RIO DE JANEIRO

Região Centro-oeste

Moraes envia a Fachin relatórios da PF que apontam “fortes indícios” de irregularidades atribuídas a André Mendonça

Publicados

Região Centro-oeste

Documentos citam possível abuso de autoridade, interferência na condução de investigações e suposto direcionamento de diligências – Foto: Reprodução/ IA

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou ao presidente da Corte, Edson Fachin, documentos produzidos pela Polícia Federal que levantam suspeitas sobre a atuação do ministro André Mendonça na supervisão das operações Sem Desconto e Compliance Zero. Na decisão, datada de 3 de setembro, Moraes afirma que o material apresenta “fortes indícios” de possíveis irregularidades e determinou ainda a retirada do sigilo dos documentos e a comunicação do caso à Procuradoria-Geral da República (PGR).

As informações chegaram a Moraes no âmbito do Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news. Segundo a decisão, relatórios de inteligência da PF apontariam que Mendonça, responsável por procedimentos relacionados às duas operações, teria ultrapassado os limites da supervisão judicial e interferido em atribuições próprias dos investigadores. As suspeitas mencionadas no material incluem, em tese, improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Os apontamentos, contudo, são alegações presentes nos relatórios e não significam condenação ou reconhecimento definitivo de responsabilidade.

Leia Também:  Áudio revela pedido de Nikolas Ferreira a Daniel Vorcaro para tratar de ativo minerário ligado a ex-assessor

Entre as situações descritas está a suposta participação do ministro na condução prática das investigações. Conforme trechos reproduzidos por Moraes, a PF teria identificado solicitações de acesso a dados brutos e outras medidas que poderiam colocar o relator em posição semelhante à de quem dirige uma investigação. Os documentos também levantam questionamentos sobre eventual comprometimento da cadeia de custódia de materiais apreendidos e apontam possível diferença no tratamento dispensado a pessoas investigadas.

Os relatórios também abordam negociações envolvendo possíveis acordos de colaboração premiada. De acordo com o material citado na decisão, Mendonça teria acompanhado tratativas relacionadas às operações e buscado informações sobre o andamento das negociações e os elementos apresentados por potenciais colaboradores. A PF teria registrado ainda episódios envolvendo contatos com defensores e discussões sobre benefícios. A legislação estabelece que o magistrado não deve participar das negociações realizadas entre as partes para a formalização de acordos de colaboração.

Outro núcleo considerado relevante envolve a suspeita de direcionamento de diligências para autoridades, entre elas o próprio Alexandre de Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Segundo os documentos mencionados na decisão, Mendonça teria demonstrado interesse na obtenção de elementos relacionados a Moraes, embora, conforme o ministro, PF e PGR não tivessem identificado fato que caracterizasse infração penal de sua parte. Os relatórios também registram questionamentos sobre eventual adoção de critérios diferentes na análise de pessoas ligadas a distintos campos políticos, citando nomes como ACM Neto e Fábio Luís Lula da Silva.

Leia Também:  Banco Master emitiu cartões com limite de R$ 300 mil para filhos de Alexandre de Moraes, apontam mensagens

Ao encaminhar o caso à Presidência do Supremo, Moraes sustentou que o conjunto de informações reunidas apresenta “fortes indícios” de possíveis atos de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade atribuídos a Mendonça durante a relatoria dos procedimentos. Caberá agora ao presidente do STF, Edson Fachin, avaliar quais providências deverão ser tomadas diante do material recebido. A PGR também foi oficialmente cientificada, enquanto a retirada do sigilo permite que o conteúdo da decisão e dos relatórios mencionados passe a ser conhecido publicamente.

Propaganda

Região Centro-oeste

Por 6 votos a 0, TRE-MG indefere registro da candidatura de Eduardo Cunha; ex-presidente da Câmara contesta decisão

Publicados

em

Ex-presidente da Câmara teve registro indeferido por 6 votos a 0 – Foto: Reprodução / Instagram/ @deputadoeduardocunha

O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) rejeitou, por unanimidade, nesta quinta-feira (3), o registro da candidatura do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos), que pretende disputar uma cadeira de deputado federal por Minas Gerais nas eleições de 2026. Os seis integrantes da Corte votaram pelo indeferimento do registro ao analisar ações que questionavam a elegibilidade do político.

A decisão ocorreu durante o julgamento de uma ação de impugnação apresentada por Roberta Lopes Alves e de outra iniciativa do Ministério Público Eleitoral (MPE). A primeira foi considerada procedente, enquanto a manifestação do MPE foi acolhida parcialmente. O entendimento adotado pelo tribunal representa um obstáculo à tentativa de Cunha de retornar à Câmara dos Deputados.

Após o julgamento, Eduardo Cunha reagiu e informou que recorrerá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ex-deputado classificou a decisão como política e contestou o entendimento jurídico adotado pelo TRE-MG, argumentando que a Corte eleitoral teria avançado sobre uma competência do Supremo Tribunal Federal (STF). Mesmo com o resultado desfavorável, ele declarou que seguirá defendendo sua participação no pleito.

Leia Também:  Metadados analisados pela PF associam Alexandre de Moraes à revisão de contrato milionário com Banco Master

A controvérsia envolvendo a elegibilidade de Cunha passa por uma condenação da Justiça do Rio de Janeiro. Em 2019, a 10ª Vara de Fazenda Pública determinou a suspensão de seus direitos políticos por oito anos, decisão posteriormente mantida por órgão colegiado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). Em 2022, o ex-parlamentar conseguiu uma decisão provisória suspendendo os efeitos da condenação, mas a medida acabou sendo revogada após recurso.

Para o Ministério Público Eleitoral, a derrubada da decisão provisória fez com que os efeitos da condenação voltassem a valer, alcançando também a situação eleitoral do ex-deputado. Cunha, que presidiu a Câmara durante o processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff em 2016, teve o mandato cassado naquele mesmo ano e posteriormente passou cerca de três anos e meio preso após ser alvo de investigações relacionadas à Operação Lava Jato.

Mais recentemente, Cunha voltou ao centro de uma investigação envolvendo recursos públicos. Em julho, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou o bloqueio de R$ 6,15 milhões relacionados ao ex-deputado em uma apuração sobre supostos desvios de emendas parlamentares. A defesa nega irregularidades e sustenta que Cunha não apresentou nem formalizou as emendas investigadas. Agora, além desse processo, o ex-presidente da Câmara terá de buscar no TSE uma decisão favorável para tentar permanecer na disputa eleitoral de 2026.

Leia Também:  Áudio revela pedido de Nikolas Ferreira a Daniel Vorcaro para tratar de ativo minerário ligado a ex-assessor
Continue lendo

POLÍTICA

TUDO SOBRE POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

GERAL

MAIS LIDAS DA SEMANA