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Flávio Bolsonaro enviou R$ 200 mil em emenda a ONG que, segundo investigação, teve atuação de miliciano condenado no caso Marielle

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Senador destinou cerca de R$ 200 mil ao Ifop; entidade também recebeu verbas indicadas por Chris Tonietto e Chiquinho Brazão – Andressa Anholete/ Agência Senado

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) destinou cerca de R$ 200 mil em emenda parlamentar ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), entidade que passou a ser investigada por suspeitas envolvendo a aplicação de recursos públicos. Reportagens publicadas neste mês apontam que Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por integrar organização criminosa armada no caso Marielle Franco, teria atuado na interlocução para conseguir recursos para o instituto.

Além da indicação feita por Flávio Bolsonaro, o Ifop recebeu R$ 300 mil em emenda da deputada federal Chris Tonietto (PL-RJ) e R$ 1,5 milhão atribuídos ao então deputado Chiquinho Brazão. Os repasses somam aproximadamente R$ 2 milhões. Chiquinho e seu irmão, Domingos Brazão, foram condenados pelo STF, em fevereiro de 2026, a 76 anos e três meses de prisão por crimes relacionados aos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes e à tentativa de homicídio de Fernanda Chaves.

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Mensagens colocam interlocução sob investigação

O caso ganhou repercussão após a divulgação de mensagens atribuídas a Calixto e a Maria de Fátima Bezerra Castro, que atuava no gabinete de Flávio Bolsonaro. Segundo as reportagens, as conversas mostram pedidos para que o senador ajudasse o Ifop e referências a encontros envolvendo integrantes do grupo político. A emenda de Flávio, destinada a um projeto de futebol ligado ao instituto, foi indicada em 2023. A Polícia Federal apura indícios de irregularidades na aplicação dos recursos, enquanto não há, nas informações divulgadas até agora, conclusão de que o senador tenha participado de eventual desvio.

Parte do dinheiro indicado por Flávio Bolsonaro tinha como finalidade financiar o projeto “Jogadores do Futuro”, incluindo aquisição de materiais esportivos. A execução desses recursos passou a ser questionada durante as apurações. A Polícia Federal, em atuação relacionada ao controle dessas verbas, investiga suspeitas envolvendo o destino do dinheiro público. As apurações sobre emendas destinadas a organizações do terceiro setor também provocaram novos pedidos de fiscalização dos repasses realizados pelo senador desde 2019.

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A assessoria de Flávio Bolsonaro afirma que a destinação da emenda obedeceu à legislação e aos critérios técnicos estabelecidos pelo Ministério do Esporte. A defesa pública apresentada pelo senador sustenta ainda que cabe à entidade beneficiada executar corretamente os recursos e prestar contas, enquanto eventuais irregularidades devem ser investigadas pelos órgãos responsáveis. O Ifop, por sua vez, declarou desconhecer uma eventual atuação de Robson Calixto para conseguir a emenda e negou manter relação com ele ou com a família Brazão.

Robson Calixto foi condenado pela Primeira Turma do STF, em fevereiro de 2026, a nove anos de prisão e 200 dias-multa pelo crime de organização criminosa armada. Em junho, o Supremo rejeitou os recursos apresentados pelos condenados e manteve as penas. No mesmo processo, Domingos e Chiquinho Brazão receberam penas de 76 anos e três meses. As investigações sobre os recursos destinados ao Ifop seguem em um eixo distinto do julgamento criminal do caso Marielle e buscam esclarecer como as emendas foram obtidas e aplicadas pela entidade. As informações e da coluna de Malu Gaspar, no jornal O Glob

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Aloizio Mercadante critica Flávio Bolsonaro e diz que participação dos EUA em transição colocaria dados estratégicos em risco

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Presidente do BNDES questiona proposta de envolver norte-americanos em eventual mudança de governo – Foto: Reprodução/ IA

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, fez críticas à proposta atribuída ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de permitir a participação dos Estados Unidos em uma eventual transição de governo. Durante evento realizado em São Paulo, Mercadante argumentou que uma mudança presidencial envolve acesso a informações sensíveis do Estado brasileiro e questionou a presença de representantes de outro país nesse processo.

A manifestação ocorreu durante a 5ª edição da J. Safra Investment Conference, encontro promovido nos dias 22 e 23 de setembro pelo Banco Safra. A conferência reúne empresários, executivos, investidores e especialistas para discutir economia, cenário eleitoral e investimentos. Mercadante citou áreas como defesa, diplomacia, minerais críticos, finanças, Banco Central e o sistema PIX entre os setores que, segundo ele, possuem dados que exigem proteção durante uma transição presidencial.

Ao tratar do assunto, o presidente do BNDES questionou como informações dessa natureza poderiam ser compartilhadas com representantes estrangeiros. Mercadante também relacionou sua crítica às atuais divergências comerciais entre Brasil e Estados Unidos e atacou brasileiros que apoiam medidas tarifárias adotadas por Washington contra produtos nacionais. Para ele, a política externa brasileira deve priorizar os interesses do próprio país.

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Em outro momento de sua participação, Mercadante afirmou enxergar risco de perda de autonomia brasileira sobre setores considerados estratégicos. O dirigente do BNDES utilizou o termo “neocolonialismo” ao abordar a influência de outros países sobre decisões envolvendo empresas, tecnologia e exploração de recursos naturais. Segundo sua avaliação, o Brasil não deve subordinar decisões internas aos interesses econômicos de governos estrangeiros.

Mercadante também destacou a importância dos minerais críticos, matérias-primas que ganharam espaço na disputa internacional por serem fundamentais para segmentos como tecnologia, energia, baterias e indústria de alta complexidade. Ele defendeu que o Brasil estabeleça uma estratégia própria para explorar e industrializar esses recursos, mantendo autonomia nas negociações internacionais e buscando ampliar o valor agregado da produção nacional.

O tema também está presente nas ações recentes do BNDES. Neste mês, o banco iniciou uma nova etapa do Plano Brasil Soberano, com recursos destinados, entre outros setores, a minerais críticos e empresas atingidas pelas tarifas norte-americanas. Para Mercadante, a dimensão territorial e mineral brasileira coloca o país em posição relevante nessa nova disputa econômica mundial e exige, em sua avaliação, uma política externa baseada em autonomia e defesa dos interesses nacionais.

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