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Gilmar Mendes descarta ingerência estrangeira no processo eleitoral e defende segurança das urnas eletrônicas

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Ministro afirma que sistema eletrônico de votação é confiável, cita reconhecimento internacional e defende reação institucional a eventuais pressões externas – Foto: Ton Molina/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou que o Brasil possui instituições suficientemente fortes para impedir interferências estrangeiras em seu processo eleitoral. Durante participação no Fórum Saúde, realizado pelo Grupo Esfera em parceria com a EMS, o magistrado defendeu a maturidade da democracia brasileira e afastou a possibilidade de ingerência externa, inclusive por parte dos Estados Unidos, sobre as eleições nacionais.

Ao comentar a segurança das urnas eletrônicas, Gilmar destacou que o modelo brasileiro de votação vem sendo utilizado há mais de duas décadas e permite uma apuração rápida dos resultados. Segundo o ministro, a experiência acumulada ao longo dos anos contribuiu para consolidar a confiança no sistema, que consegue apresentar os números da eleição poucas horas depois do encerramento da votação.

O decano do STF também ressaltou o papel da Justiça Eleitoral na preservação da credibilidade do processo. Para ele, cabe às autoridades eleitorais adotar todas as medidas necessárias para impedir que dúvidas sem fundamento comprometam a confiança dos eleitores. Gilmar sustentou que a fiscalização permanente e a transparência são fundamentais para assegurar o funcionamento e a segurança das eleições.

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Como exemplo do acompanhamento internacional do sistema brasileiro, o ministro relembrou o período em que presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na ocasião, segundo ele, foram estabelecidos entendimentos para permitir a presença de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) nas eleições brasileiras. Gilmar afirmou que as missões internacionais reconheceram a regularidade, a segurança e a capacidade de resposta do modelo eleitoral adotado pelo país.

O ministro também abordou as tensões envolvendo interesses estrangeiros e defendeu que os Poderes brasileiros mantenham uma posição firme diante de eventuais tentativas de pressão sobre decisões internas. Na avaliação de Gilmar Mendes, o país dispõe de instituições capazes de responder pelos canais jurídicos, políticos e diplomáticos sempre que houver ameaça à soberania nacional ou ao funcionamento das estruturas democráticas.

Ao mencionar as relações recentes com os Estados Unidos, Gilmar citou as discussões envolvendo tarifas comerciais e lembrou a possibilidade de adoção de medidas de reciprocidade pelo Brasil. Para o ministro, esse tipo de reação demonstra que o Estado brasileiro possui mecanismos para defender seus interesses. A mensagem apresentada durante o evento foi de que disputas internacionais não devem ultrapassar os limites da soberania nem interferir no processo eleitoral e nas decisões das instituições brasileiras.

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Nunes Marques recebe diplomatas no TSE para defender urnas e apresentar medidas contra deepfakes em 2026

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Encontro comandado por Nunes Marques terá representantes estrangeiros, incluindo os Estados Unidos – Foto: Antonio Augusto/ TSE

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, reúne nesta segunda-feira (17) representantes de aproximadamente cem embaixadas instaladas no Brasil. O encontro faz parte da preparação para as Eleições Gerais de 2026 e terá como principais temas a segurança do sistema eletrônico de votação e as medidas adotadas pela Justiça Eleitoral para enfrentar desinformação e conteúdos produzidos ou manipulados por inteligência artificial.

Entre as representações confirmadas está a dos Estados Unidos. Atualmente sem embaixador no Brasil, a missão diplomática norte-americana está sob o comando interino da encarregada de negócios Kimberly Kelli. O TSE, porém, não informou se ela participará pessoalmente da reunião. A presença de diplomatas estrangeiros ocorre em um momento no qual a Corte busca ampliar a transparência sobre o funcionamento das urnas e reafirmar a confiabilidade do processo eleitoral brasileiro.

A defesa das urnas eletrônicas ganhou ainda mais espaço após novos questionamentos públicos sobre o sistema de votação. Em junho, durante encontro com 25 diplomatas, Nunes Marques já havia defendido a segurança do modelo brasileiro. Naquele período, declarações do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra as urnas provocaram reação do tribunal, que classificou o equipamento utilizado nas eleições como um “patrimônio do povo brasileiro”.

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Outro ponto central da reunião será o avanço da inteligência artificial nas campanhas eleitorais. O TSE pretende apresentar as estratégias preparadas para combater disparos de desinformação, manipulações digitais e deepfakes. O tema também deverá chegar ao plenário da Corte nos próximos dias, quando os ministros analisarão um caso envolvendo um vídeo produzido com IA que simula Jair Bolsonaro (PL) manifestando apoio à candidatura do filho. O julgamento poderá estabelecer parâmetros importantes para a aplicação das regras eleitorais sobre conteúdos sintéticos.

O encontro ocorre ainda em meio a recentes movimentações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos relacionadas ao processo eleitoral. A Embaixada norte-americana havia procurado a área internacional do TSE para organizar uma visita de integrantes do governo dos EUA, mas a audiência não ocorreu durante o recesso do Judiciário. Antes disso, o Itamaraty havia negado vistos a dois funcionários norte-americanos que pretendiam tratar de liberdade de expressão no contexto das eleições brasileiras.

Além do debate sobre urnas e inteligência artificial, a Justiça Eleitoral avança na preparação das Missões de Observação Eleitoral para 2026. Organizações como OEA, União Europeia, Parlasul, Uniore, Liga dos Estados Árabes e Rojae-CPLP estão entre as instituições previstas para acompanhar o pleito. Na última semana, representantes de Cuba, Estados Unidos, União Europeia e ONU estiveram no TSE para discutir a organização desse trabalho, ampliando a participação internacional no acompanhamento das eleições brasileiras.

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