Amazônia
Direitos Humanos reforça equipe no oeste do Paraná, foco de conflitos fundiários que atingem indígenas
Amazônia
Força-tarefa interministerial chega ao estado com o objetivo de promover conciliação entre povos indígenas e latifundiários; conflitos se arrastam desde julho – Foto: Assessoria/ MDHC
(MDHC) – Atento ao aumento da violência em áreas indígenas na região oeste do Paraná, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) reforçou, nesta sexta-feira (9/8), a presença nos municípios de Guaíra e Terra Roxa, no Paraná. A coordenação-geral do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH) retornou ao estado para acompanhar in loco os desdobramentos de conflitos fundiários indígenas registrados na região.
A força-tarefa é uma ação-conjunta com os ministérios dos Povos Indígenas (MPI) e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), e visa à mediação e conciliação de conflitos agrários. A Polícia Rodoviária Federal presta apoio no deslocamento da equipe.
Estão previstas reuniões com o prefeito de Guaíra, Heraldo Trento, e com representantes da Comissão de Soluções de Conflitos Fundiários do Tribunal de Justiça do Paraná e ruralistas. Por meio da articulação do MDHC, a expectativa é de que água potável e alimentos sejam disponibilizados aos indígenas após a retomada, prevista para este sábado (9). “Também estamos articulando com os governos locais a garantia de livre circulação das pessoas indígenas nas cidades sem sofrer violência e, especialmente, garantir que as crianças tenham o direto de frequentar as escolas”, disse um representante do PPDDH na região.
No início da semana, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) suspendeu as ordens de reintegração de posse contra o povo Avá-Guarani na Terra Indígena Guasu Guavirá.
Em agenda preparatória, em Brasília (DF), o secretário nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Bruno Teixeira, reforçou a dedicação do MDHC na defesa dos direitos dos povos indígenas e no fortalecimento das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável e inclusivo. “Estamos nos territórios buscando assegurar os direitos humanos e, inclusive, a segurança alimentar e hídrica dos povos indígenas”, afirmou.
Entenda o caso
Indígenas da região têm sido alvos de constantes violações de direitos. Em julho, 22 famílias iniciaram a retomada dos territórios Arakoé e Arapoty para aliviar a superlotação da terra indígena Guasu Guavirá. As ações resultaram em conflitos. Uma indígena ficou ferida – ela foi baleada na perna. Conforme as denúncias, as ações são organizadas por fazendeiros, com atuação de milícia rural privada.
A Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) atua no local. Os ataques ocorreram de maneira coordenada também no Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.
A exemplo do que ocorre nesses estados, o MDHC mantém no local uma equipe permanente do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH) – com quatro técnicos atuando na proteção de defensores de direitos humanos.
Área de demarcação
A Terra Indígena Guasu Guavirá foi delimitada pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em 2018, mas encontra-se impedida de avançar no processo de demarcação por decisão judicial.
Estima-se que existem 28 aldeias na região, sendo que três delas foram oficialmente demarcadas. As demais estão em processo de retorno ao território de origem. A retomada é uma resposta à expulsão dos indígenas da região durante a década de 1970, à época da construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, o que resultou na inundação de grande parte do território Avá-Guarani.
De acordo com o MPI, a Lei do Marco Temporal (Lei 14.701/2023) e a PEC 48 aumentam a insegurança jurídica sobre territórios indígenas e têm causado instabilidade nas regiões e fomentado a violência contra as comunidades.
Mato Grosso do Sul
Na última quarta-feira (7), o ministro Silvio Almeida recebeu, em Brasília, um grupo de dez indígenas Guarani e Kaiowá da terra indígena Lagoa Panambi, do Mato Grosso do Sul, e ouviu relatos sobre os ataques sofridos. No último fim de semana, foram registrados novos episódios de enfrentamento e violência na região. Ao todo, dez indígenas ficaram feridos.
O ministro definiu a ação como “ato de milícia” e afirmou que o Governo Federal está empenhado em interromper os conflitos a partir da ação integrada dos ministérios e órgãos do Poder Executivo.
Sala de Situação
A pasta dos Direitos Humanos e da Cidadania integra a Sala de Situação permanente montada pelo Governo Federal em resposta aos ataques. O grupo conta com atuação integrada do Ministério dos Povos Indígenas, da Fundação dos Povos Indígenas (Funai) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública, entre outros.
A Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos também monitora e encaminha denúncias de violações de direitos e as encaminha ao Ministério Público Federal e à Defensoria Pública da União. A medida visa monitor, prevenir e reprimir os ataques às comunidades indígenas, no Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.
Amazônia
Resultado final da Chamada Pública Florestas e Comunidades: Amazônia Viva é divulgado
Projetos selecionados receberão apoio para ampliar infraestrutura, melhorar o escoamento da produção e fortalecer a geração de renda – Foto: Agência.ac.gov
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciaram o resultado final da chamada pública Florestas e Comunidades: Amazônia Viva, após a conclusão da análise dos recursos apresentados pelas organizações participantes. A relação contempla projetos voltados ao fortalecimento da produção sustentável em diferentes territórios da Amazônia Legal.
A seleção reúne iniciativas apresentadas por povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares que atuam na conservação da floresta e na produção de alimentos e produtos da sociobiodiversidade. Com a divulgação do resultado definitivo, as organizações selecionadas avançam para as próximas etapas previstas no programa.
Criado por meio de uma parceria entre a Conab e o BNDES, o projeto Amazônia Viva foi estruturado para impulsionar o desenvolvimento sustentável da região, promovendo investimentos que contribuam para melhorar as condições de produção, armazenamento, beneficiamento e comercialização dos produtos locais.
Entre os principais objetivos da iniciativa está a redução dos obstáculos enfrentados pelas comunidades amazônicas, como a precariedade da infraestrutura, os elevados custos logísticos, a falta de estruturas de armazenamento e processamento, além das dificuldades para atender às exigências sanitárias e acessar mercados consumidores.
Com os investimentos previstos, a expectativa é ampliar a capacidade produtiva das organizações beneficiadas, reduzir perdas durante o transporte e agregar valor aos produtos oriundos da floresta, fortalecendo a economia local e incentivando práticas ambientalmente sustentáveis.
Outro foco do programa é ampliar o acesso dessas comunidades às políticas públicas e às oportunidades de comercialização, promovendo maior inclusão econômica e estimulando cadeias produtivas que conciliem geração de renda com preservação ambiental.
A iniciativa reforça a importância de apoiar quem vive e produz na Amazônia, reconhecendo o papel estratégico das populações tradicionais e dos agricultores familiares na conservação dos recursos naturais e no desenvolvimento sustentável da região.
Com a divulgação do resultado final, o projeto entra em uma nova fase, voltada à implementação das ações previstas pelas organizações selecionadas, consolidando mais um passo para fortalecer a bioeconomia e incentivar modelos de produção sustentáveis na Amazônia Legal.
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