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PF indicia ‘Rei do Lixo’ e mais 24 pessoas em investigação sobre esquema bilionário de contratos públicos

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Operação Overclean apura suspeitas envolvendo emendas parlamentares e contratos que teriam movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão – Foto:  Reprodução/Instagram

A Polícia Federal concluiu mais uma etapa da Operação Overclean com o indiciamento de 25 pessoas investigadas por supostas irregularidades envolvendo recursos públicos. Entre os nomes está o empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”. Fábio e Alex Parentes também aparecem entre os indiciados no inquérito.

Segundo as investigações, o grupo é suspeito de atuar em um esquema relacionado à destinação de emendas parlamentares e à celebração de contratos considerados fraudulentos. A estimativa da PF é de que aproximadamente R$ 1,4 bilhão tenha circulado por meio das contratações investigadas. As apurações envolvem suspeitas de corrupção, fraudes em licitações e desvio de recursos públicos.

Com o encerramento do trabalho policial, o inquérito seguirá para análise do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR). Caberá à PGR avaliar os elementos reunidos pela Polícia Federal e decidir se apresenta denúncia, solicita novas diligências ou requer o arquivamento. No Supremo, o caso está sob a relatoria do ministro Nunes Marques e chegou à Corte após surgirem indícios de possível envolvimento de autoridades com foro privilegiado.

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A Operação Overclean teve sua primeira fase deflagrada em dezembro de 2024, com autorização da Justiça Federal, e avançou em diferentes frentes desde então. Em uma das fases mais recentes, realizada em janeiro, o deputado federal Félix Mendonça Jr. (PDT-BA) esteve entre os alvos das diligências. A investigação é conduzida pela Polícia Federal e conta com a colaboração da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal.

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PF investiga ligação entre imóveis frequentados por Castro e empresas com contratos de mais de R$ 350 milhões

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Apuração mira casa de alto padrão em Petrópolis e cobertura na Barra da Tijuca; investigadores tentam identificar eventual relação entre o uso dos imóveis e empresas.

A Polícia Federal ampliou as investigações envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e passou a apurar se imóveis utilizados por ele teriam sido disponibilizados como possíveis vantagens indevidas em contrapartida a interesses empresariais junto ao governo estadual. A apuração faz parte da segunda fase da Operação Sem Refino e busca esclarecer a relação entre propriedades frequentadas pelo ex-governador e empresários beneficiados por contratos públicos.

Um dos principais pontos investigados é uma residência de luxo localizada em Petrópolis, na Região Serrana. A propriedade está registrada em nome de uma mulher que mantém sociedade com o empresário Luiz Fernando Gomes, proprietário da Engeprat Engenharia e Serviços. A empresa acumulou mais de R$ 350 milhões em contratos com o governo fluminense, dos quais aproximadamente R$ 50 milhões teriam sido firmados sem licitação, segundo os dados mencionados na investigação.

A residência fica em um condomínio de alto padrão na região da Fazenda Inglesa, onde as propriedades são avaliadas em valores superiores a R$ 2 milhões. A Polícia Federal cumpriu mandado de busca no endereço na sexta-feira (14). Os investigadores apuram informações de que Castro frequentava o local, inclusive aos fins de semana, e teria acompanhado reformas realizadas na casa, entre elas a instalação de uma adega.

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Outra frente da investigação envolve a cobertura na Barra da Tijuca onde Castro reside com a família. A PF analisa as circunstâncias relacionadas ao aluguel do apartamento e procura saber se a utilização do imóvel poderia ter alguma conexão com pagamentos ou benefícios destinados à empresa de José Mauro de Farias Júnior, ex-policial federal e ex-secretário estadual de Transformação Digital, apontada como ligada à propriedade.

As apurações avançaram após a análise de materiais apreendidos na primeira fase da Operação Sem Refino, realizada em maio. Na ocasião, agentes recolheram um celular e um tablet no apartamento de Castro. O conteúdo dos equipamentos passou a ser utilizado pelos investigadores para verificar a existência de relações entre o ex-governador, empresários e o grupo ligado à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.

A Polícia Federal também investiga suspeitas de favorecimento à Refit dentro da estrutura do governo estadual, especialmente em procedimentos relacionados a licenças ambientais. A apuração aponta que Castro não teria participado diretamente da concessão das autorizações, mas investiga se sua gestão teria proporcionado condições favoráveis aos interesses da companhia. O então secretário estadual de Meio Ambiente, Bernardo Rossi, e o ex-presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Renato Bussière, são citados na investigação relacionada às decisões administrativas. Ambos negam irregularidades.

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Na segunda etapa da operação, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Além de Castro e Rossi, a ação alcançou outros investigados. A Operação Sem Refino apura suspeitas envolvendo fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e outras irregularidades relacionadas ao setor de combustíveis. O empresário Ricardo Magro, dono da Refit, teve a prisão determinada pelo STF na primeira fase, está foragido e foi incluído na lista vermelha da Interpol.

A defesa de Cláudio Castro rejeita qualquer participação do ex-governador em irregularidades e afirma que a residência de Petrópolis alvo das buscas não mantém ligação com ele há meses. Os advogados também disseram aguardar acesso integral aos elementos da investigação antes de apresentar manifestação detalhada. Bernardo Rossi igualmente nega irregularidades, sustenta que sua atuação na Secretaria de Meio Ambiente seguiu critérios técnicos e legais e afirma confiar no esclarecimento dos fatos pela Justiça.

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