Região Sudeste
Escolha de Alfredo Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro causa incômodo no agro e frustra mercado financeiro
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Setores esperavam Tereza Cristina ou um nome capaz de ampliar alianças políticas e eleitorais da chapa presidencial
A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para integrar como vice a chapa liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida pela Presidência provocou reação de insatisfação entre representantes do agronegócio e integrantes do mercado financeiro. Nos bastidores, lideranças ligadas ao campo demonstraram surpresa com a decisão e avaliam que o parlamentar alagoano ainda possui pouca ligação com as principais demandas do setor produtivo rural.
A avaliação está relacionada principalmente à trajetória política e profissional de Gaspar, construída sobretudo na área da segurança pública. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, ele atuou como promotor de Justiça e comandou a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas. Por isso, representantes do agro consideram que seu nome não possui, até o momento, a mesma interlocução com produtores e entidades rurais de outros políticos que estavam sendo cotados para a composição.
Entre setores do agronegócio, a expectativa estava concentrada principalmente na senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura durante o governo de Jair Bolsonaro. Com forte presença nas discussões relacionadas ao campo e relacionamento consolidado com entidades do setor, a parlamentar era vista por lideranças rurais como uma opção capaz de aproximar ainda mais a candidatura presidencial do eleitorado ligado à produção agropecuária.
A definição por Alfredo Gaspar também teria provocado frustração entre agentes do mercado financeiro. A expectativa de parte dos representantes da Faria Lima era de que Flávio Bolsonaro buscasse uma mulher e, preferencialmente, alguém de outro partido para ampliar a composição política da candidatura. Na avaliação desses agentes, a escolha de outro integrante do PL reduz a possibilidade de apresentar a chapa como uma aliança partidária mais ampla na disputa presidencial.
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Geraldo Alckmin anuncia R$ 21 bilhões em crédito para empresas afetadas por tarifas dos Estados Unidos
Pacote previsto para as próximas semanas também contempla financiamento para máquinas e equipamentos – Foto: Cadu Gomes/VPR
O governo federal prepara um novo pacote de medidas para reduzir os prejuízos enfrentados por empresas brasileiras atingidas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) informou que, entre as principais ações previstas, está a disponibilização de R$ 21 bilhões em linhas de crédito, além de incentivos direcionados à indústria de máquinas, autopeças e ao setor sucroenergético.
O anúncio ocorreu durante uma audiência na sede do BNDES, em São Paulo, articulada pela deputada estadual Professora Bebel (PT). O encontro reuniu empresários, representantes de trabalhadores, dirigentes sindicais e autoridades de Piracicaba. Durante a reunião, integrantes do setor produtivo apresentaram as dificuldades provocadas pelas novas barreiras comerciais e defenderam medidas para preservar empresas, produção e postos de trabalho.
Segundo Alckmin, o Programa Brasil Soberano 3 deverá ser lançado pelo governo nas próximas duas semanas e contará com R$ 21 bilhões para financiamento. A previsão é permitir o acesso aos recursos por empresas que conseguirem demonstrar perdas superiores a 1% do faturamento em consequência das tarifas norte-americanas. Outra frente anunciada é a ampliação do Move Agricultura, que deverá disponibilizar R$ 10 bilhões para financiar a aquisição de máquinas e equipamentos, alcançando setores como fabricantes de máquinas agrícolas e empresas de autopeças.
O governo também avalia medidas destinadas ao segmento de açúcar e etanol. Alckmin informou que poderá ser encaminhado ao Congresso um projeto para ampliar os efeitos da Medida Provisória nº 1.346/2026, estendendo para outros estados produtores a subvenção direcionada ao setor sucroenergético. Representantes presentes na audiência ainda defenderam incentivos ao consumo de etanol, incluindo a possibilidade de isenção de IPVA para veículos movidos exclusivamente pelo combustível, proposta que depende de decisões dos governos estaduais.
Como continuidade das discussões, deverá ser realizado um encontro técnico em Piracicaba com representantes do BNDES e da Apex-Brasil. A iniciativa pretende explicar aos empresários os caminhos para acessar as novas linhas de financiamento e apresentar alternativas para diversificar as exportações brasileiras. Professora Bebel afirmou que a articulação busca impedir que empresas e trabalhadores sejam os principais prejudicados pela disputa comercial, defendendo ações para preservar empregos e fortalecer a indústria nacional.
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