Região Centro-oeste
Metadados analisados pela PF associam Alexandre de Moraes à revisão de contrato milionário com Banco Master
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Escritório de Viviane Barci de Moraes afirma que o ministro apenas verificou possíveis impedimentos legais – Foto: Ascom STF
Informações extraídas pela Polícia Federal de um arquivo localizado no celular do empresário Daniel Vorcaro indicam que uma versão do contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes passou por uma edição vinculada ao nome do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O documento previa a prestação de serviços advocatícios pela banca comandada por Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado, durante três anos, por um valor bruto total estimado em R$ 131,2 milhões.
O material foi recuperado do aparelho de Vorcaro, apreendido em novembro de 2025 durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. Conforme os registros das conversas, Viviane encaminhou a minuta inicial ao banqueiro em 11 de janeiro de 2024. Quatro dias depois, o controlador do Banco Master devolveu o documento preenchido e com a inclusão de uma cláusula, solicitando que o escritório avaliasse a mudança antes da assinatura.
A análise técnica dos metadados aponta que o arquivo foi aberto e alterado aproximadamente uma hora e 40 minutos depois de retornar ao escritório. No histórico do Microsoft Office 365, o usuário relacionado à modificação aparecia identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. Já Guilherme de Toledo Benazzi, administrador da banca Barci de Moraes, constava como autor original do documento. A presença do nome no registro eletrônico é um dos elementos incorporados à investigação, mas, isoladamente, não esclarece o alcance exato das alterações realizadas.
Após a revisão, Viviane voltou a encaminhar o contrato a Vorcaro em 17 de janeiro. Nos dias seguintes, os dois discutiram a forma de assinatura, inicialmente com o envio de vias impressas e confidenciais à sede do escritório, em São Paulo. Posteriormente, a formalização também ocorreu eletronicamente. Antes dessa etapa, a análise jurídica pelo lado do banco teria contado com a participação do advogado Leonardo Palhares, que se tornou alvo de outra fase da Compliance Zero sob suspeita de envolvimento em pagamentos ilícitos a ex-dirigentes do Banco Central. Os citados negam as acusações.
Pelo acordo, o Banco Master deveria pagar 36 parcelas líquidas de R$ 3 milhões ao escritório. Com os tributos, cada prestação alcançaria cerca de R$ 3,64 milhões. Dados fiscais enviados ao Senado mostram que a banca recebeu R$ 80,2 milhões em 22 pagamentos efetuados entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Os repasses foram interrompidos após a liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central e a prisão de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal.
Em nota, o escritório Barci de Moraes confirmou que Alexandre de Moraes examinou a proposta, mas sustentou que a consulta ocorreu exclusivamente para verificar a existência de possíveis impedimentos legais ou processos no STF relacionados ao banco. A banca declarou que o ministro nunca julgou causas envolvendo o Banco Master e afirmou que os serviços contratados foram efetivamente prestados. Procurados pelo jornal O Estado de S. Paulo, Moraes e a defesa de Vorcaro não apresentaram manifestação até a publicação da reportagem citada. As informações e do O Estado de São Paulo.
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Banco Master emitiu cartões com limite de R$ 300 mil para filhos de Alexandre de Moraes, apontam mensagens
Trocas de mensagens indicam que Vorcaro autorizou andamento da emissão – Foto: Banco Master/ Divulgação/ Gustavo Moreno/STF
Novas informações envolvendo a relação do Banco Master com a família do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), vieram a público. Mensagens relacionadas ao banco indicam que cartões de crédito com limite de R$ 300 mil foram emitidos para filhos do magistrado. O episódio ocorre em meio às revelações sobre os vínculos mantidos pela instituição financeira com o escritório Barci de Moraes.
As tratativas teriam ocorrido em outubro de 2025, quando Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório comandado pela advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, entrou em contato com Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master. Segundo as informações divulgadas, a conversa aconteceu aproximadamente 15 dias antes da prisão do banqueiro e tinha como objetivo viabilizar a emissão dos cartões.
De acordo com as mensagens reveladas pelo jornalista Fausto Macedo, Vorcaro encaminhou ao administrador o contato de Adriana Solano, ligada ao Banco Master, para que a solicitação tivesse prosseguimento. Posteriormente, Adriana teria consultado diretamente o banqueiro sobre a possibilidade de emitir os cartões destinados aos filhos de Alexandre de Moraes, recebendo autorização para continuar o procedimento.
O caso chama atenção também pela relação comercial existente entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes. A banca havia firmado contrato de R$ 131 milhões com a instituição financeira, circunstância que já vinha sendo alvo de questionamentos públicos. Com a divulgação das novas conversas, a participação de Vorcaro nas tratativas envolvendo os cartões acrescenta mais um elemento ao escrutínio sobre essa relação.
O escritório Barci de Moraes confirmou que os cartões chegaram a ser emitidos, mas sustentou que eles nunca foram utilizados. Segundo a manifestação da banca, os cartões foram “jamais usados por qualquer advogado ou pessoa do escritório”. A declaração busca afastar a existência de benefício financeiro decorrente da concessão dos limites.
Até o momento, a emissão dos cartões, isoladamente, não demonstra a ocorrência de qualquer ilegalidade. Alexandre de Moraes e Viviane Barci de Moraes têm negado irregularidades na relação com o Banco Master. As revelações, porém, ampliam as discussões públicas sobre transparência e eventuais conflitos de interesse envolvendo relações privadas entre instituições financeiras e familiares de integrantes do Supremo Tribunal Federal.
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