Região Centro-oeste
PF indicia deputado de Minas e ex-ministro de Bolsonaro por suspeita de participação em esquema de fraudes no INSS
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Deputado, ex-ministro, ex-dirigentes do instituto e representantes de entidades estão entre os indiciados por suspeita de corrupção – Foto: Jefferson Rudy/ Agência Senado
A Polícia Federal concluiu a primeira etapa da Operação Sem Desconto e formalizou o indiciamento de 48 pessoas suspeitas de participação em um esquema de fraudes relacionado a descontos indevidos em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A investigação aponta que aposentados e pensionistas teriam sido prejudicados por cobranças realizadas sem autorização.
Entre os indiciados estão o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira, que também presidiu o INSS durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ambos passam a responder às acusações apontadas no relatório final da primeira fase da investigação, que agora será analisado pelo Ministério Público.
Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado poderá responder por crimes como corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As apurações indicam que o esquema funcionou entre os anos de 2019 e 2024, período em que descontos associativos teriam sido inseridos irregularmente nos benefícios de milhares de segurados.
Os investigadores estimam que o prejuízo causado pelo esquema possa chegar a R$ 6,3 bilhões. A suspeita é de que diversas entidades utilizavam mecanismos para realizar cobranças mensais diretamente nos pagamentos de aposentados e pensionistas sem o consentimento dos beneficiários.
As investigações também apontam uma suposta ligação entre o deputado Euclydes Pettersen e a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil (Conafer). O presidente da entidade, Carlos Lopes, foi igualmente indiciado e é considerado foragido pela Justiça desde o ano passado. Seu irmão, Tiago Abraão Lopes, integrante da direção da confederação, também integra a lista dos investigados.
Em relação ao ex-ministro José Carlos Oliveira, a Polícia Federal afirma que ele é suspeito de ter autorizado o desbloqueio de aproximadamente R$ 15,3 milhões destinados à Conafer quando ocupava a presidência do INSS. Os investigadores também apuram a suspeita de que ele tenha recebido cerca de R$ 550 mil em vantagens indevidas para beneficiar entidades envolvidas nas investigações. A defesa dos investigados poderá apresentar suas versões durante o andamento do processo.
Além deles, o relatório inclui o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, nomeado durante o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-procurador-geral do instituto Virgílio de Oliveira Filho, o ex-diretor de Benefícios André Fidelis e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. De acordo com a investigação, esses quatro permanecem presos preventivamente.
Com a conclusão desta primeira etapa da Operação Sem Desconto, a Polícia Federal encaminhou o relatório às autoridades competentes para a adoção das medidas judiciais cabíveis. O indiciamento representa o encerramento da fase policial da investigação, mas não significa condenação. Caberá ao Ministério Público analisar as provas reunidas e decidir sobre eventual oferecimento de denúncia à Justiça. Segundo o portal G1, o relatório policial foi concluído na última sexta-feira (10).
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Proposta de selo para pesquisas eleitorais apresentada por presidente do TSE provoca reação de especialistas
Ideia prevê certificação para empresas cujos levantamentos mais se aproximarem do resultado das urnas – Foto: Luiz Roberto/ TSE
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, apresentou uma proposta que pretende criar um selo de qualidade para institutos de pesquisa eleitoral. A iniciativa busca reconhecer empresas cujos levantamentos apresentem maior proximidade com o resultado oficial das eleições, mas a medida já enfrenta resistência de especialistas e representantes do setor.
O documento foi entregue durante uma reunião realizada nesta terça-feira (14) com representantes de 16 institutos de pesquisa. Segundo Nunes Marques, a proposta ainda está em fase de elaboração e poderá receber sugestões até o próximo dia 17, antes de uma eventual definição sobre sua implementação.
Batizada de “Selo de Acurácia Eleitoral”, a certificação teria como objetivo estimular maior transparência, incentivar o aperfeiçoamento das metodologias utilizadas pelos institutos e destacar empresas que obtenham melhor desempenho na comparação entre seus levantamentos e os resultados oficiais das eleições nacionais, estaduais e do Distrito Federal.
A proposta prevê duas modalidades de avaliação: uma voltada às pesquisas de boca de urna, realizadas no próprio dia da votação, e outra destinada aos levantamentos divulgados durante a última semana da campanha eleitoral. Os critérios técnicos para a concessão da certificação ainda deverão ser regulamentados pelo TSE.
Durante o encontro, representantes dos institutos manifestaram preocupação com a iniciativa. A diretora do Datafolha, Luciana Chong, afirmou que pesquisas eleitorais registram a intenção de voto existente no momento da coleta e não podem ser tratadas como instrumentos destinados a prever o resultado final das eleições. Segundo ela, fatores como mudanças de opinião, abstenção e acontecimentos de última hora podem alterar significativamente o cenário eleitoral.
O cientista político Antonio Lavareda, presidente de honra da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), também criticou a proposta. Para ele, pesquisas medem o comportamento do eleitor em determinado instante, enquanto o voto efetivo depende de diversos fatores que podem mudar ao longo da campanha. Lavareda considera inadequado que a Justiça Eleitoral classifique institutos com base na proximidade entre pesquisas e o resultado das urnas.
Outra manifestação contrária veio do professor Bruno Bolognesi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Na avaliação do especialista, o selo pode incentivar institutos a adotar estratégias mais conservadoras para aumentar suas chances de certificação, reduzindo a abrangência das pesquisas e limitando análises sobre candidatos com menor visibilidade ou cenários mais complexos.
A proposta também gerou repercussão nos bastidores do Judiciário. Integrantes do Supremo Tribunal Federal demonstraram reservas quanto ao modelo sugerido, argumentando que metodologias, amostras e formas de coleta variam entre os institutos, dificultando uma comparação direta. Enquanto o debate segue aberto, o TSE também discute outras mudanças nas regras das pesquisas eleitorais, incluindo possíveis restrições ao uso de áudios e vídeos durante entrevistas com eleitores.
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