Região Centro-oeste
Presidente Lula inaugura centro bilionário da Fiocruz e anuncia avanço histórico do SUS no combate ao câncer
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Governo federal investe pesado em tecnologia, vacinas e terapias avançadas para fortalecer a saúde pública no Brasil – Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado da inauguração da nova sede do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS), da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. A estrutura foi criada para ampliar pesquisas e acelerar o desenvolvimento de vacinas, medicamentos, diagnósticos e tecnologias voltadas ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Durante a cerimônia, Lula destacou que o novo centro representa um avanço estratégico para a soberania científica do país e afirmou que o Brasil tem capacidade para competir com grandes potências mundiais na área da saúde e da inovação. O presidente reforçou que investimentos em pesquisa são fundamentais para garantir autonomia tecnológica e ampliar o acesso da população aos tratamentos de alta complexidade.
A agenda também marcou o lançamento do Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T da Fiocruz, projeto considerado um dos maiores avanços da saúde pública brasileira no combate ao câncer. A iniciativa permitirá que o Brasil produza nacionalmente terapias celulares modernas usadas no tratamento de doenças como leucemia, linfoma e mieloma, reduzindo drasticamente a dependência de tecnologias importadas.
Segundo o governo federal, o investimento para implantação da terapia CAR-T ultrapassa R$ 330 milhões. Atualmente, esse tipo de tratamento pode custar entre US$ 350 mil e US$ 400 mil por paciente nos Estados Unidos. A expectativa da Fiocruz é que a produção nacional reduza o valor para aproximadamente 10% do custo praticado no exterior, ampliando o acesso da população atendida pelo SUS.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a Fiocruz vem ampliando sua atuação em todo o território nacional e revelou que a instituição deverá chegar também ao Acre e ao Amapá nos próximos anos. Segundo ele, além das ações na saúde, a fundação participa de projetos ligados à formação profissional, pesquisas sociais e programas de desenvolvimento em parceria com diversos ministérios do governo federal.
A nova sede do CDTS possui cerca de 15 mil metros quadrados e recebeu investimentos superiores a R$ 400 milhões entre obras estruturais e equipamentos laboratoriais. O espaço foi planejado para funcionar como um grande centro de inovação em saúde, reunindo universidades, pesquisadores e instituições nacionais e internacionais em projetos voltados ao SUS.
Entre as pesquisas desenvolvidas pela Fiocruz estão estudos para criação de antivirais brasileiros contra Covid-19 e arboviroses, novos testes diagnósticos para doença de Chagas, além de tecnologias de impressão 3D para produção de próteses utilizadas na rede pública de saúde. A instituição também pretende consolidar uma plataforma nacional de vacinas com tecnologia RNA mensageiro (mRNA), considerada uma das mais modernas do mundo.
Durante a visita à Fiocruz, Lula e Alexandre Padilha ainda entregaram novos veículos do programa Caminhos da Saúde para municípios do estado do Rio de Janeiro. Ao todo, foram disponibilizados micro-ônibus, vans e ambulâncias para ampliar o transporte de pacientes do SUS que precisam realizar consultas, cirurgias, hemodiálise, radioterapia e outros atendimentos especializados. O investimento nacional do programa ultrapassa R$ 1,4 bilhão e prevê a entrega de mais de 3,3 mil veículos em todo o país.
O espaço foi planejado para funcionar como um grande centro de inovação em saúde – Foto: Ricardo Stuckert
Região Centro-oeste
Governo Lula denuncia ofensiva no Congresso contra leis ambientais e alerta para avanço do desmatamento
Ministério do Meio Ambiente alerta para retrocessos graves e diz que propostas colocam em risco fiscalização, florestas e combate ao desmatamento – Foto: Fernando Donasci/ MMA
O governo federal elevou o tom contra um conjunto de projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional e que, segundo o Ministério do Meio Ambiente, podem provocar um dos maiores retrocessos ambientais já registrados no país. As propostas foram apresentadas como ameaça direta à preservação dos biomas brasileiros, ao combate ao desmatamento e até à credibilidade internacional do Brasil na área ambiental.
Durante apresentação realizada pelo Ministério do Meio Ambiente, Ibama e ICMBio, representantes do governo afirmaram que os projetos enfraquecem instrumentos de fiscalização ambiental, reduzem áreas protegidas e flexibilizam regras para exploração de vegetação nativa. Entre os pontos mais criticados está a tentativa de limitar o uso de embargos remotos feitos com base em imagens de satélite, mecanismo considerado fundamental para conter o avanço do desmatamento ilegal.
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Ribeiro Capobianco, classificou o avanço das propostas como “um retrocesso inimaginável” para um país que possui uma das legislações ambientais mais reconhecidas do mundo. Segundo ele, os projetos atendem interesses específicos de setores que ainda insistem em explorar recursos naturais sem compromisso com a conservação ambiental e a sustentabilidade.
Uma das propostas mais polêmicas pode liberar o desmatamento de mais de 50 milhões de hectares de vegetação nativa não florestal em biomas como Cerrado, Pantanal, Pampa, Mata Atlântica e Caatinga. O texto também altera regras de proteção da vegetação nativa e amplia brechas para ocupações em áreas ambientais sensíveis, o que preocupa especialistas e órgãos de fiscalização.
Outro projeto criticado pelo governo reduz o nível de proteção da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, transformando parte da unidade em Área de Proteção Ambiental (APA), categoria considerada mais flexível para atividades econômicas. Além disso, propostas ligadas ao crédito rural podem impedir que informações sobre desmatamento ilegal e grilagem de terras sejam usadas na análise de financiamentos e seguros agrícolas.
Mesmo diante da pressão política no Congresso, o governo federal afirma que continuará atuando para barrar medidas que fragilizem a legislação ambiental brasileira. O Ministério do Meio Ambiente argumenta que o país conseguiu reduzir o desmatamento nos últimos anos enquanto ampliava mercados internacionais para o agronegócio, mostrando que preservação ambiental e desenvolvimento econômico podem caminhar juntos.
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