Região Sudeste
Mensagens com Vorcaro colocam Nikolas no centro de nova polêmica, e Boulos dispara: “É esse o paladino da moral?”
Região Sudeste
Conversas divulgadas apontam pedido relacionado a ativo minerário de ex-assessor e viagens em jatinho – Foto: Ruy Castro ASCOM/SGPR
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, usou as redes sociais nesta quinta-feira (3) para atacar a postura do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), após a divulgação de mensagens atribuídas ao parlamentar em conversas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Diante das informações reveladas pela jornalista Juliana Dal Piva, do ICL Notícias, Boulos ironizou a imagem pública construída pelo deputado e questionou: “É esse o paladino da moral?”.
Na publicação, o ministro destacou três pontos que, segundo ele, mostram uma relação entre Nikolas e o banqueiro. Boulos citou viagens de jatinho que teriam sido financiadas por Vorcaro, um pedido de ajuda envolvendo um ativo minerário ligado a um ex-assessor do parlamentar e uma mensagem na qual Nikolas teria demonstrado arrependimento por críticas feitas anteriormente ao Banco Master.
Um dos diálogos divulgados teria ocorrido em março de 2025. Na ocasião, Nikolas procurou Vorcaro para apresentar uma demanda de Thiago Rodrigues de Faria, advogado e ex-assessor do deputado. Na mensagem, o parlamentar afirmou que Faria possuía um “ativo minerário” que já teria passado por avaliação técnica, mas permanecia com uma pendência. Nikolas pediu que o banqueiro analisasse a situação e se colocou à disposição para aproximar os dois.
Vorcaro respondeu à abordagem e solicitou que Thiago entrasse em contato diretamente com ele. A comunicação continuou nos dias seguintes, quando Nikolas informou que o advogado estaria em Brasília e disponível para uma conversa. O banqueiro respondeu com a expressão “Deixa comigo”. Apesar da troca de mensagens, o material tornado público até agora não permite concluir se alguma medida efetiva foi adotada por Vorcaro em favor da demanda apresentada.
Boulos também associou o episódio às investigações da Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2025 para apurar um suposto esquema de exploração ilegal de minério em Minas Gerais. Thiago Rodrigues de Faria apareceu posteriormente em apurações relacionadas ao caso. Segundo informações publicadas pelo Estado de Minas, o advogado teria atuado como intermediário em uma negociação envolvendo direitos minerários e empresas investigadas. A operação resultou em 22 prisões preventivas na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Outro ponto das mensagens diz respeito às críticas que Nikolas havia feito, em 2024, a um evento realizado em Londres e financiado pelo Banco Master, com participação de integrantes de tribunais superiores. Posteriormente, em conversa atribuída ao parlamentar com Vorcaro, Nikolas afirmou que não sabia, quando publicou as críticas, que se tratava do banco do empresário. Ele relatou ainda ter conversado sobre o assunto com o pastor André Valadão e indicou que teria adotado outra postura caso conhecesse previamente a ligação de Vorcaro com a instituição.
Procurado pelo ICL Notícias, Thiago Faria confirmou conhecer Daniel Vorcaro e afirmou atuar profissionalmente no setor de mineração, mas negou envolvimento com irregularidades investigadas pela Polícia Federal. O advogado declarou que nunca foi chamado para prestar depoimento à PF sobre o caso. Já as informações divulgadas até o momento não demonstram que Vorcaro tenha efetivamente interferido para atender ao pedido apresentado por Nikolas. As revelações, porém, ampliaram o embate político em torno do deputado e passaram a ser utilizadas por Boulos para questionar o discurso público adotado pelo parlamentar.
Região Sudeste
PF encontra mensagens de Cláudio Castro com dono da Refit e aponta possível tratamento privilegiado no Rio
Conversas extraídas do celular do ex-governador mostram contatos diretos com Ricardo Magro Foto: Reprodução/ Acervo Pessoal/ TV Globo
Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro revelaram contatos frequentes com o empresário Ricardo Magro, proprietário da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. O conteúdo aparece nas investigações da Operação Sem Refino e, segundo a PF, indica que a relação entre o então chefe do Executivo fluminense e integrantes do grupo empresarial teria ultrapassado os contatos institucionais normalmente mantidos entre o poder público e representantes do setor privado.
Os diálogos foram mencionados em decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou novas diligências, buscas e quebras de sigilo na investigação. Em uma das mensagens destacadas pelos investigadores, Castro escreveu a Magro: “Aqui você tem um amigo. Saiba disso”. Para a PF, o material aponta a existência de um canal direto entre o ex-governador, o empresário e pessoas que atuavam na defesa dos interesses da Refit.
A investigação também identificou conversas entre Castro e o advogado Marcos Joaquim Gonçalves Alves, apontado pela PF como ligado às demandas da empresa. Em uma das ocasiões, o advogado buscava viabilizar uma reunião relacionada à situação fiscal da refinaria. Castro teria respondido que poderia ajudar na articulação e escreveu: “Eu toco por aqui”. Os investigadores analisam se houve atuação pessoal do então governador para facilitar o andamento de assuntos administrativos de interesse do grupo.
Outro ponto levantado pela Polícia Federal envolve uma viagem de Castro a Nova York. Conforme a investigação, Ricardo Magro teria participado da organização de um evento frequentado pelo então governador e atuado na recepção da comitiva durante a passagem pelos Estados Unidos. A PF afirma que a viagem teve patrocínio da Refit e sustenta que as mensagens encontradas posteriormente indicariam uma relação mais próxima entre os dois do que aquela descrita publicamente por Castro após a primeira fase da operação.
De acordo com os investigadores, o conteúdo do celular também mostra acompanhamento de pedidos apresentados pela Refit a órgãos estaduais, articulação de reuniões e consultas sobre a tramitação de processos. A apuração tenta determinar se integrantes do poder público favoreceram a companhia em questões administrativas, tributárias e ambientais. Entre os episódios analisados está a renovação, em 2024, da licença de operação e recuperação da refinaria, aprovada apesar de manifestações contrárias de representantes do Ibama e da Uerj.
As conclusões apresentadas pela Polícia Federal ainda fazem parte de uma investigação e não representam condenação de Cláudio Castro, Ricardo Magro ou dos demais envolvidos. Carlo Luchione, advogado do ex-governador, afirmou que a defesa ainda não teve acesso à íntegra dos dados retirados do telefone e informou que Castro está à disposição da PF para prestar esclarecimentos. A defesa também nega que o ex-governador tenha praticado qualquer ato ilícito. Ricardo Magro teve a prisão preventiva determinada na primeira fase da Operação Sem Refino e, conforme consta na investigação, está foragido e incluído na difusão vermelha da Interpol.
Troca de mensagens de Castro e Magro obtidas pela Polícia Federal — Foto: Reprodução/TV Globo
-
Região Sudeste5 dias atrásLindbergh diz que Flávio Bolsonaro não esclareceu relação com Vorcaro e cobra explicações sobre R$ 61 milhões
-
Política Mundo5 dias atrásDelcy Rodríguez celebra acordo com governo Trump e prevê mais de US$ 100 bilhões para setor petrolífero
-
Política Destaque4 dias atrásPresidente Lula recebe irmãos Batista, André Esteves e líderes de grandes empresas para jantar que aproxima governo do setor privado
-
Região Centro-oeste5 dias atrásPatrimônio dos candidatos do PL cresce 184% em quatro anos, chega a R$ 4,9 bilhões e coloca partido na liderança





