RIO DE JANEIRO

Amazônia

Desmatamento na Amazônia registra menor índice em seis anos, aponta levantamento do MapBiomas

Publicados

Amazônia

Brasil reduz perda de vegetação em todos os biomas e fica abaixo de 1 milhão de hectares desmatados pela primeira vez desde 2019 – Foto: Ricardo Stuckert

O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de desmatamento dos últimos seis anos, segundo dados divulgados pela organização MapBiomas. O levantamento aponta uma redução de 20,6% na perda de vegetação em comparação com o ano anterior, marcando a primeira vez desde o início da série histórica, em 2019, que o país ficou abaixo da marca de 1 milhão de hectares desmatados.

De acordo com o relatório, aproximadamente 985 mil hectares foram devastados em território nacional ao longo do último ano. A queda foi observada em todos os biomas brasileiros, incluindo a Amazônia, que apresentou redução de 23,5% no desmatamento em relação a 2024. O resultado reforça o impacto das ações de fiscalização ambiental e do endurecimento no combate à exploração ilegal de madeira.

Mesmo com a melhora nos indicadores, os números ainda preocupam especialistas e organizações ambientais. Somente na Amazônia, a destruição da vegetação continuou em ritmo acelerado, com perdas equivalentes a quase cinco árvores derrubadas por segundo, segundo os dados apresentados pelo monitoramento ambiental.

O coordenador técnico do MapBiomas, Marcos Rosa, afirmou que o fortalecimento das operações de fiscalização teve influência direta na redução registrada em 2025. Segundo ele, aumentaram as ações de embargo, monitoramento e transparência nas autorizações ambientais emitidas pelos órgãos responsáveis.

Outro dado apresentado pelo estudo mostra que 65% das áreas onde houve perda de vegetação receberam algum tipo de ação das autoridades ambientais em 2025. O índice representa um crescimento significativo quando comparado aos anos anteriores. Em 2019, por exemplo, apenas 5% dessas áreas haviam sido alvo de fiscalização efetiva.

Apesar da desaceleração no ritmo do desmatamento, o relatório alerta que o Cerrado continua sendo o bioma mais pressionado do país, concentrando mais da metade da devastação registrada em 2025. O levantamento também aponta que a expansão agropecuária segue como a principal causa da perda de vegetação no Brasil, mantendo o debate ambiental no centro das discussões sobre desenvolvimento econômico e preservação dos biomas nacionais.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Amazônia

R$ 190 milhões para o meio ambiente: avanço real ou medida tímida diante da degradação?

Publicados

em

Governo libera R$ 190 milhões, mas desafio ambiental segue gigante no país – Foto: Reprodução/ MMA

O anúncio de R$ 190 milhões para projetos de recuperação ambiental em bacias hidrográficas foi tratado pelo governo federal como um avanço importante, mas também escancara o tamanho do problema enfrentado no Brasil. A iniciativa, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente, pretende recuperar áreas degradadas e fortalecer a segurança hídrica em regiões críticas, como as bacias dos rios São Francisco e Parnaíba.

Apesar do volume expressivo, especialistas avaliam que o valor ainda é insuficiente diante da extensão dos danos ambientais acumulados ao longo de décadas. Em muitas dessas regiões, o avanço da degradação já compromete não apenas o meio ambiente, mas também atividades econômicas e o abastecimento de água de milhares de pessoas.

Os projetos priorizam a recuperação de áreas estratégicas, incluindo regiões com risco de desertificação, como no sul do Piauí. A proposta é restaurar vegetação nativa, proteger nascentes e reduzir problemas como erosão e assoreamento, que afetam diretamente o fluxo dos rios e a qualidade da água.

Outro ponto destacado é a tentativa de preparar essas áreas para enfrentar eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes. Enchentes, secas prolongadas e alterações no regime de chuvas já fazem parte da realidade de diversas regiões do país, exigindo medidas mais estruturais e contínuas.

Além disso, parte dos recursos será aplicada em parcerias com instituições como o BNDES e entidades locais, numa tentativa de ampliar o alcance das ações. Ainda assim, há cobrança por mais transparência na execução dos projetos e garantia de que os investimentos realmente cheguem às áreas mais afetadas.

No fim, o pacote de investimentos surge como um passo relevante, mas longe de ser a solução definitiva. O desafio ambiental brasileiro exige planejamento de longo prazo, fiscalização rigorosa e, principalmente, continuidade nas políticas públicas — algo que historicamente tem sido um dos maiores entraves no país.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

TUDO SOBRE POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

GERAL

MAIS LIDAS DA SEMANA