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Campanha de Flávio Bolsonaro articula ofensiva no Senado para barrar votação da PEC que acaba com a escala 6×1 antes das eleições
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Aliados do candidato do PL apostam em manobras regimentais e no calendário eleitoral para evitar avanço da proposta antes das eleições – Foto: Reprodução/ IA
A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 ganhou espaço na reta final da disputa eleitoral e abriu uma nova frente de confronto entre governo e oposição no Congresso. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta transformar a redução da jornada em uma das principais bandeiras de sua campanha, aliados de Flávio Bolsonaro (PL) trabalham para impedir que a Proposta de Emenda à Constituição avance no Senado antes da votação nas urnas.
A reação ganhou força depois que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), retomou as conversas com Lula e sinalizou disposição para destravar a matéria, que estava parada desde maio. Após encontro com o presidente, Alcolumbre encaminhou a PEC para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde a relatoria ficou com Omar Aziz (PSD-AM), parlamentar próximo ao Palácio do Planalto.
Nos bastidores, a missão de tentar frear a tramitação ficou principalmente nas mãos do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio. Além de negociar para que a votação seja adiada, Marinho apresentou uma proposta alternativa. O texto permite maior negociação sobre jornada e compensação de horários por meio de acordos individuais ou coletivos entre trabalhadores e empregadores. A PEC alternativa também está na CCJ, mas o presidente da comissão, Otto Alencar (PSD-BA), já indicou que não pretende nomear relator para analisá-la neste momento.
Com o Congresso funcionando em ritmo reduzido durante o período eleitoral, os aliados de Flávio enxergam no calendário uma oportunidade para barrar temporariamente a proposta defendida pelo governo. A próxima semana de esforço concentrado está prevista para começar em 31 de agosto, deixando uma janela limitada para análise na CCJ e eventual votação no plenário. Entre as estratégias discutidas estão pedidos de vista, apresentação de emendas e utilização de instrumentos regimentais capazes de prolongar o debate.
Apesar da ofensiva nos bastidores, integrantes da campanha evitam declarar oposição direta ao fim da escala 6×1, diante do forte apelo da pauta entre trabalhadores. A argumentação pública é de que uma mudança dessa dimensão precisa de discussão mais ampla e não deveria ser decidida em pleno período eleitoral. O candidato a vice na chapa de Flávio, deputado Alfredo Gaspar, acusou Lula de tentar explorar eleitoralmente o assunto, embora tenha votado favoravelmente à PEC quando a matéria passou pela Câmara. Nos encontros com o setor empresarial, integrantes da equipe de Flávio também vêm demonstrando preocupação com os possíveis impactos econômicos da redução da jornada.
Mesmo com a movimentação do Palácio do Planalto, ainda não existe garantia de que a PEC chegará ao plenário antes das eleições. Omar Aziz pretende apresentar seu relatório durante o esforço concentrado, mas reconhece que o avanço dependerá de entendimento entre as lideranças partidárias. Otto Alencar também admite que o cenário permanece aberto e não descarta a possibilidade de incorporar pontos da proposta apresentada por Rogério Marinho caso exista acordo. Dessa forma, o fim da escala 6×1 passa a ser não apenas uma discussão sobre direitos trabalhistas, mas também uma das principais disputas políticas entre lulistas e bolsonaristas nesta reta final da campanha eleitoral.
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Após sobreviver a atentado a tiros, advogada Nadia Beller denuncia aliado dos Bolsonaro e revela supostos esquemas nos bastidores de Milei
Nadia afirma que ataque a tiros teria sido planejado para silenciá-la e faz acusações sobre movimentações financeiras, estruturas digitais do governo argentino – Reprodução/ X/ clarincom
A advogada e ativista Nadia Beller apresentou novas acusações contra o consultor digital Fernando Cerimedo, apontado como aliado da família Bolsonaro e ex-estrategista ligado ao governo de Javier Milei. Segundo Beller, Cerimedo teria sido o responsável por ordenar o atentado a tiros do qual ela foi vítima, com o objetivo de impedir que informações sobre supostos esquemas financeiros e políticos fossem levadas às autoridades. As acusações são feitas pela própria advogada e ainda dependem de apuração e comprovação judicial.
Beller falou sobre o caso enquanto estava internada na Clínica Las Américas, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, onde permaneceu sob proteção policial. Ela mostrou ferimentos na região do pescoço e afirmou que dois projéteis permaneceram alojados em seu corpo sem atingir órgãos vitais. A ativista também contestou a versão atribuída à defesa de Cerimedo de que o episódio teria sido uma simulação e sustentou que o ataque foi uma tentativa concreta de assassinato.
De acordo com o relato de Beller, elementos reunidos durante a investigação indicariam contatos anteriores ao atentado e supostas tratativas para contratação dos executores. Ela também afirmou que mensagens incorporadas ao processo mostrariam comunicações após a confirmação de que havia sido baleada. A advogada defendeu a decisão da Justiça boliviana que determinou prisão preventiva de Cerimedo por 180 dias e alegou que, mesmo detido inicialmente, ele ainda buscava manter influência sobre pessoas e administrar suas estruturas digitais.
Beller também relacionou o episódio ao relacionamento que mantinha com Cerimedo. Segundo ela, a descoberta de uma gravidez e sua intenção de procurar as autoridades para denunciar supostas agressões anteriores teriam intensificado o conflito entre os dois. A advogada relatou ter sido vítima de enforcamento em 24 de junho e disse que enfrentava pressões emocionais para não registrar ocorrências policiais. Essas declarações integram a versão apresentada por Beller e deverão ser confrontadas com as provas e manifestações da defesa no processo.
No campo financeiro e político, Beller fez acusações ainda mais amplas. Ela afirmou que Cerimedo movimentava valores elevados e teria mencionado faturamento mensal de aproximadamente US$ 800 mil em Buenos Aires, supostamente apresentado como proveniente de doações. A ativista também atribuiu ao consultor declarações envolvendo Karina Milei, irmã e secretária-geral da Presidência argentina, em suposto esquema de cobrança de propinas relacionado à Agência Nacional de Deficiência (Andis). Beller citou ainda Natalia Basil, ex-mulher de Cerimedo, que teria ocupado função no órgão. As alegações contra integrantes do governo argentino não são apresentadas, no relato fornecido, acompanhadas de comprovação independente.
A advogada afirmou ainda que Cerimedo comandaria estruturas voltadas à disseminação de desinformação, criação de perfis falsos e ataques coordenados nas redes sociais em diferentes países da América Latina. Segundo Beller, uma das principais operações estaria instalada na Argentina e técnicas semelhantes teriam sido utilizadas também no cenário político boliviano. Apesar do atentado e das campanhas que afirma enfrentar, ela declarou que pretende continuar colaborando com as investigações e buscando na Justiça a responsabilização de todos que, segundo sua versão, participaram do ataque. As Informaçõe e do jornal Clarín.
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