Região Centro-oeste
Lula anuncia mais de R$ 7 bilhões em investimentos no Amazonas com foco em energia, logística e desenvolvimento
Região Centro-oeste
Presidente cumpre agenda em Manaus com ações da Petrobras, Transpetro e governo federal voltadas à infraestrutura, transporte e projetos ambientais – Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quarta-feira, em Manaus, de uma série de agendas estratégicas voltadas ao fortalecimento da economia do Amazonas. As ações envolvem investimentos bilionários nas áreas de energia, logística, infraestrutura e desenvolvimento regional, com participação de órgãos federais e empresas do setor petrolífero.
A primeira cerimônia ocorreu no Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, onde foram apresentados projetos que somam mais de R$ 2,8 bilhões em investimentos previstos até 2030. O evento contou com a presença da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e do presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, além de autoridades federais e representantes do setor industrial.
Entre os principais anúncios está a construção de 18 barcaças destinadas ao transporte de combustíveis. As embarcações serão produzidas pela indústria naval amazonense e devem ampliar a capacidade logística da Transpetro no abastecimento marítimo de combustíveis em diferentes regiões do país.
Outro destaque da agenda foi a retomada dos investimentos da Petrobras na região de Urucu, importante polo de produção de petróleo e gás natural do Amazonas. A estatal prevê aplicar cerca de R$ 2,5 bilhões na perfuração de novos poços e na ampliação das atividades de exploração energética no estado.
Após os compromissos no Estaleiro Bertolini, Lula seguiu para o Estaleiro Juruá, onde participou de novas assinaturas e anúncios ligados ao desenvolvimento regional. A programação incluiu o lançamento de uma embarcação financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a oficialização de R$ 150 milhões em investimentos do Programa Desafios da Amazônia, ligado ao Fundo Amazônia.
A agenda presidencial também contou com a presença de ministros de diferentes áreas do governo federal, entre eles representantes das pastas de Transportes, Minas e Energia, Meio Ambiente, Portos e Aeroportos e Casa Civil. Os anúncios incluem ainda medidas socioambientais relacionadas à BR-319, rodovia considerada estratégica para a integração da Região Norte.
Com os novos investimentos, o governo federal busca ampliar a infraestrutura logística e energética do Amazonas, fortalecer a indústria naval da região e estimular projetos voltados ao crescimento econômico sustentável na Amazônia.
Região Centro-oeste
Governo Lula denuncia ofensiva no Congresso contra leis ambientais e alerta para avanço do desmatamento
Ministério do Meio Ambiente alerta para retrocessos graves e diz que propostas colocam em risco fiscalização, florestas e combate ao desmatamento – Foto: Fernando Donasci/ MMA
O governo federal elevou o tom contra um conjunto de projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional e que, segundo o Ministério do Meio Ambiente, podem provocar um dos maiores retrocessos ambientais já registrados no país. As propostas foram apresentadas como ameaça direta à preservação dos biomas brasileiros, ao combate ao desmatamento e até à credibilidade internacional do Brasil na área ambiental.
Durante apresentação realizada pelo Ministério do Meio Ambiente, Ibama e ICMBio, representantes do governo afirmaram que os projetos enfraquecem instrumentos de fiscalização ambiental, reduzem áreas protegidas e flexibilizam regras para exploração de vegetação nativa. Entre os pontos mais criticados está a tentativa de limitar o uso de embargos remotos feitos com base em imagens de satélite, mecanismo considerado fundamental para conter o avanço do desmatamento ilegal.
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Ribeiro Capobianco, classificou o avanço das propostas como “um retrocesso inimaginável” para um país que possui uma das legislações ambientais mais reconhecidas do mundo. Segundo ele, os projetos atendem interesses específicos de setores que ainda insistem em explorar recursos naturais sem compromisso com a conservação ambiental e a sustentabilidade.
Uma das propostas mais polêmicas pode liberar o desmatamento de mais de 50 milhões de hectares de vegetação nativa não florestal em biomas como Cerrado, Pantanal, Pampa, Mata Atlântica e Caatinga. O texto também altera regras de proteção da vegetação nativa e amplia brechas para ocupações em áreas ambientais sensíveis, o que preocupa especialistas e órgãos de fiscalização.
Outro projeto criticado pelo governo reduz o nível de proteção da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, transformando parte da unidade em Área de Proteção Ambiental (APA), categoria considerada mais flexível para atividades econômicas. Além disso, propostas ligadas ao crédito rural podem impedir que informações sobre desmatamento ilegal e grilagem de terras sejam usadas na análise de financiamentos e seguros agrícolas.
Mesmo diante da pressão política no Congresso, o governo federal afirma que continuará atuando para barrar medidas que fragilizem a legislação ambiental brasileira. O Ministério do Meio Ambiente argumenta que o país conseguiu reduzir o desmatamento nos últimos anos enquanto ampliava mercados internacionais para o agronegócio, mostrando que preservação ambiental e desenvolvimento econômico podem caminhar juntos.
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