Região Nordeste
Vorcaro cita ACM Neto e Rueda em proposta de delação sobre supostos repasses ligados ao Banco Master
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Ex-banqueiro afirma que dirigentes do União Brasil teriam intermediado investimentos públicos no Master – Foto: Reprodução
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de colaboração premiada, que ACM Neto e Antônio de Rueda, dirigentes do União Brasil, teriam atuado na aproximação do Banco Master com instituições públicas interessadas em realizar investimentos. Segundo o relato apresentado por Vorcaro, essa suposta intermediação envolveria recursos bilionários e teria como contrapartida o pagamento de vantagens indevidas. As declarações fazem parte de uma proposta de delação e não representam, por si só, comprovação das acusações.
A tentativa de acordo de colaboração não avançou. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República rejeitaram a proposta, apontando falta de informações inéditas e ausência de garantias relacionadas à recuperação de valores. O conteúdo voltou a repercutir depois que informações de um relatório de inteligência da Polícia Federal relacionado às investigações sobre o Banco Master vieram a público.
No documento, Vorcaro atribuiu a ACM Neto e Rueda participação na aproximação do Master com instituições como Rioprevidência, Amprev, Amazonprev e Cedae. O ex-banqueiro afirmou que essa atuação teria contribuído para a captação de aproximadamente R$ 2 bilhões. Segundo sua versão, grupos responsáveis pela obtenção de investimentos poderiam receber 10% do valor aplicado ou 1% ao ano enquanto os recursos permanecessem no banco. O documento, entretanto, não informa quanto teria sido efetivamente repassado aos dois políticos.
Vorcaro também descreveu diferentes formas que teriam sido utilizadas para realizar os supostos pagamentos. No caso de ACM Neto, mencionou contratos de consultoria e empresas relacionadas a pessoas próximas ao conglomerado. Em relação a Rueda, citou contratos entre empresas ligadas ao Master e o escritório Rueda & Rueda Advogados, que, segundo sua versão, alcançariam cerca de R$ 3 milhões mensais. A existência dos contratos, contudo, não comprova automaticamente que os pagamentos tenham origem ilícita.
Como elementos para sustentar suas declarações, Vorcaro apresentou mensagens, contratos e registros de encontros. Uma das conversas mencionadas seria de novembro de 2023 e trataria da inclusão de uma reunião com Rueda na agenda do banqueiro. Outra mensagem faria referência à organização de um helicóptero para ACM Neto e Rueda. Vorcaro também afirmou que reuniões teriam ocorrido na sede do Master para acompanhar negócios e demandas relacionadas às supostas intermediações.
O relato também alcança as operações entre Banco Master e BRB. Vorcaro afirmou que teria participado de uma reunião em Brasília com Rueda e Paulo Henrique Costa, então presidente do Banco de Brasília. Segundo sua versão, seu grupo teria aportado aproximadamente R$ 750 milhões em uma operação relacionada ao BRB, enquanto o banco público teria adquirido cerca de R$ 6 bilhões em carteiras do Master durante 2024. O ex-banqueiro também apresentou acusações envolvendo supostas comissões relacionadas a essas operações.
Os próprios números apresentados na proposta deixam questões em aberto. Enquanto Vorcaro menciona cerca de R$ 2 bilhões em investimentos supostamente obtidos por meio da atuação de ACM Neto e Rueda, os valores atribuídos às instituições citadas chegariam a aproximadamente R$ 3,62 bilhões, considerando R$ 2,97 bilhões do Rioprevidência, R$ 400 milhões da Amprev, R$ 200 milhões da Cedae e R$ 50 milhões da Amazonprev. A proposta não esclarece essa diferença nem detalha atos específicos praticados pelos dois dirigentes políticos em cada uma das instituições.
ACM Neto e Antônio de Rueda rejeitam as acusações. Rueda afirmou ter dificuldade para se manifestar sobre um documento ao qual não teve acesso e negou irregularidades. ACM Neto classificou as insinuações como “absurdas, completamente fantasiosas e mentirosas”. A PGR também já havia se posicionado contra uma medida de busca e apreensão envolvendo Rueda por considerar frágeis os elementos apresentados. As acusações feitas por Vorcaro, portanto, permanecem sujeitas à apuração e ao contraditório dos envolvidos. As informações são do portal UOL
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“Baixa o dedinho”: Ciro Gomes e Elmano de Freitas protagonizam bate-boca durante debate no Ceará
Discussão teve dedo apontado, acusações sobre alianças políticas e troca de frases duras entre os candidatos ao Governo do Ceará – Foto: Sistema Verdes Mares
A disputa pelo Governo do Ceará teve um dos momentos mais tensos da campanha nesta quarta-feira (9), durante debate promovido pelo Sistema Verdes Mares. Ciro Gomes (PSDB) e o governador Elmano de Freitas (PT) elevaram o tom, trocaram acusações e protagonizaram um bate-boca frente a frente no estúdio.
A discussão ganhou força durante uma etapa do debate em que os candidatos tinham liberdade para circular pelo cenário. Elmano questionou as alianças políticas construídas por Ciro para a eleição e citou a participação do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, no grupo que apoia a candidatura do tucano.
Ciro reagiu às declarações do governador e direcionou as críticas para aliados do petista. O candidato mencionou investigações envolvendo integrantes do grupo político de Elmano e citou Junior Mano (PSB), suplente de Cid Gomes (PSB) na disputa pelo Senado. Em meio às acusações, Ciro chamou Elmano de “mentiroso”.
O confronto ficou ainda mais tenso quando os dois candidatos se aproximaram. Durante a discussão, Elmano reagiu ao gesto do adversário e disse: “Baixa o dedinho”. Ciro respondeu: “Vai estar aqui, na sua cara”. A troca de frases ocorreu diante dos demais participantes do debate.
O embate acontece em um momento de redução da diferença entre os dois candidatos nas pesquisas eleitorais. Levantamento Datafolha divulgado na semana passada apontou Ciro com 46% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37% de Elmano. A diferença é de nove pontos percentuais, enquanto em meados de agosto o tucano aparecia 19 pontos à frente.
As alianças políticas devem continuar entre os principais temas da disputa. Ciro concorre ao Governo do Ceará por uma composição que reúne PSDB, federação União-PP e PL. Elmano busca a reeleição apoiado por lideranças como o ministro Camilo Santana e Cid Gomes, além de contar com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na estratégia eleitoral petista no estado.
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