Região Centro-oeste
Mendonça interrompe julgamento no STF sobre tributação de lucros da Vale no exterior após maioria favorável à União
Região Centro-oeste
Pedido de destaque leva disputa bilionária para o plenário físico e zera placar que estava em 6 a 4 pela cobrança de IRPJ e CSLL – Gustavo Moreno/ STF
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), interrompeu nesta sexta-feira (28) o julgamento que analisa a possibilidade de cobrança de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre resultados obtidos por empresas controladas pela Vale fora do Brasil. O ministro apresentou pedido de destaque, retirando a discussão do plenário virtual e levando o processo para julgamento presencial.
A intervenção ocorreu quando a Corte já havia formado maioria favorável à União. O placar estava em 6 votos a 4 pela possibilidade de tributação dos lucros registrados por controladas da mineradora instaladas na Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo. Com o destaque, porém, a votação virtual é interrompida e o caso deverá ser novamente apreciado no plenário físico, sem data definida para entrar na pauta.
A posição que conquistou maioria durante a sessão virtual foi aberta pelo ministro Gilmar Mendes. Ele acolheu o recurso apresentado pela União e considerou possível tratar os lucros das empresas controladas no exterior como acréscimo patrimonial positivo da companhia brasileira, permitindo, dessa maneira, a incidência dos dois tributos federais.
Para fundamentar seu entendimento, Gilmar Mendes recorreu a precedente do próprio Supremo relacionado à tributação de resultados obtidos por companhias brasileiras por meio de controladas e coligadas localizadas no exterior. Na avaliação do ministro, esse entendimento também poderia ser aplicado ao caso da Vale, inclusive envolvendo empresas sediadas em países que não são classificados como paraísos fiscais.
A disputa está no Supremo desde 2015 e ganhou grande relevância para o setor empresarial devido aos possíveis efeitos sobre outras companhias brasileiras com operações internacionais. Nota técnica da Receita Federal, mencionada no julgamento, estimou impacto econômico-financeiro de aproximadamente R$ 142,5 bilhões considerando o período entre 2017 e 2021, além de uma repercussão potencial de R$ 28,5 bilhões por ano nos exercícios seguintes.
O pedido de destaque também repercutiu entre especialistas da área tributária. A advogada Renata Emery, sócia do TozziniFreire Advogados, avaliou positivamente a transferência da discussão para o plenário físico e defendeu um debate mais aprofundado sobre os limites da tributação. Para ela, a controvérsia ultrapassa o caso específico da Vale e pode afetar diretamente empresas brasileiras que possuem investimentos e operações em outros países, tornando a decisão do STF relevante para o ambiente econômico e tributário nacional.
Região Centro-oeste
Ministro Flávio Dino libera à Polícia Federal dados de operação que atingiu produtora de filme sobre Bolsonaro
Ministro autorizou investigadores a acessarem materiais apreendidos em ação contra produtora e entidades ligadas ao longa “Dark Horse” – Foto: Gustavo Moreno/ STF
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a utilizar informações e documentos recolhidos durante uma operação da Polícia Civil de São Paulo que teve entre os alvos a produtora Karina Ferreira da Gama. Ela está envolvida na produção de “Dark Horse”, filme que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida foi tomada após solicitação da PF, que investiga a possível utilização de recursos provenientes de emendas parlamentares no projeto cinematográfico.
A investigação paulista, realizada em junho, alcançou Karina, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Go Up Entertainment, empresa responsável pela produção do longa. As buscas ocorreram tanto nas sedes das organizações quanto em dois imóveis residenciais relacionados à produtora.
Apesar de a apuração conduzida pela Polícia Civil ter origem diferente da investigação federal, o material apreendido poderá agora ser analisado pelos agentes da PF. Os investigadores buscam identificar a movimentação dos recursos e esclarecer se dinheiro público destinado a entidades vinculadas ao projeto acabou sendo empregado, direta ou indiretamente, na realização do filme.
Em São Paulo, a investigação apura suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos relacionados a um contrato celebrado entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo. Foi justamente no decorrer dessa operação que documentos, equipamentos e outros dados de interesse investigativo foram recolhidos e passaram a despertar a atenção da Polícia Federal.
Outro ponto sob análise envolve emendas parlamentares encaminhadas para organizações relacionadas ao caso. Cinco parlamentares aparecem no contexto da apuração, entre eles o deputado federal Mário Frias, que destinou R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil em 2024. A PF procura estabelecer o caminho percorrido pelo dinheiro e verificar se houve alguma ligação entre esses recursos e os custos da produção cinematográfica.
Com a autorização de Dino, a Polícia Federal passa a contar com um volume maior de informações para confrontar documentos, transações e demais elementos já reunidos no inquérito. Mário Frias, por sua vez, declarou em maio que as emendas de sua autoria destinadas ao Instituto Conhecer Brasil não tiveram como finalidade financiar “Dark Horse”. A investigação deverá determinar se houve ou não emprego de recursos públicos na produção do filme sobre Bolsonaro.
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