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Relatório da Polícia Federal cita encontro do ministro Alexandre de Moraes, Hugo Motta e Ciro Nogueira na casa de Daniel Vorcaro
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Mensagens incluídas na investigação indicam que a reunião aconteceu em março de 2025 – Foto: Agência Câmara | Agência Senado | STF
Um relatório elaborado pela Polícia Federal menciona um encontro realizado, em março de 2025, na residência de Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master. Segundo o documento, estiveram no local o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
A referência à reunião foi localizada em uma conversa entre Vorcaro e sua então namorada, Martha Graeff. O conteúdo integra o material remetido pela PF ao ministro André Mendonça, do STF, responsável por retirar o sigilo dos documentos relacionados à apuração.
Nas mensagens analisadas pelos investigadores, Martha perguntou se o então banqueiro estava acompanhado e informou que aguardaria o encerramento do compromisso. Vorcaro respondeu que Hugo Motta e Ciro Nogueira haviam chegado à residência para conversar com “Alexandre”, sem apresentar, naquele trecho, mais informações sobre o assunto discutido.
O registro passou a integrar as apurações sobre as relações mantidas por Vorcaro com integrantes dos Três Poderes. A PF também encontrou outros diálogos nos quais o empresário mencionava encontros com uma pessoa identificada como “Alexandre Moraes”, inclusive em conversas registradas no mês seguinte à reunião relatada na residência.
O relatório ainda aponta que a proximidade de Vorcaro com Hugo Motta e Ciro Nogueira teria ocorrido em outras oportunidades. Em junho de 2024, o então controlador do Banco Master teria organizado reservas em um hotel de Lisboa, em Portugal, para ele próprio e para pessoas identificadas como “Ciro” e “Hugo”, associadas pelos investigadores aos dois parlamentares.
Hugo Motta confirmou posteriormente à CNN que viajou para Portugal em uma aeronave de Vorcaro. O presidente da Câmara declarou que recebeu uma carona após ser convidado de última hora para o Fórum de Lisboa e sustentou que o empresário não apresentou qualquer pedido ou exigência em troca da viagem.
Outra frente da investigação analisa uma mensagem na qual Vorcaro mencionava a necessidade de contar com a “proteção” de pessoas chamadas “Andrei” e “Paulo”. Para a PF, os nomes fariam referência ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. André Mendonça solicitou informações à Procuradoria-Geral da República sobre o conteúdo, que, conforme os investigadores, teria Alexandre de Moraes como destinatário.
A Polícia Federal também trabalha na tentativa de recuperar mensagens apagadas do celular de Vorcaro, incluindo conversas que teriam sido enviadas pelo modo de visualização única do WhatsApp. Embora o novo relatório registre a afirmação privada do ex-banqueiro sobre a presença de Motta, Ciro e Moraes em sua residência, o documento não esclarece o teor da reunião nem aponta, apenas com base nesse encontro, a prática de irregularidade pelas autoridades mencionadas. A informação foi revelada pela CNN Brasil
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Relatório do Coaf desmente versão de Flávio Bolsonaro e revela que repasses de Vorcaro para o filme Dark Horse superaram R$ 65 milhões
Relatório do Coaf e mensagens obtidas pela revista piauí indicam transferências posteriores a maio de 2025; Polícia Federal investiga o caminho percorrido pelo dinheiro.
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), divulgado em reportagem da revista piauí, apresenta informações que contradizem a versão dada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o financiamento de Dark Horse, filme inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista à GloboNews, o parlamentar afirmou que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria suspendido os pagamentos em maio de 2025. O documento, porém, registra uma transferência de US$ 1.666.667 realizada em 16 de setembro daquele ano para o Havengate Development Fund, responsável por administrar os recursos destinados à produção.
Segundo a apuração, o novo pagamento foi efetuado oito dias depois de Flávio enviar uma mensagem cobrando de Vorcaro a regularização de parcelas atrasadas. Com a transferência identificada em setembro, o total repassado pelo banqueiro teria aumentado de US$ 10,6 milhões para aproximadamente US$ 12,3 milhões, valor superior a R$ 65 milhões na cotação do período. A operação não havia sido tornada pública quando o senador apresentou sua versão sobre o encerramento dos pagamentos.
Conversas mantidas entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda também levantam a possibilidade de uma oitava parcela. Em outubro de 2025, Miranda teria alertado o banqueiro de que a produção poderia ser interrompida caso os recursos não fossem liberados. Vorcaro respondeu que havia autorizado outro pagamento e pediu que o publicitário se desculpasse com Flávio pelo atraso. Se essa remessa, estimada em US$ 1,6 milhão, tiver sido concluída, o financiamento destinado ao projeto pode ter alcançado US$ 14 milhões, cerca de R$ 72 milhões. O contrato previa, ao todo, o aporte de US$ 24 milhões.
As novas informações se somam às diferentes declarações apresentadas por Flávio Bolsonaro desde que sua ligação com Vorcaro passou a ser questionada. Em março de 2025, o senador declarou à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que nunca havia mantido contato com o banqueiro. Posteriormente, negou que o empresário tivesse financiado o filme. Na GloboNews, disse ainda que o Havengate era fiscalizado pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, a SEC, e que a estrutura teria sido encerrada após o surgimento das suspeitas envolvendo Vorcaro. Conforme a reportagem, entretanto, o fundo não aparece nos registros da SEC e continuava ativo no estado do Texas.
Questionada pela piauí, a assessoria de Flávio não explicou a divergência entre as declarações do senador e os dados apresentados no relatório. A equipe afirmou que as perguntas sobre os pagamentos deveriam ser encaminhadas à produtora responsável pelo longa-metragem. Paralelamente, a Polícia Federal investiga a estrutura utilizada nas remessas, que não teriam saído diretamente das empresas de Vorcaro nem ingressado de forma imediata nas contas da produtora Go Up Entertainment. Os valores teriam passado por uma empresa ligada ao operador de câmbio Antonio Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, antes de chegarem ao Havengate.
O fundo sediado no Texas é administrado pelo advogado Paulo Calixto, apontado como próximo do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Os investigadores procuram saber se todo o dinheiro enviado ao Havengate foi aplicado na produção cinematográfica ou se parte permaneceu sob controle do fundo. Eduardo afirmou anteriormente que investiu apenas US$ 50 mil no projeto e que recebeu o valor de volta, embora documentos da produção o identifiquem como produtor executivo e, em outros registros, como financiador. Até agora, segundo as informações disponíveis, a investigação não encontrou provas materiais de que os recursos tenham sido usados para pagar despesas pessoais do deputado. As informações e da revista Piauí.
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