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Governo Lula reage a venda de mineradora e prepara política para proteger terras raras no Brasil

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Nova estratégia prevê controle mais rígido sobre ativos estratégicos e incentivo à industrialização nacional – Foto: Ricardo Stuckert

Em meio à repercussão da venda da mineradora Serra Verde para um grupo estrangeiro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acelera medidas para reforçar o controle sobre recursos minerais considerados estratégicos. A movimentação ocorre em um cenário de crescente preocupação com a soberania nacional e o papel do país na cadeia global de tecnologia.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, confirmou que apresentará ao presidente uma proposta de criação da Política Nacional de Terras Raras. A iniciativa surge como resposta direta ao avanço de empresas estrangeiras sobre ativos minerais brasileiros de alto valor estratégico.

No centro do debate está a mina de Pela Ema, localizada em Goiás, considerada uma das poucas fontes relevantes de terras raras pesadas fora do continente asiático. Esses minerais são essenciais para a produção de tecnologias modernas, como baterias, turbinas e equipamentos eletrônicos.

A proposta do governo inclui a criação do Conselho Nacional de Política Mineral, um órgão que reunirá ministros de Estado com a missão de avaliar e autorizar operações envolvendo recursos considerados críticos. A medida pretende impedir que negociações desse tipo ocorram sem análise direta do alto escalão do governo federal.

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Com isso, a gestão federal busca mudar a lógica de funcionamento do setor mineral, estabelecendo regras mais rígidas para a venda de ativos estratégicos e ampliando a participação do Estado nas decisões. A ideia é garantir maior controle sobre riquezas naturais consideradas fundamentais para o desenvolvimento do país.

Além da regulação, o plano também aposta no fortalecimento da indústria nacional. Entre as diretrizes está o incentivo ao processamento de terras raras dentro do próprio Brasil, reduzindo a dependência de outros países e agregando valor à produção mineral.

Outro ponto central da política é a exigência de transferência de tecnologia em parcerias internacionais. O objetivo é evitar que o país continue apenas exportando matéria-prima bruta, passando a desenvolver conhecimento e inovação no próprio território.

A iniciativa ocorre em um contexto global de disputa por terras raras, atualmente dominado pela China, enquanto os Estados Unidos buscam alternativas para reduzir essa dependência. A recente negociação envolvendo a Serra Verde reforçou o alerta dentro do governo brasileiro sobre a necessidade de proteção desses ativos.

Com a nova política, o Brasil tenta reposicionar sua atuação no cenário internacional, deixando de ser apenas fornecedor de insumos e avançando como produtor de tecnologia e valor agregado.

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A expectativa é que, após a apresentação ao presidente, a proposta avance como base para novas leis e diretrizes regulatórias, consolidando uma política mineral mais estratégica e alinhada aos interesses de soberania econômica e tecnológica do país.

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Ministro Flávio Dino libera à Polícia Federal dados de operação que atingiu produtora de filme sobre Bolsonaro

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Ministro autorizou investigadores a acessarem materiais apreendidos em ação contra produtora e entidades ligadas ao longa “Dark Horse” – Foto: Gustavo Moreno/ STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a utilizar informações e documentos recolhidos durante uma operação da Polícia Civil de São Paulo que teve entre os alvos a produtora Karina Ferreira da Gama. Ela está envolvida na produção de “Dark Horse”, filme que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida foi tomada após solicitação da PF, que investiga a possível utilização de recursos provenientes de emendas parlamentares no projeto cinematográfico.

A investigação paulista, realizada em junho, alcançou Karina, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Go Up Entertainment, empresa responsável pela produção do longa. As buscas ocorreram tanto nas sedes das organizações quanto em dois imóveis residenciais relacionados à produtora.

Apesar de a apuração conduzida pela Polícia Civil ter origem diferente da investigação federal, o material apreendido poderá agora ser analisado pelos agentes da PF. Os investigadores buscam identificar a movimentação dos recursos e esclarecer se dinheiro público destinado a entidades vinculadas ao projeto acabou sendo empregado, direta ou indiretamente, na realização do filme.

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Em São Paulo, a investigação apura suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos relacionados a um contrato celebrado entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo. Foi justamente no decorrer dessa operação que documentos, equipamentos e outros dados de interesse investigativo foram recolhidos e passaram a despertar a atenção da Polícia Federal.

Outro ponto sob análise envolve emendas parlamentares encaminhadas para organizações relacionadas ao caso. Cinco parlamentares aparecem no contexto da apuração, entre eles o deputado federal Mário Frias, que destinou R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil em 2024. A PF procura estabelecer o caminho percorrido pelo dinheiro e verificar se houve alguma ligação entre esses recursos e os custos da produção cinematográfica.

Com a autorização de Dino, a Polícia Federal passa a contar com um volume maior de informações para confrontar documentos, transações e demais elementos já reunidos no inquérito. Mário Frias, por sua vez, declarou em maio que as emendas de sua autoria destinadas ao Instituto Conhecer Brasil não tiveram como finalidade financiar “Dark Horse”. A investigação deverá determinar se houve ou não emprego de recursos públicos na produção do filme sobre Bolsonaro.

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