Amazônia
Biodiversidade: ICMBio cria novas reservas e planos de proteção a caatinga e espécies ameaçadas
Amazônia
No Dia da Biodiversidade, o Instituto Chico Mendes também anuncia parceria para a Chapada dos Guimarães. Aves e tartarugas marinhas ganham projeto específico – Foto: ICMBio
(ICMBio) – Em evento em comemoração ao Dia Internacional da Biodiversidade, o Instituto Chico Mendes formaliza diversos instrumentos que contribuem com a conservação da biodiversidade do País.
O primeiro deles será a assinatura do contrato de concessão dos serviços públicos de apoio à visitação, revitalização, modernização, operação e manutenção dos serviços turísticos no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (concorrência nº 03/2023).
A concessão inclui o custeio de ações de apoio a conservação, proteção e gestão do Parque pela empresa Parques Fundo de Investimentos em Participações em Infraestrutura (PARQUES FIP). Com a assinatura do contrato, iniciam-se as atividades previstas, com investimentos na infraestrutura do parque nos próximos 30 anos.
Quatro novas reservas
O Instituto Chico Mendes também irá formalizar a criação de quatro Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), unidades de conservação de uso sustentável que totalizam mais de 500 hectares de área protegida, conforme tabela abaixo:
|
Unidade de Conservação |
Localização |
Áreas |
Biomas |
| RPPN Fazenda Anacã |
MT |
17,89 |
Amazônia |
| RPPN Luís Beethoven Piló |
MG |
92,34 |
Cerrado |
| RPPN Reserva Kaetés |
ES |
239,68 |
Mata Atlântica |
| RPPN Serra Bonita XII |
BA |
168,14 |
Mata Atlântica |
O país, segundo a Confederação Nacional de Reservas Particulares do Patrimônio Natural, possui mais 1.800 RPPNs, que, juntas, somam mais 800 mil hectares do território protegido. Atualmente, são 769 RPPNs na esfera federal, que representam mais de 500 mil hectares de áreas protegidas.
Entre as características importantes desta categoria de Unidades de Conservação, destaca-se a possibilidade da participação da iniciativa privada no esforço nacional de conservação da natureza para a ampliação das áreas protegidas em diferentes ecossistemas do país, além de promover o conhecimento científico e a diversificação das atividades econômicas, criando oportunidades de emprego e renda em âmbito regional.
Novos Planos de Ação Nacional
Na cerimônia também serão lançados os Planos de Ação Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção (PAN): o terceiro ciclo do PAN Aves da Caatinga e o terceiro ciclo do PAN Tartarugas Marinhas.
O PAN Aves da Caatinga estabelece ações de conservação para 34 espécies de aves ameaçadas do bioma Caatinga. Deste total de espécies, quatro são classificadas na categoria CR (Criticamente em Perigo), 18 classificadas na categoria EN (Em Perigo) e 12 classificadas na categoria VU (Vulnerável).
O objetivo do PAN Aves da Caatinga é reduzir a perda e alteração de ambientes naturais e da remoção de indivíduos, visando a manutenção e/ou recuperação das populações e hábitats das espécies alvo. Ao logo dos ciclos deste PAN, foi possível acompanhar avanços em ações como proteção do habitat, criação de UCs, mitigação de conflitos humano-fauna, controle de espécies exóticas, reintrodução e revigoramento populacional. Vale destacar que a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) e o periquito cara-suja (Pyrrhura griseipectus) vem recuperando suas populações em decorrência de ações conjuntas com os parceiros do plano.
O PAN Tartarugas Marinhas estabelece ações prioritárias de conservação para quatro espécies de tartarugas marinhas ameaçadas de extinção, sendo: uma classificada na categoria CR (Criticamente em Perigo), uma classificada na categoria EN (Em Perigo), e duas classificadas na categoria VU (Vulnerável). Além disso, define estratégias de conservação para uma espécie, classificada na categoria NT (Quase Ameaçada).
O objetivo do PAN é reduzir as ameaças e pressões às tartarugas marinhas e seus habitats, por meio do aprimoramento das ações de conservação, pesquisa, monitoramento e políticas públicas, visando diminuir o risco de extinção dessas espécies. Ao longo dos ciclos do PAN foi possível acompanhar avanços no conhecimento científico das espécies; aumento na rede de colaboradores, criação de UCs marinhas. Vale destacar que houve redução da categoria de ameaça da Tartaruga verde (Chelonia mydas), como resultado das ações de conservação.
Amazônia
Desmatamento na Amazônia registra menor índice em seis anos, aponta levantamento do MapBiomas
Brasil reduz perda de vegetação em todos os biomas e fica abaixo de 1 milhão de hectares desmatados pela primeira vez desde 2019 – Foto: Ricardo Stuckert
O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de desmatamento dos últimos seis anos, segundo dados divulgados pela organização MapBiomas. O levantamento aponta uma redução de 20,6% na perda de vegetação em comparação com o ano anterior, marcando a primeira vez desde o início da série histórica, em 2019, que o país ficou abaixo da marca de 1 milhão de hectares desmatados.
De acordo com o relatório, aproximadamente 985 mil hectares foram devastados em território nacional ao longo do último ano. A queda foi observada em todos os biomas brasileiros, incluindo a Amazônia, que apresentou redução de 23,5% no desmatamento em relação a 2024. O resultado reforça o impacto das ações de fiscalização ambiental e do endurecimento no combate à exploração ilegal de madeira.
Mesmo com a melhora nos indicadores, os números ainda preocupam especialistas e organizações ambientais. Somente na Amazônia, a destruição da vegetação continuou em ritmo acelerado, com perdas equivalentes a quase cinco árvores derrubadas por segundo, segundo os dados apresentados pelo monitoramento ambiental.
O coordenador técnico do MapBiomas, Marcos Rosa, afirmou que o fortalecimento das operações de fiscalização teve influência direta na redução registrada em 2025. Segundo ele, aumentaram as ações de embargo, monitoramento e transparência nas autorizações ambientais emitidas pelos órgãos responsáveis.
Outro dado apresentado pelo estudo mostra que 65% das áreas onde houve perda de vegetação receberam algum tipo de ação das autoridades ambientais em 2025. O índice representa um crescimento significativo quando comparado aos anos anteriores. Em 2019, por exemplo, apenas 5% dessas áreas haviam sido alvo de fiscalização efetiva.
Apesar da desaceleração no ritmo do desmatamento, o relatório alerta que o Cerrado continua sendo o bioma mais pressionado do país, concentrando mais da metade da devastação registrada em 2025. O levantamento também aponta que a expansão agropecuária segue como a principal causa da perda de vegetação no Brasil, mantendo o debate ambiental no centro das discussões sobre desenvolvimento econômico e preservação dos biomas nacionais.
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