Política Destaque
PSOL aciona Justiça Eleitoral contra Eduardo Cunha e pede inelegibilidade e cassação de candidatura em Minas Gerais
Política Destaque
Partido aponta suposto abuso de poder econômico e político, cita repasses de R$ 6,15 milhões e pede investigação sobre emissora ligada ao ex-deputado – Crédito: Divulgação
O PSOL ingressou na Justiça Eleitoral com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra Eduardo Cunha (Republicanos), que disputa uma vaga de deputado federal por Minas Gerais. Protocolada na quarta-feira (12), a ação pede que sejam investigadas possíveis irregularidades durante a pré-campanha e solicita, ao final do processo, a inelegibilidade e a cassação do registro ou diploma do ex-presidente da Câmara dos Deputados.
A iniciativa é assinada pelos deputados Glauber Braga (RJ) e Sâmia Bomfim (SP), além de Maria da Consolação Rocha, candidata do PSOL à Câmara por Minas Gerais. Os autores sustentam que Cunha teria se beneficiado de abuso de poder econômico e político e do uso indevido dos meios de comunicação. A acusação aponta ainda uma suposta articulação para direcionar emendas parlamentares a municípios mineiros com interesse eleitoral.
Para fundamentar o pedido, o partido menciona informações reunidas pela Polícia Federal e uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação cita mensagens atribuídas a Cunha durante discussões sobre a destinação de recursos. Em uma delas, o ex-deputado teria escrito que “cidade pequena é uma guerra”. Em outra conversa, teria solicitado a troca de Governador Valadares por outro município. Segundo a petição, a PF identificou 29 repasses destinados a cidades de Minas Gerais, que, somados, chegariam a R$ 6,15 milhões.
Na avaliação apresentada pelos autores da AIJE, os recursos teriam sido utilizados para ampliar a aproximação de Cunha com lideranças municipais e fortalecer politicamente sua candidatura. A ação reproduz trecho da investigação que aponta uma possível tentativa de conquistar apoio político local diante da proximidade das eleições. Cunha está sem mandato parlamentar desde 2016, quando teve o mandato de deputado federal cassado pela Câmara.
Outro ponto que o PSOL quer ver investigado é a expansão da rede Maravilha FM, ligada a Eduardo Cunha. A petição aponta o ex-deputado como idealizador e gestor da emissora, na qual apresenta semanalmente o programa gospel Mesa Redonda Maravilha. Os autores querem saber se a estrutura de comunicação teria sido utilizada para favorecer sua exposição eleitoral. Também pedem apuração sobre despesas da pré-campanha, incluindo deslocamentos realizados de helicóptero e patrocínio esportivo.
Eduardo Cunha rejeitou as acusações e afirmou não estar preocupado com as medidas apresentadas contra sua candidatura. Segundo o ex-deputado, as impugnações não possuem fundamento jurídico e serão contestadas perante a Justiça Eleitoral. Cunha classificou as iniciativas como resultado de “ativismo político” de adversários e declarou que seu retorno à política será “inevitável”. Caberá agora à Justiça Eleitoral analisar os argumentos e as provas apresentados pelas partes antes de decidir sobre os pedidos formulados pelo PSOL.
Política Destaque
Polícia Federal volta à mansão de Nelson Wilians em operação que apura lavagem de dinheiro e bloqueia até R$ 1,1 bilhão
Advogado está entre os 17 alvos da Operação Arena, investigação sobre suposto esquema envolvendo jogos de azar – Foto: Reprodução/ @nelsonwilians
A Polícia Federal voltou a cumprir mandado de busca e apreensão, nesta quinta-feira (13), na mansão do advogado Nelson Wilians, em São Paulo. A diligência faz parte da Operação Arena, que colocou o advogado entre 17 investigados por suspeitas relacionadas a um grupo empresarial do Nordeste. Segundo a investigação, estruturas societárias e financeiras mantidas no exterior teriam sido utilizadas para esconder a origem e o destino de recursos supostamente provenientes da exploração de jogos de azar e apostas esportivas.
