Região Centro-oeste
Governo Lula denuncia ofensiva no Congresso contra leis ambientais e alerta para avanço do desmatamento
Região Centro-oeste
Ministério do Meio Ambiente alerta para retrocessos graves e diz que propostas colocam em risco fiscalização, florestas e combate ao desmatamento – Foto: Fernando Donasci/ MMA
O governo federal elevou o tom contra um conjunto de projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional e que, segundo o Ministério do Meio Ambiente, podem provocar um dos maiores retrocessos ambientais já registrados no país. As propostas foram apresentadas como ameaça direta à preservação dos biomas brasileiros, ao combate ao desmatamento e até à credibilidade internacional do Brasil na área ambiental.
Durante apresentação realizada pelo Ministério do Meio Ambiente, Ibama e ICMBio, representantes do governo afirmaram que os projetos enfraquecem instrumentos de fiscalização ambiental, reduzem áreas protegidas e flexibilizam regras para exploração de vegetação nativa. Entre os pontos mais criticados está a tentativa de limitar o uso de embargos remotos feitos com base em imagens de satélite, mecanismo considerado fundamental para conter o avanço do desmatamento ilegal.
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Ribeiro Capobianco, classificou o avanço das propostas como “um retrocesso inimaginável” para um país que possui uma das legislações ambientais mais reconhecidas do mundo. Segundo ele, os projetos atendem interesses específicos de setores que ainda insistem em explorar recursos naturais sem compromisso com a conservação ambiental e a sustentabilidade.
Uma das propostas mais polêmicas pode liberar o desmatamento de mais de 50 milhões de hectares de vegetação nativa não florestal em biomas como Cerrado, Pantanal, Pampa, Mata Atlântica e Caatinga. O texto também altera regras de proteção da vegetação nativa e amplia brechas para ocupações em áreas ambientais sensíveis, o que preocupa especialistas e órgãos de fiscalização.
Outro projeto criticado pelo governo reduz o nível de proteção da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, transformando parte da unidade em Área de Proteção Ambiental (APA), categoria considerada mais flexível para atividades econômicas. Além disso, propostas ligadas ao crédito rural podem impedir que informações sobre desmatamento ilegal e grilagem de terras sejam usadas na análise de financiamentos e seguros agrícolas.
Mesmo diante da pressão política no Congresso, o governo federal afirma que continuará atuando para barrar medidas que fragilizem a legislação ambiental brasileira. O Ministério do Meio Ambiente argumenta que o país conseguiu reduzir o desmatamento nos últimos anos enquanto ampliava mercados internacionais para o agronegócio, mostrando que preservação ambiental e desenvolvimento econômico podem caminhar juntos.
Região Centro-oeste
Lula anuncia R$ 450 milhões para reparação de áreas atingidas pela tragédia de Mariana no Rio Doce
Recursos serão destinados a projetos sociais e estruturantes em comunidades afetadas pelo rompimento da barragem de Fundão – Foto: Secretaria-Geral
O Governo Federal anunciou a abertura de novos editais voltados às comunidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), tragédia ambiental registrada em 2015 e considerada uma das maiores do país. O lançamento ocorreu em Governador Valadares, em Minas Gerais, reunindo autoridades federais, representantes de instituições públicas e moradores impactados pela destruição causada no Rio Doce.
Os novos editais vão financiar projetos comunitários e estruturantes em municípios afetados pelo desastre. Serão disponibilizados R$ 225 milhões para iniciativas locais de até R$ 400 mil e outros R$ 225 milhões para projetos maiores, que poderão receber até R$ 23 milhões cada. Os recursos fazem parte do Fundo de Participação Social, criado para garantir ações de reparação ao longo de 20 anos, com previsão total de R$ 5 bilhões.
Durante o evento, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que a medida representa um novo momento no processo de reparação das famílias atingidas. Segundo ele, os próprios moradores terão participação direta na elaboração e execução dos projetos dentro dos territórios afetados.
“O dinheiro precisa chegar na comunidade para que as pessoas decidam como reconstruir suas vidas e fortalecer suas regiões”, destacou o ministro ao defender maior participação popular nas decisões relacionadas aos recursos da reparação.
Uma das falas mais marcantes do encontro foi da conselheira Rosa de Jesus Alves, atingida diretamente pela tragédia da barragem. Em discurso emocionado, ela afirmou que as conquistas anunciadas são resultado da mobilização dos próprios moradores atingidos. A frase “Águas para a vida, não para a morte” foi repetida durante o evento e acabou simbolizando o sentimento de luta das famílias que seguem cobrando justiça e reparação.
A presidente da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, Loruana Coutinho, também apresentou o projeto “Casa do Rio Doce”, espaço criado para fortalecer o diálogo entre governo e comunidades afetadas. Segundo ela, a iniciativa busca garantir acompanhamento das ações de reparação com foco em dignidade, cidadania e reconstrução social.
Além do lançamento dos editais, o Governo Federal promoveu uma edição especial do programa “Governo do Brasil na Rua”, oferecendo atendimentos do INSS, Caixa Econômica Federal, BNDES e outros órgãos públicos à população de Governador Valadares e às famílias atingidas pelo desastre ambiental.
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