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Brasil sob governo Lula lidera investimentos estrangeiros na América Latina e atrai quase US$ 78 bilhões em capital internacional

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País concentrou 40% de todo o capital externo destinado à região, impulsionado por tecnologia, inteligência artificial – Foto: Ricardo Stuckert

O Brasil encerrou 2025 como o principal destino de investimentos estrangeiros na América Latina e no Caribe. Ao longo do ano, o país recebeu US$ 77,67 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto (IED), montante correspondente a aproximadamente 40% dos US$ 194,23 bilhões movimentados em toda a região, reforçando o peso da economia brasileira na atração de capital internacional.

Os números fazem parte do relatório Programas de Migração por Investimento na América Latina: Uma Análise Comparativa, produzido pela consultoria Global Citizen Solutions. Na segunda posição aparece o México, que recebeu US$ 43,22 bilhões, equivalente a 22% do total. Somados, brasileiros e mexicanos concentraram 62% dos investimentos estrangeiros direcionados aos países latino-americanos e caribenhos durante o período.

O avanço brasileiro também está relacionado à expansão da economia digital e à disputa internacional por infraestrutura voltada à inteligência artificial. Entre os grandes projetos mencionados pelo levantamento está um investimento de US$ 2,7 bilhões anunciado pela Microsoft para ampliar sua capacidade de computação em nuvem e IA no país. A Alibaba Cloud também decidiu instalar no Brasil seu primeiro data center na América Latina, ampliando a importância estratégica do mercado nacional para o setor tecnológico.

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Os dados mostram ainda uma mudança no destino do dinheiro estrangeiro que chega à América Latina. Em vez de permanecer fortemente concentrado apenas em commodities e recursos naturais, o capital passou a avançar sobre serviços, tecnologia, telecomunicações, logística, energia e infraestrutura. Em 2025, o setor de serviços respondeu por 53% do IED recebido pela região, enquanto os recursos naturais ficaram com uma participação de 16%.

Além dos investimentos diretos, o mercado brasileiro apresentou forte movimentação empresarial. Mais de 1.800 operações de fusões e aquisições foram registradas no país em 2025, movimentando aproximadamente US$ 58 bilhões. O desempenho mantém o Brasil como um dos principais centros de negócios da região e evidencia o interesse de investidores por empresas e ativos brasileiros, principalmente em segmentos considerados estratégicos para os próximos anos.

Apesar do protagonismo na entrada de recursos, o Brasil ocupa somente a sétima posição entre 11 programas latino-americanos de residência por investimento analisados pela consultoria. Ainda assim, fatores como o tamanho do mercado consumidor, a expansão da infraestrutura tecnológica, a disponibilidade de energia, a presença de empresas de grande porte e um contingente estimado em 386 mil milionários em dólar ajudam a explicar por que o país permanece na dianteira regional na atração de investimentos internacionais.

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Flávio é cobrado por transparência sobre milhões do filme “Dark Horse” e tenta afastar responsabilidade por negociação com Vorcaro

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Senador havia prometido apresentar esclarecimentos sobre recursos destinados à produção sobre Jair Bolsonaro – Crédito: Brasil 247

A controvérsia envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, voltou a colocar Flávio Bolsonaro no centro de questionamentos sobre a origem e o destino de recursos milionários. O senador e candidato do PL à Presidência reagiu às cobranças afirmando que os esclarecimentos já teriam sido apresentados e que a responsabilidade pela prestação de contas caberia à produtora responsável pelo projeto.

A discussão ganhou força depois da divulgação, em maio, de áudios atribuídos a conversas envolvendo Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Na ocasião, vieram à tona informações de que o senador teria participado das tratativas para conseguir recursos destinados à produção. Diante da repercussão, Flávio afirmou que haveria uma prestação de contas em até 30 dias. Passados mais de três meses, porém, permanecem questionamentos sobre documentos, valores e a participação de cada envolvido na negociação.

Ao ser novamente confrontado sobre o assunto, Flávio mudou o eixo da responsabilidade. O senador afirmou que não seria ele quem deveria apresentar as contas, mas a Go Up Entertainment, produtora comandada por Karina da Gama. Também sustentou que informações divulgadas pela imprensa demonstrariam que a empresa gastou na produção valor superior ao investimento recebido de Vorcaro. A declaração, contudo, não esclarece por que o próprio parlamentar havia assumido publicamente o compromisso de apresentar explicações sobre o financiamento.

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Outro ponto que mantém o caso sob questionamento está na documentação apresentada no âmbito da investigação em São Paulo. Segundo informações já divulgadas sobre a apuração, uma perícia anexada ao procedimento teria sido contratada pela defesa de Karina da Gama e não seria acompanhada de todos os recibos e notas fiscais correspondentes aos gastos informados. Dessa forma, o material citado como demonstração de prestação de contas não elimina, por si só, as dúvidas sobre a movimentação financeira relacionada ao longa.

Os números envolvidos aumentam a necessidade de esclarecimentos. A produtora teria declarado aproximadamente R$ 75 milhões em despesas relacionadas a Dark Horse, com cerca de R$ 54 milhões destinados a gastos realizados no exterior, embora as filmagens tenham ocorrido no Brasil. Também existem questionamentos sobre a origem de outros R$ 20,9 milhões utilizados nacionalmente. A empresária responsável pela produtora também está ligada ao Instituto Conhecer Brasil, organização citada em investigação relacionada a um contrato de aproximadamente R$ 108 milhões para instalação de wi-fi na periferia de São Paulo.

Nesse cenário, a tentativa de classificar o financiamento do filme exclusivamente como uma operação entre particulares enfrenta questionamentos. A apuração busca esclarecer, entre outros pontos, se recursos públicos podem ter alcançado direta ou indiretamente a produção. As conexões empresariais e financeiras envolvendo a produtora e a organização contratada pelo poder público fazem com que a investigação ultrapasse a discussão sobre uma simples relação comercial privada.

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Também chama atenção o esforço de Flávio Bolsonaro para estabelecer distância política de Daniel Vorcaro. Ao responder aos jornalistas, o senador rejeitou ser associado publicamente ao banqueiro. Entretanto, as informações reveladas anteriormente apontam que ele próprio teria participado da busca por financiamento para o projeto. Vorcaro teria destinado R$ 61 milhões aos produtores através de um fundo nos Estados Unidos, enquanto as tratativas mencionadas nos áudios chegaram a envolver cifras ainda maiores.

Em meio às cobranças, Flávio passou a mencionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e supostos encontros envolvendo Vorcaro e outras figuras. A estratégia desloca a discussão para o adversário político, mas não resolve as perguntas relacionadas diretamente ao senador. A questão que permanece é objetiva: qual foi o papel de Flávio na negociação do financiamento de Dark Horse, de onde vieram integralmente os recursos e quais documentos demonstram a destinação dos milhões movimentados? Depois de ter prometido transparência, a mudança de discurso mantém o caso aberto a questionamentos justamente no momento em que o senador busca apresentar ao país sua candidatura à Presidência.

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