As apurações da PF apontam para a suspeita de que Wilians teria desempenhado a função de operador financeiro, auxiliando na movimentação e ocultação de patrimônio atribuído ao grupo investigado. As medidas foram autorizadas pela 4ª Vara Federal da Paraíba e não se limitaram às buscas: a Justiça também determinou a quebra de sigilos bancário e telemático, além do sequestro e bloqueio de patrimônio que pode alcançar R$ 1,1 bilhão.
A operação desta quinta-feira mobilizou agentes em diferentes regiões do país. Mandados e outras medidas judiciais foram cumpridos na Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná. De acordo com a Polícia Federal, os investigados poderão responder, conforme a participação individual que venha a ser comprovada, por crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e infrações contra o Sistema Financeiro Nacional.
A nova ação ocorre menos de um mês depois de Nelson Wilians ter sido alvo de outra investigação. Em 15 de julho, uma operação do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA/SP) cumpriu buscas na residência do advogado e na sede de seu escritório. Naquele caso, os investigadores apuram um suposto esquema de comercialização de créditos falsos de ICMS, que teria provocado impacto estimado em R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos paulistas.
Na investigação de julho, também apareceram entre os alvos Anne Wilians, advogada, esposa e sócia de Nelson Wilians, e a advogada Mayra de Paula, de Londrina, no Paraná. A suspeita dos investigadores é de que empresas sem atividade efetiva ou sem estrutura operacional teriam sido utilizadas para emitir documentos fiscais e criar uma aparência de regularidade para créditos tributários posteriormente oferecidos a pequenas e médias empresas.
Segundo as apurações, os créditos eram apresentados aos empresários como uma alternativa para diminuir os valores de impostos devidos ao Estado. Para conferir credibilidade às operações, teriam sido utilizados documentos, pareceres jurídicos e simulações de sistemas que indicavam uma suposta regularidade das compensações tributárias. Os investigadores também analisam a utilização de alegados direitos relacionados a massas falidas, antigas decisões judiciais de desapropriação e documentos atribuídos a auditores fiscais.
O caso envolvendo créditos de ICMS não se restringiu ao núcleo relacionado ao escritório de Nelson Wilians. As investigações também alcançaram pessoas ligadas aos grupos Alpha e DMC. A suspeita é de que diferentes estruturas empresariais teriam participado da cadeia de geração, negociação ou utilização dos créditos questionados pelas autoridades, embora a responsabilidade de cada investigado ainda esteja sendo apurada.
Após a operação realizada em julho, o escritório de Nelson Wilians afirmou, em nota, que a responsabilidade operacional pelas transações investigadas seria do De Paula Advogados & Consultoria Jurídica, sustentando não existir vínculo societário entre as duas bancas. A defesa declarou ainda que a parceria foi encerrada após a identificação de inconsistências e que os clientes foram comunicados. O Grupo Alpha também negou envolvimento em irregularidades fiscais ou criminais. Com a Operação Arena, Nelson Wilians passa novamente ao centro de uma investigação de grande porte, desta vez envolvendo suspeitas de movimentações financeiras ligadas a jogos de azar e apostas esportivas.
-
Política Destaque6 dias atrásPL recorre ao STF e pede quebra de sigilos de ex-chefe de gabinete de Lula por suspeita de vazamento de informações da Polícia Federal
-
Região Norte6 dias atrásAzul e Gol dizem que crise aérea foi superada, mas Escudo aponta falta de voos e passagens caras em Rondônia
-
Região Sudeste6 dias atrásEscolha de Alfredo Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro causa incômodo no agro e frustra mercado financeiro
-
Região Centro-oeste6 dias atrásDino manda PF investigar emendas PIX após TCU apontar suspeitas de fraudes e prejuízos milionários



