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Patrimônio dos candidatos do PL cresce 184% em quatro anos, chega a R$ 4,9 bilhões e coloca partido na liderança

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Levantamento baseado nas declarações entregues à Justiça Eleitoral mostra crescimento expressivo desde 2022 – Foto: Kayo Magalhães/ Agência Câmara

O Partido Liberal (PL) chegou às eleições de 2026 na primeira posição entre as legendas com o maior volume de patrimônio declarado por seus candidatos. Juntos, os concorrentes do partido informaram R$ 4,9 bilhões em bens à Justiça Eleitoral, uma alta de 184% na comparação com o pleito de 2022. O montante representa 15,7% de toda a riqueza declarada pelos candidatos brasileiros neste ano.

O crescimento chama atenção principalmente porque não foi acompanhado por uma expansão significativa no número de candidaturas da sigla. Em 2022, quando 1.629 candidatos do PL declararam aproximadamente R$ 1,7 bilhão, o partido já estava entre as legendas com patrimônio elevado. Em 2026, são 1.636 concorrentes, apenas sete a mais, enquanto a soma dos bens aumentou cerca de R$ 3,2 bilhões. Os números foram compilados pelo g1 com base nas informações apresentadas pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em todo o país, os candidatos registrados para as eleições de outubro declararam patrimônio conjunto de R$ 31,1 bilhões. O resultado também representa crescimento em relação a 2022, quando o total informado foi de R$ 23,9 bilhões. A diferença é de aproximadamente 30%. Entram nessa conta imóveis, automóveis, investimentos, participações em empresas, aplicações financeiras e outros bens relacionados pelos próprios candidatos no momento do registro eleitoral.

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A elevação registrada pelo PL também provocou uma mudança importante na média de patrimônio de seus representantes. Há quatro anos, cada candidato da legenda possuía, em média, cerca de R$ 1 milhão em bens declarados. Agora, esse indicador está próximo de R$ 3 milhões, fazendo o partido saltar da sétima para a segunda colocação nacional quando a comparação considera a riqueza média por candidatura.

Apesar dos bilhões declarados, os números revelam uma grande desigualdade dentro da própria legenda. Entre os 1.636 candidatos do PL, 319 afirmaram não possuir patrimônio registrado em seus nomes. Ao mesmo tempo, somente 12 concorrentes concentram cerca de R$ 2,5 bilhões, o equivalente à metade de todos os bens declarados pelos candidatos do partido. Entre os maiores patrimônios aparece o empresário Luiz Osvaldo Pastore, primeiro suplente na chapa do senador Eduardo Gomes (PL-TO), com R$ 677,7 milhões informados à Justiça Eleitoral.

Outras legendas também aparecem com cifras bilionárias. O MDB ocupa a segunda colocação em patrimônio total, reunindo R$ 3,3 bilhões entre 1.409 candidatos. O PSDB soma R$ 2,6 bilhões, enquanto PSD e Republicanos registram aproximadamente R$ 2,5 bilhões cada. Já o Democrata, antigo Partido da Mulher Brasileira (PMB), apresentou uma das maiores variações proporcionais: passou de R$ 164 milhões em 2022 para R$ 702 milhões neste ano, crescimento de 328%, apesar da redução no número de candidaturas.

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Quando o levantamento considera a média de patrimônio por candidato, o cenário muda. O Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), de Pablo Marçal, aparece na primeira posição nesse indicador. A legenda possui somente 12 candidatos, mas eles declararam juntos R$ 663,6 milhões. No extremo oposto está o PCB, cujos 23 concorrentes informaram patrimônio conjunto de R$ 4,1 milhões. O PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, soma R$ 788 milhões distribuídos entre 1.103 candidatos, com média próxima de R$ 714 mil por concorrente.

As cifras apresentadas à Justiça Eleitoral, porém, não devem ser interpretadas automaticamente como o valor atual de mercado do patrimônio dos candidatos. Alguns imóveis, empresas e outros ativos podem permanecer registrados pelos valores de aquisição, mesmo que atualmente tenham preços diferentes. Ainda assim, os dados permitem dimensionar o avanço da riqueza declarada entre 2022 e 2026 e mostram que, além do crescimento geral do patrimônio dos candidatos, uma parcela expressiva dos bilhões informados está concentrada em poucos nomes e partidos.

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Mendonça interrompe julgamento no STF sobre tributação de lucros da Vale no exterior após maioria favorável à União

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Pedido de destaque leva disputa bilionária para o plenário físico e zera placar que estava em 6 a 4 pela cobrança de IRPJ e CSLL –  Gustavo Moreno/ STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), interrompeu nesta sexta-feira (28) o julgamento que analisa a possibilidade de cobrança de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre resultados obtidos por empresas controladas pela Vale fora do Brasil. O ministro apresentou pedido de destaque, retirando a discussão do plenário virtual e levando o processo para julgamento presencial.

A intervenção ocorreu quando a Corte já havia formado maioria favorável à União. O placar estava em 6 votos a 4 pela possibilidade de tributação dos lucros registrados por controladas da mineradora instaladas na Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo. Com o destaque, porém, a votação virtual é interrompida e o caso deverá ser novamente apreciado no plenário físico, sem data definida para entrar na pauta.

A posição que conquistou maioria durante a sessão virtual foi aberta pelo ministro Gilmar Mendes. Ele acolheu o recurso apresentado pela União e considerou possível tratar os lucros das empresas controladas no exterior como acréscimo patrimonial positivo da companhia brasileira, permitindo, dessa maneira, a incidência dos dois tributos federais.

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Para fundamentar seu entendimento, Gilmar Mendes recorreu a precedente do próprio Supremo relacionado à tributação de resultados obtidos por companhias brasileiras por meio de controladas e coligadas localizadas no exterior. Na avaliação do ministro, esse entendimento também poderia ser aplicado ao caso da Vale, inclusive envolvendo empresas sediadas em países que não são classificados como paraísos fiscais.

A disputa está no Supremo desde 2015 e ganhou grande relevância para o setor empresarial devido aos possíveis efeitos sobre outras companhias brasileiras com operações internacionais. Nota técnica da Receita Federal, mencionada no julgamento, estimou impacto econômico-financeiro de aproximadamente R$ 142,5 bilhões considerando o período entre 2017 e 2021, além de uma repercussão potencial de R$ 28,5 bilhões por ano nos exercícios seguintes.

O pedido de destaque também repercutiu entre especialistas da área tributária. A advogada Renata Emery, sócia do TozziniFreire Advogados, avaliou positivamente a transferência da discussão para o plenário físico e defendeu um debate mais aprofundado sobre os limites da tributação. Para ela, a controvérsia ultrapassa o caso específico da Vale e pode afetar diretamente empresas brasileiras que possuem investimentos e operações em outros países, tornando a decisão do STF relevante para o ambiente econômico e tributário nacional.

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