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Flávio Bolsonaro usou dinheiro público em viagens a São Paulo após encontro com banqueiro investigado pela Polícia Federal

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Senador do PL foi reembolsado pelo Senado em sucessivas viagens à capital paulista logo após Daniel Vorcaro deixar prisão – Foto: Geraldo Majela/ Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro voltou ao centro de uma nova polêmica após registros do Portal da Transparência apontarem que ele utilizou recursos públicos para custear viagens a São Paulo em meio à crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. As viagens aconteceram dias depois de Vorcaro deixar a prisão e passar a usar tornozeleira eletrônica por decisão da Justiça.

Os dados mostram que Flávio Bolsonaro embarcou para São Paulo no dia 29 de novembro de 2025, apenas um dia após o empresário deixar a custódia da Polícia Federal. O senador utilizou um voo saindo de Brasília rumo ao aeroporto de Congonhas, retornando à capital federal ainda na mesma noite. As passagens, adquiridas em companhias aéreas diferentes, foram integralmente ressarcidas pelo Senado Federal por meio da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAPS).

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Dias depois, o parlamentar voltou a realizar novas viagens entre Brasília e São Paulo, novamente com custos pagos com dinheiro público. Entre os dias 1º e 2 de dezembro, o senador fez outro deslocamento à capital paulista, seguido de mais uma viagem em 4 de dezembro. Ainda naquele mesmo mês, em 15 de dezembro, Flávio voltou a viajar para São Paulo utilizando reembolso de passagens aéreas custeadas pela verba parlamentar. Somadas, as viagens ultrapassaram milhares de reais em despesas bancadas pelos cofres públicos.

A movimentação ganhou repercussão após o próprio senador admitir publicamente que esteve na residência de Daniel Vorcaro logo após o banqueiro passar a cumprir medidas cautelares impostas pela Justiça. Segundo Flávio Bolsonaro, o encontro teria ocorrido para tratar do financiamento do filme “Dark Horse”, produção que aborda a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. O projeto teria recebido promessa de investimento milionário por parte do empresário investigado.

As revelações aumentaram os questionamentos sobre o uso da estrutura pública para compromissos considerados de interesse privado. Reportagens apontam que o Banco Master e seu controlador são alvo de investigações envolvendo operações financeiras suspeitas e possíveis tentativas de interferência em apurações conduzidas pela Polícia Federal. Daniel Vorcaro voltou a ser preso em março de 2026 por determinação do ministro André Mendonça, que citou risco de obstrução das investigações.

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O caso também ampliou o desgaste político em torno da relação entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro. Informações divulgadas pela imprensa indicam que o empresário teria negociado aportes milionários para financiar produções ligadas à família Bolsonaro. Enquanto isso, cresce a pressão por esclarecimentos sobre a utilização de recursos públicos em viagens que podem ter sido usadas para encontros particulares, em meio a um dos escândalos financeiros mais comentados do país nos últimos meses.

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Polícia Federal investiga emenda de Flávio Bolsonaro enviada a ONG ligada a grupo suspeito de esquema com os irmãos Brazão

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Conversas encontradas pela Polícia Federal apontam articulação de aliados dos Brazão para direcionar recursos públicos a entidades investigadas no Rio.

A Polícia Federal abriu uma nova frente de investigação envolvendo o senador Flávio Bolsonaro após a identificação de uma emenda parlamentar destinada a uma organização não-governamental suspeita de integrar um esquema de desvio de dinheiro público ligado aos irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão. O caso faz parte das apurações relacionadas ao assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

De acordo com as investigações, o valor de R$ 199 mil foi liberado em novembro de 2023 para o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), entidade sediada na região da Taquara, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A área é considerada reduto político do grupo investigado, e a PF suspeita que o repasse possa ter sido utilizado dentro de um esquema de captação irregular de recursos públicos por meio de organizações sociais.

Os investigadores apontam que a articulação para a liberação da verba teria sido feita pelo policial militar da reserva Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”. Segundo a PF, ele atuava nos bastidores intermediando interesses ligados aos irmãos Brazão. Peixe foi condenado por participação em organização criminosa no processo que apura a execução de Marielle Franco e Anderson Gomes.

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As apurações avançaram após a quebra do sigilo telefônico do ex-assessor. A Polícia Federal afirma ter encontrado mensagens que indicam a atuação direta de Peixe na busca por emendas parlamentares destinadas a entidades suspeitas. Relatórios da investigação apontam que organizações vinculadas ao esquema receberam aproximadamente R$ 268 milhões em recursos públicos entre os anos de 2020 e 2024.

Ainda segundo os investigadores, integrantes dessas entidades eram pressionados a atender demandas do grupo político investigado depois da liberação dos recursos. Entre os pedidos citados pela PF estão a compra de bicicletas para eventos políticos, além da disponibilização de helicópteros e transferências financeiras para empresas ligadas a familiares de Peixe. Em um dos casos analisados, teria sido solicitado um depósito de R$ 100 mil para uma empresa registrada em nome da filha do ex-assessor.

A investigação também revelou mensagens trocadas entre Peixe e integrantes do gabinete de Flávio Bolsonaro antes da liberação da emenda ao Ifop. Em nota, o senador afirmou que os recursos tinham como objetivo financiar projetos sociais voltados a crianças em situação de vulnerabilidade. Já o instituto negou qualquer ligação com Robson Calixto ou com os irmãos Brazão. Apesar disso, a PF informou ter identificado movimentações financeiras consideradas suspeitas na prestação de contas apresentada pela entidade, incluindo pagamentos para empresas e consultorias que agora estão no centro das investigações. As informações e do portal O Globo

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