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Presidente Lula diz que eleição colocará dois projetos de país frente a frente e alerta contra volta de quem “não gosta de pobre”
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Em ato político em Natal, presidente defende políticas sociais, investimentos em educação e saúde – Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante ato político em Natal, no Rio Grande do Norte, que a eleição presidencial de outubro representará uma escolha entre dois caminhos diferentes para o Brasil. Em discurso voltado principalmente às políticas sociais de seu governo, Lula afirmou que pretende apresentar aos eleitores um projeto baseado na ampliação de direitos, no combate à desigualdade e na criação de oportunidades para a população de menor renda.
Ao estabelecer o contraste com seus adversários, Lula endureceu o discurso e declarou que o Brasil não pode permitir o retorno ao comando do país de grupos que, segundo ele, não priorizam os mais pobres. “Esse país não pode voltar a ser governado por gente que não gosta de pobre”, afirmou. O presidente acrescentou que a disputa colocará, de um lado, quem busca ampliar direitos e, de outro, aqueles que, em sua avaliação, desprezam as necessidades da população.
Ao falar diretamente aos participantes do ato, Lula tentou afastar a ideia de que a eleição deve ser encarada apenas como uma escolha pessoal entre candidatos. “Vocês não têm que votar no Lula, vocês têm que votar em vocês. Se acharem que eu mereço a confiança de vocês, votem em mim, porque eu estou votando em vocês”, declarou. Segundo o presidente, os eleitores devem analisar quais políticas podem melhorar concretamente suas condições de vida antes de decidir o voto.
Lula também utilizou a expansão do acesso ao ensino superior como exemplo das transformações que pretende defender na campanha. O presidente citou universidades, institutos federais e escolas de tempo integral e afirmou que filhos de trabalhadores precisam ter as mesmas possibilidades de estudar e construir uma profissão que jovens de famílias de maior renda. Para ele, ampliar oportunidades educacionais é fundamental para enfrentar desigualdades históricas existentes no país.
Na saúde, Lula destacou a Farmácia Popular e o programa Agora Tem Especialistas, iniciativa voltada à redução das filas por consultas, exames e cirurgias especializadas no Sistema Único de Saúde (SUS). O presidente também mencionou a expansão do atendimento odontológico, inclusive por meio de unidades móveis, e afirmou que novas tecnologias estão sendo utilizadas para ampliar a oferta de próteses e outros serviços para comunidades que enfrentam dificuldades de acesso à assistência.
Na reta final do discurso, Lula relacionou ainda a valorização do salário mínimo, o combate à fome, a reforma agrária e as políticas destinadas às populações indígenas e quilombolas como exemplos do projeto que pretende defender nas urnas. Para o presidente, a eleição de outubro permitirá que a população julgue não somente as promessas dos candidatos, mas também o histórico de cada grupo político. Ao reforçar a polarização entre os projetos, Lula voltou a afirmar que o Brasil não deve ser novamente comandado por quem, segundo ele, “não gosta de pobre”.
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Aloizio Mercadante rebate Flávio Bolsonaro e defende aumento do etanol como estratégia para transição energética no Brasil
Presidente do BNDES afirma que críticas ignoram avanços dos biocombustíveis e destaca mais de R$ 17 bilhões aprovados para investimentos no setor – Foto: André Telles/ BNDES
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, reagiu às declarações do senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra a ampliação da mistura de etanol na gasolina. Em posicionamento público, Mercadante afirmou que as críticas demonstram uma visão ultrapassada sobre a política energética brasileira e classificou o discurso do parlamentar como uma manifestação de “negacionismo climático”.
A reação ocorreu depois de Flávio Bolsonaro questionar a política adotada pelo governo federal durante uma transmissão ao vivo. O senador comparou o aumento da presença do biocombustível na gasolina à chamada “reduflação”, expressão utilizada quando produtos têm seu conteúdo reduzido sem queda proporcional no preço. Flávio declarou que “a gasolina virou etanol” e também levantou dúvidas sobre possíveis impactos da mudança nos motores dos veículos.
Mercadante contestou a argumentação e afirmou que a utilização crescente de combustíveis renováveis não busca prejudicar consumidores, mas diminuir gradualmente a dependência brasileira de derivados do petróleo. Segundo o presidente do BNDES, ampliar o uso do etanol produzido no próprio país fortalece a segurança energética, estimula a indústria nacional, movimenta a agricultura e contribui para a redução das emissões de carbono.
O dirigente também apresentou números dos financiamentos realizados pelo banco para sustentar sua defesa. Desde o início do atual governo Lula, segundo Mercadante, mais de R$ 17 bilhões foram aprovados para projetos ligados aos biocombustíveis, contra R$ 4,4 bilhões registrados no governo anterior. Os investimentos envolvem 17 projetos e devem acrescentar mais de 5 bilhões de litros por ano à capacidade brasileira de produção de etanol. Outros R$ 1,7 bilhão foram destinados ao desenvolvimento de tecnologias, incluindo motores híbridos flex e máquinas agrícolas abastecidas integralmente com etanol.
Para Mercadante, a aposta nos biocombustíveis também integra uma estratégia de reindustrialização e modernização tecnológica do país. O presidente do BNDES destacou que o Brasil acumula décadas de pesquisa e conhecimento na produção de etanol, com participação de universidades, da Embrapa e de instituições públicas. Na avaliação do economista, essa experiência coloca o país em posição privilegiada para transformar a descarbonização da economia em geração de empregos, renda, inovação e maior independência energética.
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