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Áudio revela pedido de Nikolas Ferreira a Daniel Vorcaro para tratar de ativo minerário ligado a ex-assessor

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Deputado procurou dono do Banco Master, encaminhou contato de Thiago Faria e também se desculpou por críticas anteriores – Montagem: Reprodução/ Senado/ Divulgação/ Banco Master

Uma troca de mensagens entre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, revela que o parlamentar procurou o banqueiro para apresentar uma demanda envolvendo seu advogado e ex-assessor, Thiago Rodrigues de Faria. O contato ocorreu em março de 2025 e tinha como assunto um ativo relacionado ao setor de mineração que, segundo Nikolas, estaria aguardando encaminhamentos.

No áudio enviado a Vorcaro, o deputado adotou um tom de proximidade e explicou que Thiago era uma pessoa de sua inteira confiança. Nikolas afirmou não conhecer os detalhes da negociação, mas relatou que o advogado havia mencionado um ativo minerário que já teria passado por uma análise técnica e ainda possuía questões pendentes. O parlamentar então se colocou como intermediário para estabelecer o contato entre os dois.

A conversa avançou com o envio do telefone de Thiago Faria ao banqueiro. Vorcaro respondeu de forma amistosa e orientou que o advogado entrasse em contato diretamente com ele. No dia seguinte, Nikolas voltou a procurar o empresário e informou que Faria estaria em Brasília e poderia encontrá-lo em qualquer horário. Vorcaro respondeu posteriormente com a expressão “Deixa comigo”. O conteúdo conhecido das mensagens, entretanto, não comprova que alguma providência tenha sido efetivamente adotada pelo banqueiro em relação ao ativo minerário.

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O diálogo também mostra Nikolas tentando esclarecer um episódio anterior envolvendo o Banco Master. O deputado mencionou publicações feitas em abril de 2024, quando criticou um evento patrocinado pela instituição em Londres que contou com a presença de integrantes de tribunais superiores. Na mensagem, afirmou que posteriormente conversou com o pastor André Valadão e que, quando realizou as críticas, não sabia que a instituição era comandada por Vorcaro. Nikolas indicou ainda que, se tivesse conhecimento dessa ligação, teria buscado conversar antes da publicação.

Procurado sobre o conteúdo das conversas, Thiago Faria afirmou que conhecia Daniel Vorcaro por ambos serem de Belo Horizonte e confirmou sua atuação profissional no segmento de mineração. Segundo ele, o ativo minerário teria sido apresentado a diferentes pessoas e a negociação estaria relacionada a um contrato conhecido no setor. Faria também declarou não possuir envolvimento com eventuais irregularidades e afirmou não ter sido chamado pela Polícia Federal para prestar depoimento sobre o caso.

O nome do advogado ganhou maior repercussão posteriormente, ao aparecer em reportagens sobre as apurações da Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2025. A investigação teve como alvo um suposto esquema criminoso relacionado à exploração ilegal de minério de ferro na região da Serra do Curral, em Nova Lima, na Grande Belo Horizonte. Conforme informações divulgadas sobre a investigação, a operação resultou no cumprimento de 22 mandados de prisão preventiva.

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Reportagem do jornal Estado de Minas apontou que Faria teria participado, mediante contrato de confidencialidade, da intermediação de uma negociação envolvendo direitos de exploração mineral e empresas investigadas. Entre elas aparece a Gmais Ambiental, que havia firmado, em janeiro de 2025, um contrato com a Thiago Rodrigues Sociedade Individual de Advocacia. O documento previa remuneração vinculada ao resultado de uma operação estimada entre US$ 30 milhões e US$ 45 milhões, caso fossem obtidas autorizações necessárias para retomada da atividade minerária e posterior negociação da lavra.

As apurações também relacionaram a negociação à Topázio Imperial, empresa detentora de direitos minerários em uma área onde está localizada a barragem Água Fria, apontada entre estruturas consideradas de elevado risco no país. A atividade no local estava suspensa por medida judicial provocada pelo Ministério Público Federal. Segundo trechos do inquérito atribuídos à Polícia Federal e divulgados pela imprensa, investigadores identificaram a intenção de viabilizar a liberação da empresa para posterior venda e exploração da lavra. Até o conteúdo conhecido das mensagens entre Nikolas e Vorcaro, porém, não há elemento que demonstre que o pedido apresentado pelo deputado tenha resultado na concretização dessa operação. A informação foi revelada pela jornalista Juliana Dal Piva, do ICL Notícias.

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Por 6 votos a 0, TRE-MG indefere registro da candidatura de Eduardo Cunha; ex-presidente da Câmara contesta decisão

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Ex-presidente da Câmara teve registro indeferido por 6 votos a 0 – Foto: Reprodução / Instagram/ @deputadoeduardocunha

O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) rejeitou, por unanimidade, nesta quinta-feira (3), o registro da candidatura do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos), que pretende disputar uma cadeira de deputado federal por Minas Gerais nas eleições de 2026. Os seis integrantes da Corte votaram pelo indeferimento do registro ao analisar ações que questionavam a elegibilidade do político.

A decisão ocorreu durante o julgamento de uma ação de impugnação apresentada por Roberta Lopes Alves e de outra iniciativa do Ministério Público Eleitoral (MPE). A primeira foi considerada procedente, enquanto a manifestação do MPE foi acolhida parcialmente. O entendimento adotado pelo tribunal representa um obstáculo à tentativa de Cunha de retornar à Câmara dos Deputados.

Após o julgamento, Eduardo Cunha reagiu e informou que recorrerá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ex-deputado classificou a decisão como política e contestou o entendimento jurídico adotado pelo TRE-MG, argumentando que a Corte eleitoral teria avançado sobre uma competência do Supremo Tribunal Federal (STF). Mesmo com o resultado desfavorável, ele declarou que seguirá defendendo sua participação no pleito.

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A controvérsia envolvendo a elegibilidade de Cunha passa por uma condenação da Justiça do Rio de Janeiro. Em 2019, a 10ª Vara de Fazenda Pública determinou a suspensão de seus direitos políticos por oito anos, decisão posteriormente mantida por órgão colegiado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). Em 2022, o ex-parlamentar conseguiu uma decisão provisória suspendendo os efeitos da condenação, mas a medida acabou sendo revogada após recurso.

Para o Ministério Público Eleitoral, a derrubada da decisão provisória fez com que os efeitos da condenação voltassem a valer, alcançando também a situação eleitoral do ex-deputado. Cunha, que presidiu a Câmara durante o processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff em 2016, teve o mandato cassado naquele mesmo ano e posteriormente passou cerca de três anos e meio preso após ser alvo de investigações relacionadas à Operação Lava Jato.

Mais recentemente, Cunha voltou ao centro de uma investigação envolvendo recursos públicos. Em julho, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou o bloqueio de R$ 6,15 milhões relacionados ao ex-deputado em uma apuração sobre supostos desvios de emendas parlamentares. A defesa nega irregularidades e sustenta que Cunha não apresentou nem formalizou as emendas investigadas. Agora, além desse processo, o ex-presidente da Câmara terá de buscar no TSE uma decisão favorável para tentar permanecer na disputa eleitoral de 2026.

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