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Prefeitura e Governo do Estado unem forças para combater exploração ilegal nas praias do Rio de Janeiro

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Programa Tolerância Zero começa em 16 de julho e prevê fiscalização reforçada, inteligência integrada e ações contra depósitos clandestinos – Foto: Prefeitura do Rio

A Prefeitura do Rio de Janeiro e o Governo do Estado apresentaram, nesta terça-feira (7), um amplo plano de fiscalização voltado ao combate da ocupação irregular dos espaços públicos da capital. Batizada de Programa Tolerância Zero, a iniciativa pretende intensificar o enfrentamento às atividades ilegais que, segundo as autoridades, movimentam milhões de reais por ano e possuem ligação com organizações criminosas.

A primeira etapa da operação será concentrada nos calçadões das praias do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon. Para isso, dois decretos foram publicados estabelecendo um perímetro especial de fiscalização nessas áreas, onde equipes da prefeitura e das forças estaduais atuarão de forma integrada a partir do dia 16 de julho.

O lançamento ocorreu no Centro de Operações Rio e contou com a presença do prefeito Eduardo Cavaliere e do secretário estadual de Segurança Pública, Victor Santos. A estratégia reúne diferentes órgãos municipais e estaduais com o objetivo de identificar e desmontar estruturas utilizadas para explorar ilegalmente o comércio ambulante e o uso do espaço público.

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Segundo a administração municipal, levantamentos de inteligência apontam a existência de uma rede organizada responsável pela cobrança ilegal de pontos de venda, aluguel clandestino de espaços, exploração de trabalhadores informais e comercialização de produtos sem comprovação de origem. As autoridades afirmam que essas práticas fortalecem financeiramente grupos criminosos.

Como parte da operação, aproximadamente 70 pontos considerados estratégicos receberão fiscalização permanente. Além da presença de agentes nas ruas, o plano prevê monitoramento por câmeras, drones e reforço policial, ampliando a capacidade de resposta contra irregularidades tanto na orla quanto nas vias próximas às praias.

Investigações da Secretaria Municipal de Ordem Pública identificaram ainda 22 depósitos clandestinos utilizados para armazenar mercadorias destinadas ao comércio irregular. De acordo com estimativas do município, esse mercado ilegal movimenta cerca de R$ 100 milhões por ano entre aluguel de pontos, equipamentos e outras atividades ligadas à exploração da orla.

O levantamento também estima a existência de aproximadamente mil pontos de venda funcionando de maneira irregular nos quatro bairros abrangidos pela operação. Entre os problemas detectados estão a venda de produtos falsificados, mercadorias sem nota fiscal e estruturas logísticas utilizadas para abastecer o comércio clandestino, práticas que, segundo o poder público, prejudicam comerciantes legalizados e afetam o turismo.

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As autoridades ressaltaram que a ofensiva não tem como alvo os ambulantes devidamente licenciados pela prefeitura. O foco, segundo os responsáveis pelo programa, será exclusivamente combater esquemas ilegais ligados ao crime organizado, preservando o direito dos trabalhadores regularizados e promovendo maior organização, segurança e controle sobre os espaços públicos da orla carioca. 

Foto: Reprodução/ Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro

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Corregedoria da Polícia Civil do Rio de Janeiro abre investigação contra ex-secretário alvo da Polícia Federal

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Corregedoria abre procedimento disciplinar contra ex-secretário de PC enquanto nova fase da Operação Unha e Carne – Foto: Reprodução/ TV Globo

A Corregedoria da Polícia Civil do Rio de Janeiro instaurou um procedimento disciplinar para apurar a conduta do delegado Marcus Vinícius Amim, ex-secretário da corporação, após ele ser alvo da sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta terça-feira (7) pela Polícia Federal. A ofensiva investiga uma suposta rede de relações entre agentes públicos e organizações criminosas com atuação no estado.

Marcus Vinícius Amim comandou a Polícia Civil fluminense entre outubro de 2023 e agosto de 2024. Sua chegada ao cargo ocorreu após uma alteração na legislação estadual, aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que flexibilizou os critérios para que delegados com menor tempo de carreira pudessem assumir o comando da instituição.

Em nota oficial, a Polícia Civil informou que acompanha o caso e reafirmou seu compromisso com a legalidade e a transparência. A corporação destacou que mantém mecanismos permanentes de fiscalização interna para investigar eventuais irregularidades e afirmou que colaborará integralmente com os órgãos responsáveis pela apuração. Até o fechamento desta reportagem, a defesa do ex-secretário não havia se manifestado.

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A nova etapa da Operação Unha e Carne também concentra esforços sobre uma rede de postos de combustíveis apontada como peça central em um suposto esquema de lavagem de dinheiro que, segundo as investigações, teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões ao longo dos últimos seis anos. A Justiça autorizou o cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão em diversos municípios do estado, além do bloqueio de bens e da suspensão das atividades de empresas investigadas.

Entre os alvos estão o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella, além de empresários, policiais e outros agentes públicos. As investigações também alcançam o ex-policial militar Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, apontado em investigações anteriores como líder de um grupo paramilitar que atuava na Baixada Fluminense.

Segundo a Polícia Federal, as investigações tiveram origem em relatórios produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com as atividades declaradas pelos investigados. Além dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, os envolvidos poderão responder por contratação ilegal e outras infrações que venham a ser identificadas durante o avanço das apurações.

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A Operação Unha e Carne integra um conjunto de medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que estabeleceu o aprofundamento das investigações sobre possíveis vínculos entre agentes públicos e organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro. Desde seu início, em dezembro de 2025, a operação já passou por seis fases e resultou em prisões, buscas e novas frentes de investigação envolvendo autoridades, empresários e integrantes do crime organizado.

Ao longo das etapas anteriores, a operação revelou suspeitas de vazamento de informações sigilosas, proteção institucional a integrantes de facções criminosas, fraudes em contratos públicos e esquemas de financiamento ilícito. A Polícia Federal afirma que as investigações continuam em andamento e que novas diligências poderão ser realizadas conforme a análise do material apreendido nesta sexta fase da operação.

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