RIO DE JANEIRO

Política Mundo

Sob pressão dos Estados Unidos, presidente Lula reage, defende o Pix e busca diálogo com Trump no G7

Publicados

Política Mundo

Presidente afirma que Brasil não aceitará medidas consideradas injustas e promete ampliar relações comerciais com outros mercados – Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que participará da reunião do G7, marcada para acontecer entre os dias 15 e 17 de junho, na França, em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. A decisão ocorre após o governo norte-americano sinalizar a possibilidade de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros, medida que gerou forte reação em Brasília.

Durante reunião ministerial realizada nesta semana, Lula afirmou que pretende aproveitar o encontro internacional para buscar diálogo direto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Embora não exista agenda bilateral confirmada, integrantes do governo acreditam que o evento poderá abrir espaço para conversas sobre o impasse comercial entre os dois países.

O governo brasileiro considera injustificadas as alegações apresentadas por Washington para sustentar a aplicação de uma sobretaxa de 12,5% sobre determinados produtos nacionais. Autoridades americanas argumentam que alguns países não estariam adotando medidas suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado, justificativa contestada pelo Palácio do Planalto.

Leia Também:  Morales cobra investigação após denúncia de suposto grupo policial paralelo para capturá-lo na Bolívia

Em nota oficial, o governo federal classificou a posição dos Estados Unidos como protecionista e reafirmou que a legislação brasileira já prevê mecanismos rigorosos de combate ao trabalho escravo e a outras violações de direitos humanos. Segundo o Planalto, a competitividade da economia brasileira não pode ser associada a práticas ilegais ou degradantes.

Lula também anunciou que pretende intensificar os esforços diplomáticos para tentar reverter as medidas. O presidente informou que enviará novas mensagens ao governo norte-americano e buscará ampliar a divulgação da posição brasileira em veículos internacionais, defendendo que as acusações contra o país não correspondem à realidade.

Ao comentar o cenário, o chefe do Executivo afirmou que o Brasil continuará buscando entendimento, mas deixou claro que o país não ficará dependente do mercado norte-americano. Segundo ele, caso as negociações não avancem, o governo pretende ampliar parcerias comerciais com outros países e fortalecer novos mercados para os produtos brasileiros.

Outro tema que ganhou destaque na reação brasileira foi o Pix. O sistema de pagamentos instantâneos passou a ser citado pelo governo como um símbolo da soberania tecnológica e financeira do país. Durante a reunião ministerial, um painel exibido no Palácio do Planalto destacava a mensagem de que o Pix é uma ferramenta nacional que deve ser preservada de pressões externas.

Leia Também:  Lula diz ter diálogo com Trump, critica assessores dos EUA e cobra relação sem interferência no Brasil

Apesar do clima de tensão, o governo brasileiro mantém a expectativa de que as recomendações preliminares apresentadas pelas autoridades comerciais dos Estados Unidos não sejam transformadas em sanções definitivas. Enquanto isso, o Planalto afirma que continuará adotando medidas para proteger a economia nacional, os empregos e a renda dos brasileiros diante das incertezas no cenário internacional. As informações foram publicadas originalmente pelo jornal O Globo.

Propaganda

Política Mundo

Lula diz ter diálogo com Trump, critica assessores dos EUA e cobra relação sem interferência no Brasil

Publicados

em

Presidente afirma que conversa direta com líder americano avançou em tarifas e minerais críticos –  Foto: Ricardo Stuckert/ PR I Casa Branca

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que mantém uma relação política marcada pelo respeito e pela objetividade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apesar das divergências entre os dois países. Em entrevista à Record, Lula revelou detalhes de uma conversa de aproximadamente uma hora e vinte minutos com o republicano e avaliou que parte das dificuldades diplomáticas surge após as tratativas entre os dois chefes de Estado.

Segundo Lula, o contato direto com Trump ocorreu de maneira “civilizada” e permitiu discutir assuntos considerados estratégicos para Brasil e Estados Unidos. Entre os temas abordados estiveram as tarifas impostas aos produtos brasileiros, a exploração de minerais críticos, as terras raras e iniciativas conjuntas de enfrentamento ao crime organizado. O petista, porém, demonstrou insatisfação com decisões adotadas posteriormente por integrantes da administração norte-americana.

Na avaliação do presidente brasileiro, existe uma diferença entre a postura demonstrada por Trump durante as conversas e algumas medidas tomadas por assessores e integrantes do segundo escalão dos Estados Unidos. Lula afirmou que o Brasil está aberto ao diálogo com Washington, mas deixou claro que não aceitará interferências externas em assuntos internos e que a soberania brasileira continuará sendo tratada como um limite inegociável nas relações internacionais.

Leia Também:  Lula diz ter diálogo com Trump, critica assessores dos EUA e cobra relação sem interferência no Brasil

As barreiras comerciais também ocuparam espaço importante nas negociações. Lula disse ter contestado argumentos utilizados para justificar tarifas sobre produtos brasileiros e apresentou dados relacionados à redução do desmatamento no país. O presidente também rejeitou questionamentos envolvendo condições trabalhistas e afirmou que, após o contato com Trump, equipes responsáveis pelo comércio exterior dos dois governos passaram a discutir tecnicamente alternativas para superar os entraves.

Outro ponto considerado estratégico pelo governo brasileiro envolve a exploração de terras raras e minerais críticos. Lula informou que o Brasil entregou aos Estados Unidos uma proposta formal demonstrando interesse em estabelecer parcerias no setor. A condição apresentada, entretanto, é que o país deixe de ocupar apenas a posição de fornecedor de recursos naturais e passe a agregar valor à produção antes de exportá-la.

A intenção do governo, segundo Lula, é utilizar as reservas minerais para estimular uma cadeia industrial capaz de produzir no Brasil itens como baterias para veículos elétricos, celulares e semicondutores. Com essa estratégia, o presidente defende que uma eventual parceria com os Estados Unidos combine comércio, tecnologia e industrialização, mantendo como princípios o respeito à soberania nacional e a defesa dos interesses econômicos brasileiros.

Leia Também:  Morales cobra investigação após denúncia de suposto grupo policial paralelo para capturá-lo na Bolívia
Continue lendo

POLÍTICA

TUDO SOBRE POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

GERAL

MAIS LIDAS DA SEMANA