Região Centro-oeste
Gilmar Mendes pede suspensão de julgamento sobre Moraes e quer identificar magistrados citados no caso Master
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Ministro defende reunião dos procedimentos envolvendo Moraes e Mendonça, redistribuição para novo relator e análise prévia de possíveis impedimentos – Foto: Alejandro Zambrana/ STF
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu que o julgamento relacionado ao ministro Alexandre de Moraes no caso Banco Master permaneça suspenso até que sejam identificados os magistrados mencionados nas apurações e esclarecidas eventuais situações de impedimento. A proposta integra questão de ordem apresentada no processo e busca definir quem poderá participar das futuras deliberações da Corte. O julgamento está interrompido após pedido de vista de Flávio Dino.
Gilmar sustenta que o STF deve solucionar as questões processuais antes de avançar sobre o mérito. Além disso, propõe que as Petições 16.662 e 16.704, relacionadas respectivamente às apurações envolvendo Moraes e André Mendonça, tramitem conjuntamente e sejam posteriormente redistribuídas conforme as regras internas do Supremo. A proposta também prevê a identificação de magistrados sobre os quais existam indícios de recebimento indevido de valores e, depois, manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e dos próprios citados.
Parte da manifestação de Gilmar aborda informações envolvendo o ministro Kassio Nunes Marques e seu filho, Kevin de Carvalho Marques. O documento menciona mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, trocadas com Luiz Rennó, então diretor jurídico da instituição. Gilmar levanta questionamentos sobre o significado desses diálogos, mas ressalta que a existência das mensagens, por si só, não comprova qualquer irregularidade ou responsabilidade das pessoas mencionadas.
Entre os diálogos citados está uma conversa de outubro de 2024 na qual Rennó informa a Vorcaro o resultado de um julgamento decidido por 3 votos a 2 e, posteriormente, encaminha o contato de uma pessoa identificada como “Kevin Marques”. Gilmar relaciona a referência a um julgamento realizado pela Segunda Turma do STF naquele período, mas deixa expressamente registrado que conversas mantidas por terceiros não são suficientes para atribuir conduta irregular aos nomes mencionados.
Outras mensagens incluídas na manifestação fazem referência a pagamentos e novamente apresentam um contato identificado como “Kevin Marques”. Segundo Gilmar, os elementos justificariam esclarecimentos para avaliar possíveis reflexos processuais, especialmente quanto à participação de integrantes da Corte nos julgamentos relacionados ao Banco Master. O ministro, entretanto, enfatiza que essas informações não permitem antecipar conclusões sobre eventual responsabilidade criminal.
A questão de ordem também apresenta críticas de Gilmar Mendes à condução de André Mendonça em apurações relacionadas ao caso Master. Gilmar argumenta que diferentes informações obtidas durante as investigações teriam recebido tratamentos distintos e questiona a concentração de relatórios em elementos associados a Alexandre de Moraes. Essas afirmações representam a posição de Gilmar no processo e não constituem conclusão institucional do STF. Mendonça, por sua vez, já apresentou sua própria manifestação no contexto da disputa jurídica entre os ministros.
Na sessão de 15 de setembro, Gilmar apresentou a proposta de reunião das duas petições e foi acompanhado por Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes. Edson Fachin e André Mendonça não acolheram a questão de ordem, enquanto Luiz Fux e Cármen Lúcia anteciparam votos acompanhando Fachin. Antes da conclusão, Flávio Dino pediu vista e interrompeu o julgamento. O registro oficial do STF também aponta Nunes Marques como impedido naquela sessão e Dias Toffoli como suspeito.
O impasse também atingiu o procedimento relacionado a André Mendonça. O julgamento que estava previsto para 23 de setembro foi retirado da pauta porque, segundo o STF, a definição sobre a tramitação conjunta das petições e outras questões processuais poderia interferir diretamente na análise. A Corte informou que uma nova sessão será marcada depois que o Plenário definir os parâmetros para o andamento dos processos, mantendo em aberto os próximos passos do caso Banco Master dentro do Supremo.
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Deputado Amilton Filho morre em grave acidente na BR-050 quando voltava de agenda de campanha em Goiás
Parlamentar do MDB estava em seu segundo mandato na Assembleia Legislativa e disputava a reeleição – Foto: Hellenn Reis/ Alego
O deputado estadual Amilton Filho (MDB-GO), de 41 anos, morreu na madrugada deste sábado (26) após um grave acidente de trânsito na BR-050, nas proximidades de Cristalina, no Entorno do Distrito Federal. O parlamentar retornava de um compromisso de campanha quando o veículo em que viajava se envolveu em uma colisão com uma carreta que estava estacionada na rodovia.
Segundo informações divulgadas após o acidente, Amilton Filho ocupava o banco dianteiro do passageiro. Com a violência do impacto, o deputado ficou preso às ferragens. Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para atender a ocorrência, mas, quando chegaram ao local, o parlamentar já estava sem sinais vitais.
Além do deputado, outras duas pessoas viajavam no automóvel: o motorista e um videomaker que integrava sua equipe. Os dois sobreviveram e foram encaminhados para atendimento no Hospital Municipal Chaud Salles, em Cristalina. Até as primeiras horas deste sábado, não haviam sido divulgadas informações detalhadas sobre o estado de saúde dos sobreviventes.
Natural de Anápolis, Amilton Filho construiu sua trajetória política inicialmente no Legislativo municipal, onde exerceu dois mandatos como vereador. Em 2018, conquistou pela primeira vez uma cadeira na Assembleia Legislativa de Goiás. Quatro anos depois, foi reeleito deputado estadual com 46.556 votos e, atualmente, exercia a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.
A morte provocou forte repercussão no meio político goiano. O presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto (UB), decretou luto oficial de cinco dias no Poder Legislativo. Agendas políticas também foram canceladas após a confirmação da tragédia. Amilton Filho deixa esposa e dois filhos, e o velório será realizado em Anápolis, cidade onde mantinha residência.
Amilton Filho estava em plena campanha eleitoral e buscava renovar o mandato nas eleições de 2026 quando ocorreu o acidente. Ao longo de sua atuação pública, acumulou experiência como servidor estadual, vereador e deputado. A morte repentina, a poucos dias das eleições, gerou manifestações de pesar de colegas, aliados e lideranças de diferentes grupos políticos de Goiás. As circunstâncias da colisão deverão ser apuradas pelas autoridades responsáveis.
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