Região Sudeste
Geraldo Alckmin anuncia pacote de medidas para reduzir impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos
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Governo anuncia pacote de apoio para reduzir impactos de tarifa dos EUA sobre exportações brasileiras – Foto: Reprodução/ IA
O Governo Federal apresentou um conjunto de medidas para minimizar os efeitos da tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados. O anúncio foi feito durante coletiva em Brasília e contempla ações voltadas à proteção da indústria nacional, manutenção dos empregos e fortalecimento da presença do Brasil em novos mercados internacionais.
O vice-presidente Geraldo Alckmin informou que a equipe econômica trabalha na criação de um programa específico de apoio aos segmentos mais atingidos. Entre as iniciativas estão a ampliação das linhas de financiamento para empresas, incentivos à produção e mecanismos para facilitar a diversificação das exportações brasileiras, reduzindo a dependência do mercado norte-americano.
Além das medidas econômicas, o governo pretende intensificar a atuação de instituições como a ApexBrasil e o BNDES para ampliar a presença dos produtos brasileiros em outros países. Paralelamente, o Brasil continuará adotando medidas diplomáticas e jurídicas para contestar a decisão norte-americana, inclusive utilizando os instrumentos previstos pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e pela Lei de Reciprocidade Econômica.
Os setores mais afetados pela nova tarifa incluem fabricantes de madeira, móveis, máquinas e equipamentos elétricos, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. Para essas atividades, o governo estuda a oferta de crédito para capital de giro, investimentos e apoio logístico, buscando reduzir os impactos financeiros e facilitar o acesso a novos compradores internacionais.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior apontam que aproximadamente 2,4 mil empresas brasileiras serão diretamente atingidas pela medida. Juntas, elas representam cerca de 18% das exportações destinadas aos Estados Unidos, movimentando aproximadamente US$ 7,4 bilhões. Apesar disso, a maior parte dessas empresas já mantém relações comerciais com outros mercados, o que poderá amenizar parte dos prejuízos.
O ministro da Fazenda, Dário Durigan, afirmou que o governo continuará dialogando com representantes dos setores produtivos para definir novas ações de apoio. Segundo ele, embora algumas cadeias produtivas sofram impactos relevantes, a avaliação da equipe econômica é de que a medida não compromete a estabilidade da economia brasileira nem altera as projeções macroeconômicas do país.
Durante a coletiva, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou que o Brasil mantém diálogo permanente com autoridades norte-americanas desde o início das discussões sobre as tarifas. O governo brasileiro afirma ter participado de diversas rodadas de negociações e seguirá buscando uma solução diplomática que preserve as relações comerciais entre os dois países.
Também participaram da apresentação representantes do Banco Central, do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério da Justiça, que responderam aos questionamentos levantados pelos Estados Unidos durante a investigação comercial. O governo reafirmou que continuará acompanhando os desdobramentos da decisão, prestando assistência aos setores afetados e adotando todas as medidas necessárias para defender os interesses econômicos e comerciais do Brasil.
Região Sudeste
Lindbergh acusa Trump de usar tarifaço para interferir nas eleições brasileiras e critica aliados de Bolsonaro
Lindbergh acusa Trump de tentar interferir nas eleições brasileiras e critica apoio de aliados de Bolsonaro às sanções dos EUA – Kayo Magalhães/ CdosD
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) reagiu com duras críticas às novas medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos contra o Brasil. Em publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (16), o parlamentar afirmou que o pacote de tarifas imposto pelo governo do presidente Donald Trump representa uma tentativa de influenciar o cenário político brasileiro em ano eleitoral, classificando a iniciativa como uma ingerência nos assuntos internos do país.
Na manifestação, Lindbergh também direcionou críticas aos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, parlamentares ligados ao antigo governo atuaram junto a autoridades norte-americanas para estimular a adoção de sanções econômicas contra o Brasil. O deputado afirmou que esse tipo de postura será rejeitado pela população e classificou a atuação como prejudicial aos interesses nacionais.
O anúncio do governo norte-americano estabelece uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. Além da elevação tarifária, Washington apresentou questionamentos sobre políticas adotadas pelo Brasil, incluindo o sistema de pagamentos Pix, o mercado de etanol e ações de combate ao desmatamento ilegal, alegando possíveis impactos à competitividade de empresas americanas.
As medidas foram divulgadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que abriu uma nova frente de disputas comerciais com o Brasil. Apesar das críticas, as autoridades norte-americanas não apresentaram provas públicas de práticas consideradas desleais, mas sustentaram que determinados setores brasileiros criam obstáculos ao acesso de empresas dos EUA ao mercado nacional.
Mesmo com a ampliação das tarifas, uma parcela significativa das exportações brasileiras continuará livre da cobrança adicional. Produtos de grande relevância para a balança comercial, como petróleo bruto, café em grão, aeronaves, carne bovina, celulose, ferro-gusa e suco de laranja permaneceram fora da lista das mercadorias atingidas, reduzindo o impacto imediato sobre os principais itens vendidos aos Estados Unidos.
Por outro lado, diversos segmentos industriais e agrícolas passarão a enfrentar custos mais elevados para acessar o mercado norte-americano. Entre os produtos afetados estão pneus, açúcar, etanol, tabaco, combustíveis, equipamentos pesados utilizados na construção e mineração, transformadores elétricos, madeira beneficiada, granito, chapas de alumínio e calçados de couro.
O episódio também reacendeu o debate sobre as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Nos últimos anos, o fortalecimento da aproximação brasileira com a China e com os países do BRICS passou a ser apontado por analistas como um dos fatores que elevaram as divergências entre Washington e Brasília em temas comerciais e geopolíticos.
Além da disputa econômica, o governo dos Estados Unidos anunciou novas medidas na área de segurança, incluindo a classificação das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. As decisões ampliam o conjunto de ações adotadas por Washington em relação ao Brasil e tendem a manter elevada a tensão nas relações entre os dois países nas próximas semanas.
Veja o vídeo:
Esse tarifaço de hoje é uma tentativa do Trump e de interferir nas eleições deste ano no Brasil. Mas o tiro vai sair pela culatra. Se tem uma coisa que o povo brasileiro abomina é traidor da Pátria. O povo vai responder a esses ataques contra o nosso país e a nossa economia.… pic.twitter.com/yYd6CyvBxR
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) July 16, 2026
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