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Aloizio Mercadante critica Flávio Bolsonaro e diz que participação dos EUA em transição colocaria dados estratégicos em risco

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Presidente do BNDES questiona proposta de envolver norte-americanos em eventual mudança de governo – Foto: Reprodução/ IA

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, fez críticas à proposta atribuída ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de permitir a participação dos Estados Unidos em uma eventual transição de governo. Durante evento realizado em São Paulo, Mercadante argumentou que uma mudança presidencial envolve acesso a informações sensíveis do Estado brasileiro e questionou a presença de representantes de outro país nesse processo.

A manifestação ocorreu durante a 5ª edição da J. Safra Investment Conference, encontro promovido nos dias 22 e 23 de setembro pelo Banco Safra. A conferência reúne empresários, executivos, investidores e especialistas para discutir economia, cenário eleitoral e investimentos. Mercadante citou áreas como defesa, diplomacia, minerais críticos, finanças, Banco Central e o sistema PIX entre os setores que, segundo ele, possuem dados que exigem proteção durante uma transição presidencial.

Ao tratar do assunto, o presidente do BNDES questionou como informações dessa natureza poderiam ser compartilhadas com representantes estrangeiros. Mercadante também relacionou sua crítica às atuais divergências comerciais entre Brasil e Estados Unidos e atacou brasileiros que apoiam medidas tarifárias adotadas por Washington contra produtos nacionais. Para ele, a política externa brasileira deve priorizar os interesses do próprio país.

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Em outro momento de sua participação, Mercadante afirmou enxergar risco de perda de autonomia brasileira sobre setores considerados estratégicos. O dirigente do BNDES utilizou o termo “neocolonialismo” ao abordar a influência de outros países sobre decisões envolvendo empresas, tecnologia e exploração de recursos naturais. Segundo sua avaliação, o Brasil não deve subordinar decisões internas aos interesses econômicos de governos estrangeiros.

Mercadante também destacou a importância dos minerais críticos, matérias-primas que ganharam espaço na disputa internacional por serem fundamentais para segmentos como tecnologia, energia, baterias e indústria de alta complexidade. Ele defendeu que o Brasil estabeleça uma estratégia própria para explorar e industrializar esses recursos, mantendo autonomia nas negociações internacionais e buscando ampliar o valor agregado da produção nacional.

O tema também está presente nas ações recentes do BNDES. Neste mês, o banco iniciou uma nova etapa do Plano Brasil Soberano, com recursos destinados, entre outros setores, a minerais críticos e empresas atingidas pelas tarifas norte-americanas. Para Mercadante, a dimensão territorial e mineral brasileira coloca o país em posição relevante nessa nova disputa econômica mundial e exige, em sua avaliação, uma política externa baseada em autonomia e defesa dos interesses nacionais.

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Na ONU, oresidente Lula promete combate implacável ao crime organizado e à corrupção e diz que “ninguém está acima da lei”

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Em discurso na ONU, presidente afirma que ninguém está acima da lei, defende cooperação internacional contra facções – Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a tribuna da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), em Nova York, para defender a soberania brasileira e reforçar o compromisso do governo no enfrentamento ao crime organizado e à corrupção. Diante de líderes mundiais, Lula afirmou que o Brasil tem capacidade para combater as organizações criminosas dentro de seu território e deixou claro que o país não pretende transferir a outras nações a responsabilidade pela segurança de suas fronteiras.

Ao abordar a violência que atinge diferentes regiões brasileiras, Lula citou as consequências da atuação das facções sobre trabalhadores, famílias e agentes das forças de segurança. Segundo o presidente, o governo reconhece a dimensão do problema e pretende intensificar a repressão às estruturas criminosas. A posição apresentada na ONU foi de que o enfrentamento deve ocorrer com coordenação nacional e respeito à soberania do Brasil, sem intervenções externas.

Lula também rejeitou a necessidade de presença militar estrangeira nas águas brasileiras como instrumento de combate ao narcotráfico e às organizações criminosas. O presidente afirmou que o Brasil precisa de cooperação internacional para interromper principalmente as rotas de armas e de recursos financeiros utilizadas pelas facções. Nesse contexto, defendeu ações conjuntas para identificar lavagem de dinheiro, movimentações financeiras ilícitas e patrimônio mantido por criminosos fora do país.

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Outro ponto destacado pelo presidente foi a necessidade de maior integração das forças responsáveis pela segurança. Lula argumentou que a atuação pouco coordenada entre diferentes governos e instituições abriu espaço, durante anos, para o fortalecimento das organizações criminosas. Como resposta, defendeu o compartilhamento de informações e operações articuladas, inclusive com outros países da América do Sul, como estratégia para enfrentar organizações que atuam além das fronteiras nacionais.

Na Assembleia da ONU, Lula sustentou ainda que o combate às facções não pode ficar limitado aos integrantes que atuam diretamente nas ruas. A estratégia defendida pelo presidente inclui alcançar financiadores, operadores financeiros e integrantes dos escalões superiores das organizações criminosas. Lula citou ações realizadas pelas autoridades brasileiras contra drogas, patrimônio e dinheiro de origem ilícita e afirmou que o Estado pretende atingir também aqueles que acumulam grandes fortunas por meio de atividades criminosas.

Ao finalizar esse trecho do pronunciamento, Lula associou o fortalecimento das organizações criminosas à corrupção e afirmou que as investigações devem alcançar qualquer pessoa envolvida em ilegalidades, independentemente de posição econômica ou política. O presidente declarou que o combate à corrupção continuará de forma “implacável” e resumiu a posição apresentada pelo governo brasileiro diante da comunidade internacional: “Ninguém está acima da lei”.

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