prevenção, recuperação e enfrentamento aos efeitos das enchentes no Rio Grande do Sul. Durante reunião na Base Aérea de Canoas, Lula demonstrou preocupação ao afirmar que, dos R$ 6,5 bilhões previstos anteriormente, apenas R$ 1,5 bilhão estaria disponível neste momento para as ações.
Lula afirmou que pretende identificar onde estão os entraves que impediram os investimentos de avançar na velocidade esperada. O presidente citou a Caixa Econômica Federal, o Ministério das Cidades, o governo federal, o governo estadual e as prefeituras entre os órgãos que poderão ter suas responsabilidades verificadas. Segundo ele, a população precisa receber uma explicação clara sobre os motivos da demora.
A cobrança provocou uma divergência com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), que participou do encontro. Leite argumentou que a discussão não deveria ser sobre encontrar culpados, mas estabelecer responsabilidades e solucionar os problemas. Em outro momento, Lula também rejeitou uma comparação feita pelo governador entre as intervenções necessárias no estado e as obras da transposição do Rio São Francisco.
Durante o encontro, foram assinados dois termos de aditamento ligados ao Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece). As medidas incluem a Prefeitura de Porto Alegre na execução de intervenções em diques da Bacia do Gravataí e colocam a Prefeitura de Canoas como unidade executora de obras das Casas de Bombas 9 e 10, na Bacia do Rio dos Sinos.
O governo federal também apresentou um balanço das ações realizadas no Rio Grande do Sul após os eventos climáticos. Segundo os números divulgados pelo Palácio do Planalto, aproximadamente 1,5 mil planos de trabalho da Defesa Civil foram aprovados para 274 municípios. As medidas contemplam reconstrução, restabelecimento e assistência humanitária, além de ações que alcançaram 730 pontes, 570 estradas e trechos de pavimentação e 118 obras de drenagem e contenção.
O Planalto informou ainda que o Novo PAC alcança 97% dos municípios gaúchos, com investimentos em saúde, educação, rodovias e institutos federais. Entre as ações anunciadas estão 221 obras na saúde, 346 quilômetros de duplicações rodoviárias, 175 creches, 115 escolas e oito novos campi de institutos federais. No Minha Casa, Minha Vida, o governo aponta 175 mil moradias contratadas e 155,6 mil unidades entregues no Rio Grande do Sul.
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