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China reforça defesa da soberania após EUA classificarem PCC e CV como organizações terroristas
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Pequim afirma que combate ao crime deve respeitar a autonomia dos países e evita apoiar medidas de intervenção externa – Foto: Ricardo Stuckert/PR
A decisão do governo dos Estados Unidos de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas internacionais provocou reações no cenário diplomático global. Entre elas, a China destacou a importância do respeito à soberania nacional e defendeu que cada país tenha autonomia para conduzir suas próprias políticas de segurança e combate ao crime organizado.
Segundo o governo chinês, questões relacionadas à segurança pública e ao combate ao crime organizado devem ser conduzidas pelos próprios países afetados, dentro de suas legislações e instituições. Pequim reiterou que sua política externa continua baseada no princípio da não intervenção, considerado um dos pilares da diplomacia chinesa.
A manifestação ocorre em um momento de crescente disputa geopolítica entre China e Estados Unidos na América Latina. Enquanto Washington amplia sua atuação política e estratégica na região, Pequim tem fortalecido relações comerciais e diplomáticas com diversos países latino-americanos, incluindo o Brasil.
Paralelamente ao debate sobre a classificação das facções brasileiras, a China confirmou a visita oficial do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, ao país asiático. O encontro faz parte da agenda bilateral entre os dois governos e deverá abordar temas ligados ao comércio, investimentos e cooperação internacional.
Nos Estados Unidos, integrantes do governo Trump justificaram a decisão afirmando que PCC e Comando Vermelho possuem atuação além das fronteiras brasileiras e mantêm conexões com redes internacionais de tráfico e outras atividades criminosas. A medida faz parte da estratégia norte-americana de combate ao chamado narcoterrorismo e ao crime organizado transnacional.
Nos bastidores, a classificação das facções gerou preocupação em setores do governo brasileiro. A avaliação é de que decisões desse tipo podem abrir precedentes para um aumento da influência externa em temas de segurança nacional. Diante desse cenário, o posicionamento chinês reforça o debate internacional sobre soberania, cooperação entre países e os limites da atuação estrangeira em questões internas.
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Tulsi Gabbard deixa comando da Inteligência dos EUA em meio a crise interna no governo Trump
Saída da diretora da Inteligência Nacional expõe desgaste político na Casa Branca e levanta disputa por sucessão no setor de segurança – Foto: Reprodução IA
A diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, anunciou que deixará oficialmente o cargo no próximo dia 30 de junho, em uma decisão que abalou os bastidores do governo do presidente Donald Trump. A justificativa apresentada publicamente envolve o estado de saúde do marido da ex-parlamentar, diagnosticado com um raro câncer ósseo, mas fontes ligadas à Casa Branca apontam que a saída também teria sido motivada por conflitos internos e crescente desgaste político.
A confirmação da saída ocorreu após uma reunião no Salão Oval, onde Gabbard comunicou pessoalmente sua decisão ao presidente norte-americano. Em mensagem publicada nas redes sociais, ela agradeceu a Trump pela oportunidade de comandar o setor responsável por coordenar as 18 agências de inteligência dos Estados Unidos. Nos bastidores, porém, aliados do governo afirmam que a relação entre a diretora e integrantes da Casa Branca vinha se deteriorando há meses.
Trump anunciou que o atual vice-diretor da Inteligência Nacional, Aaron Lukas, assumirá interinamente a função até a escolha de um substituto definitivo. O presidente elogiou publicamente Gabbard e afirmou compreender a decisão da aliada de priorizar a família neste momento delicado. Apesar disso, informações divulgadas por fontes próximas ao governo indicam que a ex-diretora vinha perdendo espaço em discussões estratégicas envolvendo temas como Irã, Venezuela e Cuba.
Nos últimos meses, Tulsi Gabbard passou a enfrentar forte resistência dentro do próprio governo republicano. Trump chegou a demonstrar desconforto com posições consideradas “brandas” da então diretora em relação ao Irã, especialmente sobre as tensões envolvendo o programa nuclear iraniano. Além disso, rumores sobre uma possível reformulação ministerial já indicavam que ela poderia ser retirada do cargo ainda neste ano.
A trajetória política de Gabbard também sempre gerou controvérsias em Washington. Ex-deputada democrata pelo Havaí, ela migrou para posições conservadoras nos últimos anos e acabou se aproximando de Trump durante a eleição presidencial de 2024. Sua atuação foi alvo de críticas tanto de democratas quanto de republicanos moderados, principalmente após declarações relacionadas à guerra da Ucrânia e ao encontro que manteve com o ex-presidente sírio Bashar al-Assad durante a guerra civil na Síria.
A saída de Tulsi Gabbard encerra um dos períodos mais turbulentos da Inteligência Nacional norte-americana desde a criação do órgão após os ataques de 11 de setembro. A mudança ocorre em meio ao aumento das tensões internacionais e aprofunda as disputas internas no governo Trump sobre os rumos da política externa e da segurança dos Estados Unidos. Enquanto a Casa Branca busca um novo nome para o comando da inteligência, cresce em Washington a pressão para que o próximo diretor tenha perfil técnico e menos alinhamento político.
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